Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Notícias

Os Ride voltaram a mergulhar no NOS Primavera Sound, o público ainda vai a tempo

Deserção de parte substancial do público para outras paragens não impediu que a regressada banda inglesa desse um concerto impoluto, celebrando património tão valioso quanto a britpop não chegará a ser.

Ride
1 / 18

Ride

Ride
2 / 18

Ride

Ride
3 / 18

Ride

Ride
4 / 18

Ride

Ride
5 / 18

Ride

Ride
6 / 18

Ride

Ride
7 / 18

Ride

Ride
8 / 18

Ride

Ride
9 / 18

Ride

Ride
10 / 18

Ride

Ride
11 / 18

Ride

Ride
12 / 18

Ride

Ride
13 / 18

Ride

Ride
14 / 18

Ride

Ride
15 / 18

Ride

Ride
16 / 18

Ride

Ride
17 / 18

Ride

Ride
18 / 18

Ride

Sim, é verdade que os Ride não são a banda pop/rock inglesa mais memorável nos anos 90 (Blur, anyone?), nem sequer a sumidade shoegazing que os afectos do revivalismo se aprestam a comemorar (sai My Bloody Valentine?) e, talvez por isso, pudessem ter tocado num palco menos avantajado do que o gigante espaço onde - em hora de ponta - se apresentaram no NOS Primavera Sound. É também verdade que os ingleses são muito mais queridos em Espanha, país de onde é originário este festival, do que no extremo oeste da Península Ibérica. É uma questão de apetite: Paul Weller, majestade mod e pub rock, é uma estrela no país vizinho, aqui passaria por turista na baixa da Invicta. Comenta-se com o parceiro do lado que, no ano da graça de 2015, um palco desmesuradamente "grande" faz cada vez menos sentido num festival multifacetado, a não ser que a aposta recaia numa banda de legado incontestável e aclamação popular insuspeita - mas Rolling Stones e U2 não pertencem a este campeonato. Imaginamos umas Ex Hex, excitante trio rock feminino, a triunfar no grande anfiteatro do Parque da Cidade? Claro que não. Seriam capaz de dar um enorme concerto no mais acolhedor palco Pitchfork? Claro que sim - e isto aconteceu hoje, enquanto Death Cab For Cutie e Einsturzende Neubauten espraiavam a sua música em espaços mais largos. Tudo isto para chegar onde? Parecendo, à distância, fiasco ou aposta furada, o concerto dos Ride no palco principal do NOS Primavera Sound seria um estrondo num recanto mais apropriado à verdadeira dimensão da banda entre nós. Quem se chegou à frente, ultrapassando clareiras amigas do convívio selfie ou do santo sono em relva estendido, viu o que interessa: uma banda completamente compenetrada, capaz de devolver à multidão rarefeita uma massa sonora envolvente (chama-se shoegazing) e, ao mesmo tempo, tremendamente definida. As guitarras de Andy Bell e Mark Gardener soaram cristalinas; as harmonias vocais não falharam um milímetro, o potencial sonhador de "Leave Them All Behind" (abertura estupenda de Going Blank Again e certeira canção de arranque nesta noite) ou "Drive Blind" (penúltima entrada num alinhamento naturalmente "best of") sai reforçado por uma coesão que, decerto, os Ride não possuiriam quando, no final dos anos 90, decidiram encomendar a alma ao criador. Menos ligados ao prazer do trovão, do magma sonoro, e mais à candura de uma jangle-pop espectral, os Ride são uma banda de pinceladas, não de efeitos flagrantes - no limite, soariam igualmente perfeitos se todos os instrumentos se desligassem e ficassem apenas as vozes de Bell e Gardener, habilmente combinadas, a ecoar. À frente de um fundo onde se leu apenas "RIDE", em maiúsculas confiantes, os Ride soam tão bem em 2015 como qualquer banda altamente promissora nascida no mesmo ano e que se diga influenciada pelos - isso mesmo - Ride, essa gente de Oxford que ainda faz sonhar e que, antecedendo a era britpop, lhe foi consideravelmente superior. Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos