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Paredes de Coura, 20 de agosto: veja aqui as fotos e a reportagem

Mogwai, Death From Above 1979 e Kurt Vile no adeus a Paredes de Coura, neste quarto dia de festival. Acompanhe a nossa reportagem e veja as melhores fotos de concertos e espetadores.

Chega hoje ao final a edição deste ano de Paredes de Coura. A BLITZ continua no Alto Minho, a acompanhar um festival que se tem pautado pelo bom ambiente no recinto e pela grande afluência de espetadores.
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Depois de, ontem, o destaque ter ido para os concertos de Deerhunter e Kings of Convenience, hoje as bandas que deverão atrair mais gente a Paredes de Coura são os Mogwai e os Death From Above 1979. Também Kurt Vile terá, provavelmente, muitos fãs à sua espera. A BLITZ já falou com o músico norte-americano sobre a sua paixão por Bob Dylan, Neil Young e Bruce Springsteen, bem como sobre o dia em que tentou dizer a Cat Power o quanto gostava dela (e falhou, por estar demasiado "wasted"). Leia a entrevista numa das próximas edições da revista BLITZ.

Calmaria bronzeada, na vila ao início da tarde de sexta feira

Dois simpáticos locais posam para a BLITZ

Paredes de Coura - ou, para os Kings of Convenience, o Éden 20 de agosto Palco Ritek 00h15 Death From Above 1979 22h30 Mogwai 21h05 Two Door Cinema Club 19h45 Maika Makovski 18h30 Linda Martini Palco 2 21h45 No Age 20h30 Viva Brother 19h15 Kurt Vile 18h00 Peixe:Avião After Hours 03h10 Terry Hooligan vs Rico Tubbs 02h00 Orelha Negra Jazz na Relva Governo

O cenário bucólico do concerto dos Kings of Convenience

Paixão pelos noruegueses, em vermelho vivo

Um "recuerdo" cor-de-rosa do festival mais verde 18h20 - Em Paredes de Coura os bracarenses Peixe:Avião são prata da casa. No palco secundário, há uma pequena multidão a assistir, com atenção e alguns sinais de cansaço, ao concerto em que os autores de Madrugada, sempre fiéis ao seu guião rock guarnecido de sombras sortidas, mostram um pouco mais de desenvoltura em palco do que nos habituáramos a ver (falamos, sobretudo, do vocalista Ronaldo Fonseca, hoje mais agitado - no bom sentido - do que já vimos acontecer). Por enquanto, as únicas tempestades elétricas (ficámos fascinados com a expressão, desde que a lemos no boletim meteorológico) vieram mesmo das guitarras dos Peixe:Avião, que além de meterem os "dedos à tomada" nas canções já gravadas proveitaram para apresentar algumas músicas do novo álbum, a sair em breve. Na plateia, as t-shirts de Radiohead, Mars Volta e Them Crooked Vulture denunciam os apetites rock dos espetadores. Junto ao merchandising, também há muito movimento, com a saudade antecipada daquele que foi o mais amável dos festivais de verão a alimentar a busca de uma recordação.
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19h24 - Os Linda Martini renovaram, há instantes, os votos de amor eterno com o público de Paredes de Coura. O romance não é recente, mas arriscamos a dizer que depois de hoje é mesmo até que a morte os separe. Com energia para dar e vender, apesar do calor abrasador que se faz sentir, os quatro de Queluz viajaram por alguns dos melhores momentos da sua discografia, sempre com o público a retribuir a dedicação. Ainda o grupo não tinha entrado em palco e já a multidão que cobria grande parte da encosta gritava por ele. "É bom estar de volta", exclamou o baterista Hélio Morais, antes de se atirar de corpo e alma a "Nós os Outros". O gozo pessoal que cada um dos elementos dos Linda Martini ostenta em palco podia encerrá-los numa bolha, mas a verdade é que o efeito é exatamente o contrário. O abraço com o "seu" público (e muito emprestado, mas atento) aperta com "Amor Combate", um dos temas que toca mais próximo do coração dos fiéis seguidores da banda, que rapidamente respondem com um coro certinho e headbanging concertado. Em "Ameaça Menor" já o suor escorre em cima e fora de palco e "Dá-me a Tua Melhor Faca" faz os ânimos explodirem ao som de uma bateria trovão que encontra aliados nas guitarras rasgadas. Já na reta da meta, "Juventude Sónica" e "O Amor É Não Haver Polícia" intensificam o crowdsurfing e é com uma banda visivelmente satisfeita que o concerto encerra de forma triunfal ao som de "Belarmino" e "Cem Metros Sereia", levada à letra pelo baterista, que mergulha na multidão sob dilúvio de aplausos. E mesmo no fim, antes de o público exigir (em vão) "só mais uma", a banda retribui o carinho atirando a setlist, baquetas e toalhas para os fãs em delírio.
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20h10 Quando Kurt Vile sobe sozinho ao palco secundário, ainda os Linda Martini dão a última estocada no seu concerto. Por isso, conseguimos chegar perto do palco e ver a poucos metros de nós o franzino americano que, este ano, caiu nas boas graças da crítica com o álbum Smoke Ring For My Halo. Sempre com a cabeça tombada para a frente e com o cabelo a esconder-lhe os olhos - postura que, de resto, adotou na entrevista com a BLITZ - Kurt Vile apresenta uma evidente ligação à "coisa" americana, tal como pregada por Bob Dylan, Bruce Springsteen ou Neil Young (que, apesar de canadiano, este jovem inclui na sua santíssima trindade das riscas e estrelas). Vile, seu verdadeiro nome, é também fã do malogrado guitarrista John Fahey, e isso percebe-se na primeira música, que apresenta de forma singela e pungente, sem banda, soltando com a sua guitarra pequenas cornucópias de melodia que se repetem e imiscuem na cabeça dos presentes. O homem de "Baby's Arms" parece, de resto, cruzar essa ideia de "americana", de Dylan a Fahey, com um visual e uma postura mais tingidos pelo college rock yankee, e até algum grunge (há um certo desdém cobainesco na voz de Vile). A ideia mantém-se quando a palco chega a sua banda, os Violators, que a este conjunto emprestam corpo, sem quebrar a alma. Mesmo quando entra em modo mais elétrico, lembrando Pavement ou Dinonsaur Jr, a banda parece sempre conservar uma certa aura delicodoce, protegida por um charme de outro tempo. "You guys are sweet", comenta Vile, em resposta aos aplausos da plateia atenta. "Jesus Fever" e "Ghost Town" foram capítulos bem conseguidos de um concerto que funcionou como postal carinhoso escrito ao pôr-do-sol, com uma caligrafia algo tremida. 20h20 - Maika Makovski é a espanhola de origem macedónia que veio substituir, no cartaz de Paredes de Coura, os norte-americanos Foster The People. A cantora apresentou-se com a garra e a confiança possível de quem sabe ser desconhecida aos olhos, e ouvidos, da maioria da plateia: de pé na frente do palco, umas poucas dezenas de resistentes, entre os quais alguns compatriotas de Maika, e espalhados pela colina muita gente esparramada, descansando e digerindo os últimos três dias de festival. Acompanhada por uma banda de três membros, Maika, que já trabalhou com John Parish, colaborador habitual de PJ Harvey, tanto faz lembrar singer-songwriters como Sheryl Crow e Amy Macdonald, como se atira a momentos rock mais raçudos, quase raivosos. Os seus esforços nobres esbarram, contudo, no desconhecimento do público (teria feito mais sentido, talvez, promover Kurt Vile ao palco principal?), e a visita da señorita Makovski não constará do álbum de grandes recordações de Paredes de Coura, colheita 2011. 21h15 Ouvimos ao longe os Viva Brother e julgamos que os ingleses estão a tocar para uma enorme plateia de entusiastas. Mas quando nos aproximamos do palco secundário, percebemos que, na verdade, há poucas dezenas de espetadores agregados lá à frente. Até a zona da restauração, que circunda este palco, está deserta. Efeitos do último dia de festival, ou da presença dos heróis da rádio Two Door Cinema Club no palco principal, à mesma hora, tocando para uma imensa maioria. O grupo de Slough, em Inglaterra, mostra contudo uma capacidade notável de ignorar a fraca afluência à sua estreia em Portugal, debitando canções de refrões insuflados, feitos para ecoar em concertos de estádio, como se as estivesse a tocar para milhares de pessoas. Com confiança e contentamento (e os Oasis e os Kasabian algures no coração), os Viva Brother - que começaram por chamar-se Brother, antes de serem obrigados a mudar de nome - misturaram riffs abluesados e muitas pontas soltas da britpop dos anos 90 numa atuação de coragem, que quase nos convencia que o concerto não estava quase vazio de público.
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22h23 - Não sabemos quando e como os Two Door Cinema Club se tornaram tão valente sucesso entre os portugueses, mas a surpresa foi grande quando vimos uma verdadeira multidão a celebrar e cantar as letras das canções do trio (transformado em quarteto no palco) irlandês. Isto apesar de terem concorrido com o jogo de futebol exibido nas televisões de um dos parceiros de media do festival. Embora tenham guardado os maiores trunfos para o fim - a simpática "Come Back Home" e "I Can Talk" (o sucesso que deu música a uma campanha publicitária da TMN) fizeram as delícias de Paredes de Coura - as reações acaloradas sucederam-se ao som dos ritmos gingões de temas como "Do You Want It All" ou "This is the Life", que ora nos fazem lembrar os Killers ora trazem à memória os Bloc Party. "É a nossa segunda vez em Portugal. Estivemos há uns meses em Lisboa", diz às tantas um dos elementos da banda, perguntando de seguida quem teria estado nesse concerto: "Parecem-me demasiados. Estava lá menos gente". Depois de apresentarem uma "canção de verão" ("Something Good Can Work"), o trio resolveu ainda oferecer um presente ao público de Paredes de Coura. "Temos trabalhado muito e escrito muitas canções novas", disse o vocalista Alex Trimble antes de partir para o tema novo "Sleep Alone". No palco secundário, a dupla californiana No Age descarregou toda a sua raiva e todo o ruído que conseguiu perante uma plateia considerável. Punk q.b., o concerto exaltou os ânimos e serviu para juntar à galeria de cromos dos crowdsurfers do festival. Provando que duas pessoas (uma na bateria e voz e outra na guitarra) conseguem fazer tanto barulho quanto um verdadeiro batalhão, Randy Randall e Dean Allan Spunt correram entre temas como "You're a Target" ou "Inflorescence" tão rápida quanto intensamente. O público não se queixou (será sede de rock ou de moche?), mas os nossos ouvidos sim.
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23h50 - Os Mogwai são uma banda capaz de ilustrar e resumir na perfeição o espírito desta edição de Paredes de Coura - a sua música não tem um apelo pop evidente, nem êxitos transversais, mas reúne muitos apreciadores; são visualmente discretos e rigorosos instrumentalmente; despertam entusiasmo nos conhecedores e curiosidade civilizada dos espetadores de ocasião. Para rematar o retrato robô, diremos podiam ter um "quartinho" na casa do rock algo matemático e geométrico que, nos últimos dias, passou pelo Alto Minho, com Battles, Trail of Dead e até Linda Martini, estes numa vertente porventura mais emocional. As músicas dos Mogwai são habitualmente desprovidas de palavra, mas o concerto, centrado sobretudo no último Hardcore Will Never Die, But You Will, comunica com o público, parte de pé, parte sentado (e salientemos o luxo que é poder assistir a um espetáculo rock, ao ar livre, em qualquer destas posições e sem perturbar o vizinho - abençoado anfiteatro inclinado). Os espetadores, dizíamos, encontram espaço para intervir nas inflexões características do pós-rock (a dinâmica do "vai acima, vai abaixo", como diria um velho decano do jornalismo musical). Entre os temas de Hardcore..., como "White Noise", "How To Be a Werewolf" ou "Mexican Grand Prix", os Mogwai vão também recordando o disco de 2003 (Happy Songs For Happy People), com "Killing All The Flies" e "Hunted By a Freak"), ou o clássico de 1997, "Mogwai Fear Satan", que encerra a contenda. O menu, de 10 longas músicas, é temperado por frugais mas simpáticos "thank yous", "cheers" e "obrigados". Curiosamente, só no final do concerto - e só porque Stuart Braithwaithe nos recorda com elegância esse episódio - é que nos lembrámos que os Mogwai já tinham estado em Paredes de Coura, em 1999. "Mas desta vez foi mais divertido", disse o mentor da banda. Pudera: há 12 anos, os escoceses foram apupados pelos fãs dos Guano Apes, ansiosos pela chegada dos alemães. Não são raras as vezes em que, relatando as novidades dos festivais, nos sentimos uns verdadeiros velhos do Restelo, mas desta vez há que dar, com todo o gosto, a mão à palmatória: em Paredes de Coura, as coisas mudaram muito, mas para melhor. O público deste ano, quer-nos parecer, seria incapaz de correr com qualquer artista do palco, e mesmo aqueles que não gostaram especialmente da densidade dos Mogwai - "Isto podia ser melhor. Não sei como, mas podia", ouvimos atrás de nós - respeitaram a fruição do concerto pelos seus fãs, numa mostra de maturidade. Numa das edições de Paredes de Coura mais felizes de que temos memória, a parede de guitarras dos Mogwai foi constantemente empurrada para a frente da batalha pela bateria de Martin Bulloch, ocupando-se os nativos de Glasgow a procurar a beleza na agressividade, a equilibrar os momentos de contenção e libertação e a dar um concerto panorâmico, quase sereno, onde os teclados e as vozes processadas também tiveram lugar. O povo gostou e encontra-se agora a partir a louça toda com os Death From Above 1979.

Todos os dias do festival, na sua 19ª edição, tiveram uma ótima casa

Há quem, para dormir, precise apenas de um espacinho e alguma concentração...
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Festival Paredes de Coura

01h25 - A dupla canadiana Death From Above 1979 acabou de dar aos festivaleiros de Paredes de Coura exatamente aquilo que queriam: uma explosão de energia fácil de converter em mosh. O pó levantado em apenas uma hora de concerto valeu por todos os dias de festival, com Jesse F. Keeler e Sebastien Grainger a debitar a totalidade do seu repertório musical, ou seja, as canções de You're a Woman, I'm a Machine e do EP Heads Up. Visivelmente bem-disposto, Grainger, por trás da sua franja descolorada, agradeceu o facto de a dupla ser recebida com tanto fervor e avisou alguns dos festivaleiros mais exaltados: "Não façam mal às meninas ou eu vou aí abaixo e violo-vos". O vocalista e baterista, que foi variando entre o registo grito (Axl Rose não desdenharia os seus pulmões) e o registo vómito, recordou também o concerto da dupla naquele mesmo palco em 2005. A dupla de força baixo/bateria atirou-se sem reservas a "Too Much Love", "You're a Woman, I'm a Machine" e "Black History Month", com o baixo elétrico de Keeler a oferecer combustível para a bateria de Grainger pegar fogo. E pegou bem. Grainger foi, de resto, o grande elo de ligação entre o palco e a plateia, agradecendo várias vezes (algo confuso com o obrigado e o obrigada) o facto de estarem a ser tão bem recebidos. Entre cumprimentos às outras bandas (especialmente aos Mogwai - referência também aos No Age, a cujo concerto assistiram), o músico explicou que o facto de a banda só ter um álbum fez com que tivesse tido especial cuidado em dar tudo de si para justificar o encerramento do cartaz do palco principal neste último dia de festival. Ao fim de uma hora, e visivelmente cansados, os dois músicos abandonaram o palco depois de servir "Do It!". Rapidamente o público pediu mais e Keeler regressou com o discurso bem preparado: "Só temos mais duas canções... E com isto quero dizer que só escrevemos mais duas canções além daquelas que tocámos", acrescentando de seguida que ninguém quer vê-los a improvisar portanto o fim estava marcado. E o que se seguiu foi, em modo corrido, "If We Don't Make It, We'll Fake It" e "Losing Friends". E a festa está bem perto do fim, com os Orelha Negra e Terry Hooligan vs Rico Tubbs a levarem-na a bom porto noite dento. Textos de Lia Pereira e Mário Rui Vieira Fotos de Rita Carmo/Espanta Espíritos