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Organização de Glastonbury comenta petição anti-Kanye West: 'Escolhemos os melhores músicos'

Emily Eavis defende a presença no evento de uma das "maiores estrelas do mundo". 100 mil pessoas já assinaram a petição.

Emily Eavis, filha do fundador do festival de Glastonbury, Michael Eavis, escreveu um artigo no jornal The Guardian, comentando a petição online que defende que Kanye West seja removido do cartaz do evento britânico. "Sempre que anunciamos quem vai tocar há queixumes e, por vezes, indignação. Já estamos habituados. Aconteceu com o Jay-Z, a Beyoncé, os Metallica e muitos outros. Até em 1984 aconteceu, porque contratámos os Smiths e as pessoas queriam os Hawkwind outra vez". Emily Eavis explica que, em circunstâncias normais, não comentaria a petição mas, dada a cobertura mediática dada à mesma, decidiu fazê-lo.  Argumentando que Glastonbury é um festival de arte contemporânea, englobando música, teatro e circo, além de debate político e ecológico, Emily Eavis acredita que "as pessoas que vêm cá têm, esperamos nós, uma mente aberta". "Penso que, este ano, o assunto não devia ser: porque é que o Kanye West vem, mas sim 'não é espetacular que ele venha?'. Uma das maiores estrelas do mundo e uma lenda da música, sempre interessante, nunca aborrecido. Aceitou tocar num festival onde os cabeças de cartaz recebem uma porção do seu cachê habitual, sendo o restante doado à Oxfam, à Greenpeace e a centenas de outras causas nobres". "Dizer que os nossos cabeças de cartaz devem ser rock é, creio eu, um pouco tolo. Sempre tivemos artistas como Stevie Wonder, The Prodigy, Curtis Mayfield, Chemical Brothers, Jay Z, Gorillaz ou Beyoncé". "Vi pessoas a dizer que o Kanye não deve vir porque não é um modelo positivo ou porque é demasiado convencido. Escolhemos os melhores e mais desafiantes músicos no planeta, não lhes aplicámos um qualquer teste de moral". Emily Eavis salienta ainda que, das 100 mil pessoas que já assinaram a petição, muitas não são detentoras de bilhetes, e que a popularidade da mesma não se reflete em pedidos de reembolso. "A esmagadora maioria das 135 mil pessoas que têm bilhete não está muito preocupada com um concerto de duas horas num dos 100 palcos de um evento de cinco dias". "Em última análise, não há dúvida que temos um dos grandes artistas da sua geração como cabeça de cartaz e não nos arrependemos de o ter contratado. Como o grande Lou Reed disse sobre Kanye: ele tem mesmo muito talento. Está a tentar elevar a fasquia. Ninguém faz nada de parecido, nem sequer estão no mesmo planeta".