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Ornette Coleman: o adeus do libertador do jazz, aos 86 anos

Inovador profundo da linguagem do jazz, o saxofonista Ornette Coleman foi, ao lado de outros "monstros" como Miles Davis e John Coltrane, um dos grandes pilares das revoluções operadas no género na década de 60.

Ornette Coleman faleceu hoje em Manhattan, Nova Iorque, vítima de ataque de coração. Reconhecido saxofonista e compositor, Coleman contava 85 anos. Gigante do jazz, o músico soube no entanto estender-se para lá desta linguagem tendo ao longo dos anos colaborado com gente como Lou Reed, Yoko Ono ou até Jerry Garcia, dos Grateful Dead. Reconhecido como saxofonista alto, Ornette Coleman, que nasceu em Fort Worth, no Texas, tocou no entanto outros instrumentos, como o violino, trompete ou piano, sinal claro do seu espírito irrequieto e de uma nunca disfarçada vontade de quebrar regras. Basta atentar aos títulos dos discos que gravou entre finais dos anos 50 e inícios dos anos 60, para perceber que Ornette andava em busca de uma nova forma de pensar e de agir no jazz: Something Else!!!, Tomorrow is the Question!, The Shape of Jazz to Come, Change of the Century e, sobretudo, Free Jazz indiciavam a busca de novas sonoridades, mais libertas da ditadura da harmonia e estrutura rítmica tradicionais. Free Jazz acabou mesmo por baptizar todo um movimento que ecoou outras mudanças libertárias na sociedade afro-americana dos anos 60, a braços com o Movimento dos Direitos Civis e as radicais transformações políticas profetizadas por dirigentes como Martin Luther King ou Malcolm X. A acompanhar os seus novos discursos musicais havia também um sólido discurso intelectual que lhe valeu uma justa reputação de filósofo do jazz. Esta sólida carreira foi distinguida com um Pulitzer em 2005, atribuído ao seu álbum Sound Grammar, e também, dois anos mais tarde, um Grammy atribuído pelo conjunto da sua carreira. Rui Miguel Abreu