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Não haverá pulseira identificativa para se poder adquirir bebidas no NOS Alive

O promotor do festival de Algés afirmou que a postura face à lei será idêntica a edições anteriores, não obstante ter entrado recentemente em vigor um diploma que proíbe, indiferenciadamente, a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos.

De acordo com Álvaro Covões, diretor-geral da empresa que organiza o NOS Alive (a Everything Is New), a postura será idêntica a edições anteriores do festival de Algés no cumprimento da lei, não havendo qualquer pulseira identificativa para se poder adquirir bebidas. Recorde-se que o novo diploma vem acabar com a diferenciação entre as bebidas espirituosas, permitidas a partir dos 18 anos, e as restantes (vinho e cerveja), que podiam até aqui ser consumidas a partir dos 16 anos. Em declarações à Lusa, Covões refere que implementar a colocação de pulseiras "é discriminar". O organizador do NOS Alive - festival que decorre de quinta-feira a sábado no Passeio Marítimo de Algés - acrescenta ainda que é "muito difícil controlar" quem e com que idade consome álcool no festival e considerou residual o número de atendimentos médicos de espectadores alcoolizados. Outros festivais rumarão, tudo o indica, noutro sentido. À Lusa, Luís Montez, promotor da Música no Coração, afirmou que nos festivais Super Bock Super Rock, em julho em Lisboa, e no Meo Sudoeste, em agosto na Zambujeira do Mar, será implementado o sistema de pulseiras a atribuir a quem tenha mais de 18 anos, para que possa comprar bebidas alcoólicas. Trata-se de um sistema utilizado, por exemplo, nos Estados Unidos, onde na maior parte dos estados apenas é permitida a venda de bebidas alcoólicas a maiores de 21 anos. Sem adiantar muitos pormenores, Luís Montez explicou que, no recinto dos festivais que organiza, existirão pontos de colocação de pulseiras, mediante apresentação de identificação dos consumidores. "Vamos cumprir a lei, claro", disse Luís Montez, referindo que para aqueles dois festivais, a promotora articulou-se com a principal patrocinadora, uma marca de cervejas. A norte, no festival Vodafone Paredes de Coura, o promotor João Carvalho explicou que ainda está a ser afinado o método a utilizar no recinto. De acordo com o promotor, ou será criada uma pulseira a atribuir a quem tem menos de 18 anos ou a organização recorrerá à identificação com cartão do cidadão. "A verdade é que o Paredes de Coura não tem assim tanta gente com menos de 18 anos, mas a lei é para cumprir", disse. Para a Associação Portuguesa de Produtores de Cerveja, cabe a cada promotor ou a qualquer outro "interveniente no processo de venda a clientes finais" tomarem as "medidas preventivas que entenderem adequadas, nomeadamente formação profissional, para evitar a venda de álcool a menores. Numa declaração enviada à Lusa, a associação volta a dizer que a alteração da lei foi precipitada. "Não é indiferente um jovem de 16 ou de 18 anos iniciar-se através do consumo de uma cerveja com quatro ou cinco graus de álcool ou começar por ingerir bebidas de forte conteúdo alcoólico", afirma a representante das cervejeiras. Segundo a associação, a fiscalização da venda e consumo de bebidas alcoólicas a menores depende "da vontade das entidades fiscalizadoras a efetuarem ou não". Contactada pela Lusa, Ana Oliveira, inspetora chefe da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), explicou que "durante as épocas festivas, nomeadamente festivais de verão", há habitualmente um "reforço de fiscalização" e um ajustamento das equipas de inspetores, sem, contudo, especificar quantos elementos farão essa inspeção. "A falta de afixação de aviso de forma visível, com a menção de proibição" e o incumprimento dos requisitos em relação aos avisos, são duas das infrações mais comuns, referiu a mesma fonte. A ASAE considera que a fiscalização feita nos locais de venda é "determinante no controlo do consumo de álcool" pelos adolescentes. Com Lusa