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O início do fim do grunge: Andrew Wood, dos Mother Love Bone, morreu há 25 anos

Kurt Cobain não foi vítima isolada na cena de Seattle. Quatro antes da sua morte, figura de proa de banda que contava com dois futuros Pearl Jam morreu após uma overdose.

O grunge nunca foi alheio a tragédias. A mais marcante foi, evidentemente, o suicídio de Kurt Cobain, numa altura em que os Nirvana eram donos e senhores do mundo. Porém, quatro antes antes, Andrew Wood - que nos anos oitenta ajudou a impulsionar o movimento e a colocar Seattle no mapa através dos Mother Love Bone - morria após uma overdose de heroína. A perceção pública da cena a que chamaram grunge nunca mais seria a mesma. Nascido em Columbus, no estado norte-americano do Mississippi, Wood formou a sua primeira banda ainda na adolescência, com o irmão Kevin. Os Malfunkshun surgiam do gosto em comum pelos Kiss, apresentando-se em palco num estilo semelhante ao glam rock dos anos setenta, e tornaram-se conhecidos no meio pela imprevisibilidade dos seus concertos - reza a história que, uma vez, Wood parou um espetáculo a meio para comer uma tigela de cereais. Os Malfunkshun não gravaram mais que algumas maquetas, posteriormente editadas em compilações, já muito depois da morte de Andrew Wood. Os Malfunkshun dissolver-se-iam após uma jam session de Wood com Stone Gossard e Jeff Ament, mal saídos dos Green River. Daqui nasceram os Mother Love Bone, que cedo se tornaram, até pela presença e figura andrógina de Wood, numa das bandas mais promissoras de Seattle. Em 1988, a banda assinaria um contrato com a Polygram, editando o seu EP de estreia, Shine, um ano depois. Composto por quatro faixas, mais uma de bónus na edição em CD, Shine é um dos marcos musicais da geração Seattle, lado a lado com Bleach, o primeiro disco dos Nirvana, Facelift, dos Alice In Chains, ou "Touch Me I'm Sick", canção "eterna" dos Mudhoney. Criado o buzz em torno de Shine, os Mother Love Bone entrariam em estúdio nesse mesmo ano para gravar Apple, disco de estreia e único registo de longa-duração da banda. Seria editado em 1990, meros dias após Wood ter sofrido uma overdose de heroína e passado três dias em coma, falecendo pouco depois, numa altura em que dos Mother Love Bone se dizia estarem prestes a tornar-se muito grandes. Não o chegaram a concretizar, esbarrando, infelizmente, na morte do seu vocalista. Mas o seu legado é grande: Chris Cornell, antigo colega de casa de Wood, formaria, pouco tempo após a morte deste, uma banda em jeito de tributo à qual chamou Temple of the Dog e da qual faziam parte Chris Cornell, Stone Gossard, Jeff Ament, Mike McCready, Matt Cameron e um jovem então a iniciar-se musicalmente que dava pelo nome de... Eddie Vedder. Veja o vídeo de "Stardog Champion", dos Mother Love Bone:
Foto: DR