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Optimus Alive'12: reportagem do 3º dia (15/07), com Radiohead, The Kills e Mazzy Star, entre outros [texto + fotos]

Radiohead reis da noite - veja alinhamento. The Kills partiram a louça toda (e emocionaram-se). Mazzy Star não conseguiram convencer.

Ao terceiro e último dia de Optimus Alive'12, os Radiohead são a banda mais aguardada, não só desta jornada como, para muitos, de todo o festival. Antes dos britânicos sobem ao palco principal Dan Snaith, aka Caribou, bem como os portugueses PAUS e os ingleses The Kooks. No palco Heineken, as atenções estarão concentradas em bandas como Mazzy Star, The Kills ou Warpaint. B Fachada e Márcia são dois dos nomes fortes do Palco Optimus Clubbing. Veja abaixo os horários dos concertos e acompanhe a reportagem da BLITZ no Optimus Alive'12.

15 de julho  Palco Optimus     Radiohead [22h30]  Caribou [20h50]  The Kooks [19h35]  PAUS [18h30]

Palco Heineken      Metronomy [03h10]  The Kills [01h50]  SBTRKT [00h30]  Mazzy Star [21h30]  The Maccabees [20h20]  Warpaint [19h15]  Miles Kane [18h10]  Eli 'Paperboy' Reed [17h00]

Palco Optimus Clubbing  Seth Troxler [02h30]  Moullinex + Xinobi [01h10]  Carbone Airways [00h30]  B Fachada [21h00]  Márcia [19h40]  Best Youth [18h20]  Laia [17h00]

__________________________________________________ 18h20 - Parceiro de Alex Turner nos Last Shadow Puppets, Miles Kane mostrou-se em modo bem mais roqueiro, no Palco Heineken. O inglês que liderou os Rascals até 2009, lançando no ano passado o primeiro álbum a solo, Colour of the Trap, apresentou-se de leggings de padrão felino e muita vontade de agitar as águas calorosas, mas por enquanto calmas, do palco secundário. Há que dizer que foi bem sucedido: nas primeiras filas concentrava-se o seu "clube de fãs" português, reagindo com euforia (e alguns gritos femininos) a canções como "Quicksand" ou "My Fantasy". Há cartazes a dar as boas-vindas ao jovem cantor e guitarrista, que não tem medo de dar o litro e terminar a atuação bem transpirado, depois de mostrar os seus talentos ao serviço de temas que roçam o rock mais rasgado, algum rockabilly, psicadelismo ligeiro e até um ou outro momento mais próximo do crooning (estes sotaques britânicos, e o de Kane é pouco diferente do do colega Alex Turner, fazem maravilhas por essa elegante modalidade). Na sua estreia em Portugal Miles Kane surgiu acompanhado por uma banda, mas foi ele a grande estrela de um concerto esforçado e celebrado.
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19h20 - Foi inusitado o arranque do concerto das Warpaint no Palco Heineken: ajoelhada em palco, Theresa Wayman parecia quase estar a prolongar o soundcheck, mas na verdade a atuação das californianas, que no ano passado deram um belo espetáculo em Paredes de Coura, já tinha principiado. Neste fim de tarde, as autoras do álbum The Fool, incluído em várias listas de artistas-revelação, pareceram-nos mais desconexas, talvez menos concentradas do que no Alto Minho, no verão de 2011; o som, com algum feedback, também não ajudou o quarteto feminino, que no entanto contou com o apoio do público. "Vocês são tão espetaculares!", elogiaram as Warpaint quando o seu rock, entre o etéreo e o narcótico, começava a alastrar pela plateia, nomeadamente com "Composure" e "Undertown". Sobre este êxito das norte-americanas, provavelmente nunca saberemos o que faz nos faz, a nós, humanos, reagir com tanta empatia a certa canção (e não a outras), mas não nos cansamos de observar o fenómeno, vulgo a felicidade que se espalha na tenda quando se escutam os primeiros acordes de "Undertow". Também as vozes cruzadas e agudas de "Composure", ajudadas pelos semblantes misteriosos de Theresa, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa, dão uma aura de feitiçaria benigna às Warpaint, em cujas guitarras ouvimos, possivelmente ainda influenciados pelo concerto de ontem, uns ecos gostosos de Cure.
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Ali a dois passos, Márcia e a sua banda lutam com galhardia contra o som vindo do palco principal, produzido pelos Kooks. "Estou a ver muita gente a cantar as músicas, não estava à espera", confessa a portuguesa, cuja escrita e interpretação formosas são embelezadas, no álbum , pelos arranjos de João Paulo Feliciano e Luís Nunes, aka Walter Benjamin. O público que se concentra frente ao palco Optimus Clubbing é numeroso e apoia Márcia, aplaudindo até uma partida em falso e emprestando uma "moldura humana" confortável a um concerto em que Márcia Santos vai alternando, contente e tranquila, entre a guitarra acústica e a elétrica.
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19h56 - À hora a que a BLITZ chegou ao recinto, era notório que muito mais gente decidiu vir cedo: o concerto dos Radiohead assim o obriga, desconfiamos. A abertura do palco principal coube hoje aos portugueses Paus, que se portaram como reis perante uma plateia muito bem composta. As baterias siamesas de Hélio Morais e Quim Albergaria fizeram sucesso também entre os muitos estrangeiros que marcam lugar para os concertos que se seguem. À torreira do sol, "Mudo e Surdo" soa ainda melhor, mas os pontos altos da atuação foram mesmo um "Deixa-me Ser" dedicado ao filho de um amigo da banda (o baixista Makoto Yagyu aproveita para mergulhar na multidão) e um "Muito Mais Gente" endiabrado. Para o final, ficaram guardadas "Tronco Nu" (com a banda a apelar ao striptease) e o convite à dança de "Pelo Pulso" (e foi a vez de Hélio Morais nadar crawl nas mãos do público).
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Os britânicos Kooks causaram alguma histeria - continuam a ser muito queridos do público feminino, especialmente Luke Pritchard, o vocalista - e voltaram a trazer a sua pop soalheira até terras portuguesas. Depois do sensível "Seaside", a abrir com cheiro a tarde de verão, Pritchard tenta os seus melhores "moves like Jagger" em temas como "See the World", "Come os Over", "Sofa Song" e as suas guitarras rasgadas, ou o "She Moves in Her Own Way".
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21h30 - Tal como as Warpaint, Caribou parece entrar no concerto saído directamente do soundcheck. A música do canadiano distingue-se das dos seus camaradas das andanças eletrónicas por uma forte componente orgânica: em palco com Dan Snaith, que se encarrega de sintetizadores e, ocasionalmente, canta com voz tímida, estão três músicos (bateria, guitarra, teclas), que tocam virados uns para os outros e evidenciam grande prazer em recriar (reconstruir, até) ao vivo as canções do mais recente Swim. Somos fãs dos álbuns mas, assim sem preliminares e ainda às claras, a eletrónica vagamente cerebral - ainda que muito lúdica, basta ouvir "Odessa", "Jamelia" ou "Leave House" - não pega fogo no palco principal. Quando os sintetizadores se ouvem mais alto, ainda há quem erga braços no ar e tente uns pés de dança, mas a maioria dos espectadores parece estar apenas guardar lugar para os Radiohead e/ou a pôr a conversa em dia. "Sun", um dos adversários de Caribou neste final de tarde (fosse o concerto mais tarde e poderia ter tido outra aceitação), é uma das melhores faixas de Swim e encerrou uma atuação pouco favorecida, também, pelas parcas vocalizações e interpelações de Dan Snaith.
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22h00 - Os londrinos Maccabees foram recebidos no palco secundário por uma verdadeira enchente. Talvez porque entre Kooks e Caribou, o público tivesse resolvido mudar de ares, talvez porque a banda seja realmente um fenómeno que nos passa completamente ao lado. O rock asséptico do grupo liderada por Orlando Weeks foi saltitando entre temas mais acelerados, como "William Powers" ou "Can You Give It" (que colocou toda a gente a saltar), e canções apaixonadas, como "First Love" ou "Forever I've Known". Hope Sandoval, por seu lado, não conquistou muitos amigos entre os portugueses. Entrou muda e saiu calada do concerto dos seus Mazzy Star: se no início estava bem menos gente que nos Maccabees (já muitos marcavam lugar para assistir ao concerto dos Radiohead), no final, dizem-nos, porque já lá não estávamos, havia mais copos de cerveja vazios que pessoas a assistir à atuação. Quase sempre em contraluz, sedutora e enigmática do alto das suas botas e vestido curto, Sandoval, pandeireta na mão, passou em revista alguns dos melhores momentos dos três primeiros - e já longínquos - álbuns. Parou, obviamente, no belíssimo "Fade Into You", já o concerto ia avançado (foi a debandada geral, quando terminou aquele que é provavelmente o tema mais conhecido dos Mazzy Star), mas também se entregou ao melancólico distorcido "Disappear", aos sedutores "Halah" e "Still Cold", mais as suas explosões de guitarra. A simplicidade de "Look on Down from the Bridge" ajudou a resgatar a atenção de alguns que se haviam assustado com devaneios experimentalistas, mas o concerto dos Mazzy Star parece nunca ter entrado bem nos eixos.
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00h40 - Os Radiohead acabam de sair de palco, após um concerto triunfante. Veja aqui o alinhamento (fotos e reportagem em breve). Bloom 15 Step Morning Mr. Magpie Staircase Weird Fishes/Arpeggi The Gloaming Separator Pyramid Song I Might Be Wrong Climbing Up the Walls Nude Exit Music (for a Film) Lotus Flower There There Feral Bodysnatchers Encore: Give Up the Ghost Reckoner Lucky Paranoid Android Everything In Its Right Place (with The One I Love intro) Idioteque Encore 2: Street Spirit (Fade Out) 3h30 - Os Radiohead são um caso muito singular. Começaram por crescer pelas vias normais, através de uma sucessão de bons discos progressivamente populares, até à chegada de um álbum clássico - OK Computer, em 1997. Com este trunfo na lapela, podiam ter-se sentado à sombra da bananeira; podiam ter reproduzido a mesma fórmula vezes sem conta; podiam ter-se deixado insuflar até ao épico balofo de estádio. Ao invés disso, os ingleses parecem ter-se servido dessa aclamação generalizada como carta branca para baralhar e voltar a dar, evitando a repetição e fugindo progressivamente às convenções do rock. O público, curiosamente, não lhes virou as costas, como se comprova pela enchente desta noite - 55 mil pessoas em Algés - para ver um espetáculo em que mais de metade das canções foram gravadas depois de 1997. Nos álbuns pós-OK Computer os Radiohead enveredaram sobretudo pela eletrónica e pela experimentação, e neste momento serão uma banda eletrónica para quem não costuma ouvir eletrónica, um grupo adepto da experimentação para quem pouco se aventura, habitualmente, por tais paragens. Não que isso lhes retire qualquer mérito, pelo contrário: a forma como, esta noite, agarraram o público com um alinhamento sem cedências - ainda que com alguns bombons, já no encore, como "Lucky" ou "Street Spirit (Fade Out)" - é verdadeiramente notável e faz-nos crer que não existe, nesta escala, outra banda que com tanto sucesso abrace tudo o que o rock mais convencional rejeita. A eletrónica mais aventureira, as fronteiras entre géneros dissipadas, a própria exploração física da música, que a figura, sempre franzina, eternamente intrigante, de Thom Yorke tão bem representa. Nesta digressão do álbum The King of Limbs, os Radiohead apresentam um palco e um jogo de luzes e vídeos fascinante; nos ecrãs gigantes surgem todos os músicos (os mesmos de sempre: Yorke, Jonny e Colin Greenwood, Ed O'Brien e Phil Selway), repartidos por várias quadrículas, envoltos em luzes de uma falsa frieza e entregues com paixão à construção do concerto - é a chamada "alegria no trabalho" que transparece destas imagens, levadas até bem longe através de vários ecrãs no recinto. E não espanta que com eles, em digressão, os Radiohead tragam Caribou (cujo "Sun" hão de citar, no encore); com o canadiano os cinco de Oxford partilham não só algumas coordenadas sonoras como uma apetência por abordar cada tema como uma entidade que cresce e se metamorfoseia em tempo real. Não há, porém, ecrã gigante que substitua uma observação direta da forma como Thom Yorke se entrega em palco: pela sua dança sem freio - braços ondulantes como no vídeo de "Lotus Flower", corpo livre como poucos, obedecendo ao som - o "frontman" dos Radiohead parece, em simultâneo, exorcizar e encarnar os demónios que o animam. Difícil de explicar e certamente ainda mais complicado de fazer, acreditamos, mas quem o viu, na beira do palco, naquela espécie de pugilismo consigo mesmo, desafiando e seduzindo os admiradores, perceberá do que falamos. De tão física e total, a entrega de Thom Yorke acaba, também, por quebrar alguma da frieza que se associa aos álbuns mais recentes e cerebrais dos Radiohead; é em palco que percebemos, se calhar melhor do que em disco, que os novos rumos seguidos pela banda não lhe tiraram força, pelo contrário: perante nós temos um animal mais musculado, ginasticado, com uma ferocidade diferente e elegante, menos óbvia. Quando falámos com admiradores dos Radiohead para o artigo de capa da BLITZ deste mês, uma das opiniões unânimes era a de que, de concerto para concerto, a banda mudava considerável e surpreendentemente. Entre os últimos concertos em Portugal, os dos coliseus, e o desta noite, no Optimus Alive'12, passaram-se 10 anos, pelo que as diferenças são ainda mais gritantes. Não o suficiente, contudo, para que os Radiohead deixem de soar a Radiohead: em "Paranoid Android", provavelmente a canção mais celebrada da noite, o épico de OK Computer foi oferecido à multidão delirante numa versão bem fiel à original (detetámos um desdém dylanesco na voz de Yorke aqui e ali, mas ninguém se vai queixar disso). E, ainda que guardada para o encore, "Paranoid Android", para muitos a obra-prima dos Radiohead, não destoou de "Everything in Its Right Place", uma das amostras mais representativas da "vida nova" da banda, apresentada logo de seguida, sem sobressaltos estilísticos de maior. Talvez por gozarem de tanta liberdade e, aparentemente, não terem de prestar contas a ninguém, os Radiohead não mostram por um segundo estar entediados ou contrariados em palco (por esta altura, muitas bandas com o seu estatuto teriam já seguido projetos paralelos, voltando à casa-mãe apenas para os proverbiais trocos). Os Radiohead fazem aquilo que querem e que lhes dá prazer, e é impossível não perceber isso ao longo do concerto: "15 Step", "Weird Fishes/Arpeggi", "Pyramid Song" ("ai cum caralho!", exclamou, excitado, um fã atrás de nós, quando esta música deu à costa), "I Might Be Wrong" e, em formato dupla intimista ao piano, "Nude" e "Exit Music (for a Film)", são apenas alguns dos exemplos de uma banda em forma cintilante, capaz de contagiar o público (hoje menos disperso que ontem, quis-nos parecer) com o seu génio e o prazer que daí retira. Parcos em palavras, ouvimo-los dizer, porém, que "10 anos é muito tempo - vamos tentar que da próxima vez [o intervalo seja] menor". Anotaremos a promessa, pois se num recinto de festival (com umas gaivotas assustadas a esvoaçar, de quando em vez, o palco) o concerto correu assim, numa sala fechada a experiência poderia ser ainda mais apaixonante.
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02h53 - Pode não ter cabido aos Kills a honra de encerrar a terceira e última noite do Optimus Alive'12, mas a verdade é que o melhor do palco secundário foi mesmo guardado para o final. A dupla da agora loira descolorada, mas não menos endiabrada, Alison Mosshart e Jamie Hince arrebatou o muito público que deixou a tenda do palco Heineken a transbordar. E saíram completamente rendidos ao público português: "You guys are fucking amazing", exclamou a vocalista no final. Com um alinhamento que passou por momentos bem distintos da carreira da banda, o início com o explosivo "No Wow" deixava antever o quão bom se revelaria o concerto, não podia ter sido mais certeiro (talvez tenha faltado "Cat Claw", "Wait" ou "Fried My Little Brains", mas não se pode querer tudo). Acompanhados por dois percussionistas que ajudam a preencher ainda melhor a paleta sonora de uma das melhores bandas rock da atualidade (e enquanto Karen O não volta a dar à costa, Mosshart é a nossa vocalista favorita), os Kills fazem o que bens lhes apetece. As diabruras de Mosshart atingem o auge, curiosamente ou não, em canções do mais recente Blood Pressures, como no epilético "Heart is a Beating Drum", servido quase no início, ou nos austeros "Satellite" e "DNA". O disco de estreia esteve, no entanto, muito bem representado, com o abafado "Kissy Kissy", o impetuoso "Fuck the People" ou o encantatório "Monkey 23" (estas duas com honras de encerramento do concerto) a conquistarem bastantes aplausos. Pelo meio, ficou aquele que terá sido o ponto mais alto da atuação dos Kills. A balada "The Last Goodbye" foi interrompida pela cantora quando vê um homem desmaiado na plateia ("Desculpem, só quero ver se está tudo bem") e só retomada quando o indivíduo foi transportado pela segurança para o backstage. Do início, novamente, Mosshart diz "esta é dedicada a ele" e momentos mais tarde, visivelmente emocionada, deixa-se afagar pelas palmas e incentivos do público. "Isto é uma loucura" exclama, antes de ser abraçada pelo companheiro, também visivelmente satisfeito pelos mimos da plateia. Restabelecida do momento emotivo, a cantora atirou-se com força ao bombo num "Pots and Pans" que, em comunhão perfeita com os fãs, deu início à reta final do concerto. Um daqueles que ficará bem gravado no livro de memórias deste Optimus Alive'12 que agora chegou ao fim. Texto: Lia Pereira, Mário Rui Vieira Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos