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NOS Alive'15: a calma de James Blake cala a histeria dos Prodigy

Impávido e sereno, músico britânico ofereceu concerto sem tempos mortos e deixou ainda mais evidente a urgência de um espetáculo em nome próprio.

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"É bom estar de volta", declara James Blake pouco depois de subir ao palco Heineken, lugar onde já foi feliz no passado (e onde voltou a ser feliz hoje). Munido de um alinhamento certeiro, o músico londrino conseguiu fazer com que mesmo as suas canções mais introspetivas abafassem a loucura que os Prodigy imprimiram ao seu concerto no palco principal.

Com "I Never Learnt to Share" servido logo a abrir, Blake encara a multidão de frente e mergulha em auto-samplings que pintam a música com camadas infindáveis de loops. A solenidade de "Limit to Your Love", mais as suas teclas hipnóticas e voz em câmara lenta, arrancam o primeiro coro afinadinho do público, que explode de emoção quando uma pausa dramática marca a passagem para os ritmos trip-hop que intensificam o momento. "Este gajo parece o James Blake, man", ouvimos ao nosso lado. É verdade, parece mesmo.

"Lindesfarne II" surge vinda do fundo de um poço diretamente para os nossos ouvidos, num instante que só não é perfeito porque em nosso redor há toda uma panóplia de conversas cruzadas, rituais de engate, selfies e outras distrações. "Life Round Here", um dos temas mais excitantes de Overgrown, o segundo álbum de Blake, cola com o expansivo "Digital Lion" e as deambulações dançáveis de "Voyeur" para uma sequência certeira.

Para o final de um concerto curto mas intenso - para quando um espetáculo em nome próprio? - ficam guardadas as jóias "Retrograde", em lume brando, e "The Wilhelm Scream". De volta à realidade, depois da magia que escorregou do palco na voz de Blake, somos acordados por uma exclamação a plenos pulmões: "é só betas. Isto parece o Tamariz". Foi ela quem disse. Nós só ouvimos.

Texto: Mário Rui Vieira

Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos