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Na sombra do lobo: Wolfheart, dos Moonspell, faz hoje 20 anos

Disco marcou a primeira vez que uma banda portuguesa de heavy metal foi editada internacionalmente em formato de longa-duração.

Faz hoje precisamente 20 anos que os Moonspell lançaram o seu primeiro longa-duração, Wolfheart, disco em que começaram a trilhar a sua própria sonoridade, aliando uma raiz black metal - tipificada em maquetas anteriores como Anno Satanae e até mesmo no EP de estreia, Under The Moonspell - a paisagens mais góticas e, até, mediterrânicas; Wolfheart era um disco de heavy metal português e não apenas no sentido topológico - "Trebaruna" e "Ataegina", inspiradas em divindades da mitologia lusitana, a isso atestam.
Vinte anos depois, é impossível negar a importância de Wolfheart no panorama metálico nacional, ele que foi o primeiro disco de heavy metal made in Portugal a ser editado internacionalmente, pela Century Media, abrindo portas a muitos outros grupos que se lhes seguiram. Continua também a ser um disco importantíssimo na carreira dos próprios Moonspell: "Alma Mater", o tema que fecha o disco (excluindo "Ataegina", apenas presente na versão digipack), tem feito parte de todos, ou quase todos, os seus alinhamentos ao vivo. Produzido por Waldemar Sorychta, que conta no currículo com colaborações com os Tiamat e os Samael, Wolfheart marcou também a primeira vez que os Moonspell "sentiram o que é trabalhar num estúdio a sério com um engenheiro e técnico de som", conforme explicava à BLITZ, em maio de 1995, o vocalista Fernando Ribeiro - que, nos primórdios dos Moonspell, assinava como Langsuyar, ao bom velho jeito dos conjuntos black metal. Wolfheart é um disco, dizia, "baseado na mulher. O nome e capa representam seis lobos e reflete o posicionamento dos Moonspell em relação à mulher. Os lobos acasalam para toda a vida ou vivem solitários. E nós tentámos captar esse espírito". Basta olhar para as supracitadas "Trebaruna" e "Ataegina" e até mesmo para a ópera-gótica "Vampiria", que remetem para esse imaginário. À época, os Moonspell ainda eram vistos com desconfiança, dado terem abraçado uma filosofia baseada no satanismo - mas Wolfheart marcou o período em que começam a preferir uma abordagem mais subtil. "Não estamos a trair nada; evoluímos como indivíduos e preferimos uma maior subtileza, tanto por causa das más experiências como pela própria natureza das coisas com que lidamos", relatava Fernando Ribeiro em entrevista. De Wolfheart em diante, os Moonspell passariam por várias transformações: a abordagem definitivamente gótica de Irreligious e Sin/Pecado, a exploração do industrial em The Butterfly Effect, o peso de The Antidote e as ideias mais operáticas de Night Eternal. Agora há Extinct, o seu décimo primeiro álbum, que têm vindo a apresentar ao vivo numa digressão europeia. E pensar que tudo começou aqui...
PAC