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Para os Prodigy 'fucking' é vírgula e dar concertos incendiários é fácil

Banda britânica ligada à corrente remata com fervor segundo dia do NOS Alive no palco principal - e o povo retribui.

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Aparentemente é tudo fácil: a base eletrónica já está artilhada e pronta a disparar, depois é uma questão de criar camadas de electricidade por cima e instigar a motricidade nos convivas. Mas é difícil, porque cada canção dos Prodigy parece feita a pensar na forma como vai acionar os sensores certos do lado de cá do palco, tão certeira que é - vinda dos pastilhados anos 90 ou dos não menos químicos anos 10 do 21º século - no desencadear de dança frenética. Não basta pensar bem, é preciso executar a contento e isso não é feito que se consiga do pé para a mão. Os Prodigy, vénia, andam nisto desde 1990 e já tocaram em quase tudo quanto é festival de grande porte em Portugal - em nenhuma ocasião, que nos recordemos, se ouviu falar em "concerto mortiço", "banda cansada" ou "estes tipos já foram". O som dos Prodigy é, arriscamos dizer, tão monolítico como o dos AC/DC. É uma fórmula, um truque, uma marca registada. Infalível. E quem começa com "Breathe", glória de The Fat of the Land, santo ano de 1997, sabe que tem bolas de reserva para mais uma partida supersónica de matraquilhos. Continuemos a gabar-lhes a autoconfiança: quem, à quinta canção do alinhamento - pouco mais de um quarto de hora passado sobre o início da atuação - já debitou "Breathe", "Omen" (saído do álbum da recuperação de prestígio, Invaders Must Die, de 2009) e "Firestarter" (outra vez 1997) sabe que vai ter o povo na mão até ao fim. O aparato de palco é quase nebuloso na memória: vemos luzes a piscar intermitentemente num misto de transe com limpeza cerebral (nem os ecrãs laterais ajudam a que se perceba, de forma clara, que há uma banda e não uma ceifeira debulhadora pastilhada em palco). Keith Flint mexe-se como se tivesse 20 anos - fará 46 no outono - e a comunicação entre músicas fica a cargo deste e de Maxim: ouvem-se mais "fucking" por metro quadrado do que num jogo entre o Milwall e o West Ham; são essas as vírgulas desta gente que este ano lançou um álbum - The Day Is My Enemy - a que a Kerrang! (sim, a revista heavy metal inglesa) deu 5 estrelas. Nesta máquina triturada entra metal, sim senhor, nos entrefolhos de um reabilitado breakbeat. Perto do final, passagem esperada por "Smack My Bitch Up", mais um terramoto destes Prodigy super-funcionais, capazes de urdir, 25 anos depois, uma música tão direta e quase punk como "Rok-Weiler" ou uma hábil "Roadblox" (tudo matéria-prima recentemente adquirida, vide álbum de 2015). Capazes, enfim, de cumprir a função: atear o fogo. Texto: Luís Guerra Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos