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NOS Primavera Sound: A estreia tardia dos Death Cab For Cutie

A banda de Ben Gibbard devia ter tocado no Primavera Sound há três anos. "But some shit went down", explicaram, e o encontro com os fãs portugueses deu-se esta noite.

Lembramo-nos como se tivesse sido, mais coisa menos coisa, há três anos: na primeira edição do Primavera Sound em Portugal, a chuva caiu com alguma insistência e os Death Cab For Cutie, por motivos técnicos nunca exaustivamente explicados, cancelaram o concerto. A banda nunca tinha tocado no nosso país e o desconsolo dos fãs foi visível, e audível. Três anos mais tarde, os norte-americanos já têm mais um álbum editado - Kintsugi, deste ano - e menos um membro, o guitarrista Chris Walla, que abandonou o barco em 2014. O concerto no palco Super Bock foi, ainda assim, o primeiro em Portugal, país onde Ben Gibbard se disse muito entusiasmado por estar a tocar. "Andamos por cá há uma semana, a passear de carro", confidenciou. A ideia de um grupo de cinco amigos americanos a viajar de carro pela ponta mais ocidental da Europa assenta bem à música que os Death Cab For Cutie produzem e aqui apresentaram esta noite: um nadinha escapista e sonhadora, um nadinha épica, com a voz do amigo de Mark Kozelek ("Ben's My Friend", cantou ele, ainda ontem à noite) a comandar com meiguice as tropas de Bellingham, Washington. É refrescante que, num espaço de poucos metros, encontremos festivaleiros a cantar estas canções de bom feitio e outros que acompanham sem hesitar as retorcidas aventuras dos Einstürzende Neubauten. Nota-se à légua, e também com a ajuda dos ecrãs gigantes, que as canções dos Death Cab For Cutie estão alojadas na memória afetiva dos fãs das primeiras filas; no nosso entender, o concerto valeu sobretudo pela forma como a chegada de "Crooked Teeth", "Doors Unlocked and Open", "Grapevine Fires", "Black Sun", "Little Wanderer" (com o seu baixo à New Order) e sobretudo "The New Year", amplamente festejada, matou a sede destes mesmos admiradores de cantarem alto e bom som os hinos indie que há tanto os acompanham. Perto do adeus, o impacto de "Transatlantiscism", tema-título do álbum de 2003, confirmou as nossas suspeitas: tivesse o cruzeiro dos Death Cab For Cutie atravessado o Atlântico mais cedo e o concerto poderia ter apaixonado mais do que os convertidos. Ainda assim, nada a apontar à honestidade e ao empenho dos rapazes que tocaram metade do espetáculo à mesma hora que os Einstürzende Neubauten. Lia Pereira