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NOS Alive'15: Sleaford Mods carregam no 'play' e depois fazem 'boom'

Duo inglês não precisou de muitos meios para agitar o palco secundário do NOS Alive. Andrew Fearn carregou nos botões do laptop, Jason Williamson cantou. Com raiva.

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É uma mistura bizarra. O som é devedor do pós-punk nervoso, propulsionado por um baixo trepidante e riffs de guitarra minimais e cortantes. A voz é uma metralhadora de raiva 'working class', 'boredom' e rispidez punk. Em palco, a música está guardada num laptop. Andrew Fearn carrega no botão de play do computador portátil e Jason Williamson desata a debitar palavra atrás de palavra como uma metralhadora. Os Sleaford Mods são flagrantemente brit e têm dentro deles a raiva do punk e um gosto desmesurado por lager, lager, lager, ainda que Jason - em abstinência - se faça acompanhar de uma garrafa de água em que mal toca. Andrew, por sua vez, está feliz da vida com a tarefa que lhe foi confiada. Bebe uma pint, fuma e balança o corpo fitando o público curioso. Carrega no play, fuma, dá um trago, carrega no play, fuma, dá um trago. No fim, pergunta se alguém tem erva - e sim, alguém tem erva mas guarda-a para si que a vida está cara. Rapidamente se percebe que este é o show de Jason, desconchavado showman com uma tendência (obsessivo-compulsiva?) para acompanhar o seu intenso verbalizar (em jeito rap, sem cantoria) com vários tiques: primeiro sacode a cabeça com uma mão, depois leva a mesma mão ao nariz, por fim esconde-e atrás das costas. É uma rotina desconcertante.. Anda simiescamente e, ocasionalmente, limpa no polo que veste o suor vertido pela intensidade da entrega. Parece que reclama a inocência numa briga de bar, acabando a sovar toda a gente. Ouvem-se "Jolly Fuckers", "Tied Up In Notts" e todas as outras que fizeram de 'Divide and Exit' um dos álbuns britânicos mais estimados de 2014. Não é espetáculo para fim de tarde nem para espaço aberto - pede uma noite difícil numa cave bafienta, com o perigo à espreita. Fica mais a forma do que o conteúdo. Não se perde tudo. Texto: Luís Guerra Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos