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Os Pixies estão de volta a Portugal? Tudo indica que sim. Relembre aqui o último concerto no Coliseu dos Recreios

A banda de Black Francis é cabeça de cartaz do Bilbao BBK, um festival que partilha parte substancial do seu cartaz com o NOS Alive. Recorde aqui o concerto de Lisboa, há dois anos.

Os Pixies são cabeças de cartaz confirmados para o festival espanhol Bilbao BBK, que se realiza nos dias 7, 8 e 9 de julho, os mesmos do NOS Alive'16 - recorde-se que M83, também anunciados para o festival espanhol, foram ontem confirmados no elenco do evento de Algés. Em 2013, os Pixies davam o primeiro concerto em Portugal depois da edição de Indie Cindy, que quebrou 23 anos de silêncio editorial no que a álbuns de originais diz respeito. Davam também o primeiro concerto no Coliseu lisboeta deste o mítico concerto de junho de 1991. Recordamos aqui a reportagem BLITZ de um concerto que contou com a baixista Kim Shattuck no lugar de Kim Deal (mudança de pouca dura, já que Shattuck seria substituída pouco depois por Paz Lenchantin). As fotos são de Rita Carmo, o texto assinado por Luís Guerra.
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"São 11 e 25 da noite, Cardozo marcou três e Luisão já resolveu a contenda. Noutro mundo igualmente irreal, três cavalheiros e uma dama de meia idade são portal de alienação para três mil pessoas de idades variáveis (mas sobretudo maiores de 30 e picos). Três mil inquietas pessoas sedentas de um ajuste de contas com uma banda que ao regressar, adulta, dividiu uma outrora jovem audiência devota. "Se isto já não bater da mesma maneira, a culpa será minha ou deles?" é pergunta que, sob esta ou outra formulação, qualquer fã dos Pixies já terá feito a si próprio. Em 2006, junto ao Tejo e em salão (demasiado?) avantajado, a culpa terá sido deles. Hoje a história será outra. São 11 e 25 da noite e os Pixies já desenrolaram um alinhamento superpovoado, com uma generosidade que qualquer curioso das "setlists" já havia confirmado. Para que numa só noite, Black Francis, Joey Santiago, David Lovering e Kim Shattuck (substituta de Kim Deal) aviem aproximadamente uma trintena de canções, não há tempo para hesitações, "show off" ou cerimónias. Seja em toada surf-rock ou despacho hardcore puro e duro, o acervo Pixies é entregue sem pausas, como se a construção fosse una, indivisível, espartilhada apenas por capricho. Uma hora e vinte e cinco minutos depois de "Planet of Sound" se fazer ouvir (e com ela, um ruído dos "antigos", de Coliseu cheio, de ânsias primeiras), há um homem que levanta a muleta em êxtase, uma criança que se empoleira nas costas dos pais, um fumador furtivo que fecha os olhos letargicamente, mãos no ar - bem abertas - a sinalizar o que desassombradamente será designado, doravante, como alegria. À nossa frente estão, nunca desavergonhadamente iluminados, os quatro obreiros de uma noite de reavivar de memórias cumprida sem mácula. Agradecem, despedem-se, escondem-se momentaneamente para ouvir o "trovão" (entenda-se: pedido de encore). Prolongam-se os "uhuh" de "Where Is My Mind", exulta-se com um regresso breve, mas sublinhado. Sequência final: "Hey", "Caribou", "Gouge Away". Para trás, um permanente jogo de comparações com 1991 - quem já cá esteve, acerta as marcações. Intromissões escusadas nessa reconstituição de factos e ocorrências: a safra recente - de "Bag Boy" a "Indie Cindy" - é desgraçadamente olvidável (e ninguém está aqui por causa dela). "Wave of Mutilation", "Alec Eiffel", "Debaser" colocam os pontos nos is; se a ideia é reviver a "era dourada", os artistas são exímios no decalque. A guitarra surf rock de Santiago é teleguiada, infalível, elemento fervilhante de um aparato sonoro que tem no baixo subterrâneo (Shattuck, "criada francesa" ao seu dispôr) a sua argamassa. Atrás, Lovering açoita as peles sem deslize; à frente, Black Francis mostra que ainda é capaz de cantar depois de bramir (e vice-versa). "I Bleed", "Tony's Theme", "Break My Body" - mesmo o que não foi "hit" é recebido de braços abertos. Curiosamente (ou não!), a sobre-exposta "Here Comes Your Man" - guitarra límpida e o "so long, so long" feminino a ser devolvido para parecer cantado pela outra (foi só fechar os olhos, não foi?) - é encaixada com "fair play", mas sem frenesim (excepção feita aos omnipresentes telemóveis em riste). Mais setas diretas ao coração: "Bone Machine", "Subbacultcha" e, sem interrupções, uma "Monkey Gone to Heaven" a provocar arrepio coletivo. Coliseu cheio como um ovo, aquela sensação de se estar a viver, em tempo real, aquele momento de um concerto rock. Alegria. Nunca nos fartaremos de trepidação semelhante. "Crackity Jones", "U Mass", "I've Been Tired", "Tame", "Ed Is Dead"... A guitarra de Santiago é uma enguia gigante. "Nimrod Son", "Holiday Song", "Where Is My Mind" (outro cume) e até já que ainda há um encore. São 11 e 25 da noite e os Pixies vão voltar ao palco para mais três canções e uma saída de palco sem despedidas, abraços ou beijos. Está tudo na nossa cabeça e assim é que é bom."