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Musikmesse: o universo da música em Frankfurt [reportagem]

Até ao próximo sábado, Frankfurt é um dos centros do mundo no que à música diz respeito. Centenas de expositores e milhares de visitantes profissionais de todo o mundo reúnem-se para a apresentação das novidades de instrumentos e equipamentos diversos necessários para fazer música.

O Musikmesse em Frankfurt é uma espécie de salão erótico gigante para quem acha que o mais recente modelo de guitarra ou o mais evoluído sintetizador ou ainda o mais caro microfone de válvulas são artefactos excitantes. E são, de facto. Reunidos no gigantesco espaço do Musikmesse encontram-se os mais diversos fabricantes das ferramentas necessárias para que Taylor Swift ou Carlão possam fixar o seu talento e fazerem-se ouvir.

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O salão de 2015 abriu ontem as suas portas ao público profissional: agentes diversos da indústria musical - músicos, claro, mas também DJs, representantes de marcas, donos de estúdios, lojistas, distribuidores, responsáveis técnicos de estações de rádio, técnicos de som, engenheiros e jornalistas de todo o mundo - congregam-se num único espaço para verem e ouvirem as mais recentes novidades técnicas e tecnológicas do universo musical. E há uma programação pensada para manter todos os muitos milhares de visitantes interessados: mais de 1000 concertos que funcionam como demonstração dos mais variados equipamentos - pianos, guitarras, sintetizadores, mas também equipamento variado de DJ - além de workshops e sessões de autógrafos. A mais aguardada sessão de assinaturas está prevista para amanhã e decorrerá nos stands das marcas Laney e Epiphone: Tony Iommi, lendário guitarrista dos Black Sabbath, oferecerá a sua assinatura, além, certamente, de muitas oportunidades para memoráveis selfies, à multidão que acorrer à sua chamada. E será certamente numerosa já que este ano, os dois últimos dias deste certame são igualmente acessíveis ao público em geral.

Esse é, aliás, um sinal de que o Musikmesse se encontra em transformação. Fontes da organização admitiram à BLITZ que os números de visitantes têm vindo a baixar nos últimos anos, reflexo, certamente, das massivas quebras de vendas com que a indústria musical teve que se confrontar nos últimos anos. Menos discos vendidos significam menos dinheiro para investir em novas gravações e portanto menos estúdios a operarem e menos instrumentos a funcionarem. A internet e a facilidade de comunicação do presente será outro dos fatores que tornará menos fulcral a deslocação a um evento desta natureza. O Musikmesse, aliás, tem uma baixa de peso em 2015: a Fender, pela primeira vez, não está presente no evento. Trata-se de uma baixa de peso que, ainda assim, tem um impacto menos pronunciado devido ao empenho de outras marcas como a Marshall ou a Orange, a Gibson e a Ibanez, por exemplo, que trazem stands vistosos e argumentos como uma guitarra de dois milhões de dólares apresentada como a mais cara do mundo (Gibson) ou a JS25th, edição especial de aniversário de um modelo de guitarra desenhado por Joe Satriani (Ibanez). Para contrariar a tendência de queda no número de visitantes do evento, a Musikmesse anuncia que a sua edição de 2016 estará aberta ao público em geral durante toda a duração do evento o que o levará, certamente, a alterar a sua filosofia de apresentação de stands.

Há muito mais no Musikmesse do que apenas brinquedos vistosos, no entanto: há conferências, áreas para negócio puro e duro entre marcas e revendedores, entregas de prémios e até uma fantástica exposição fotográfica com um impressionante acervo da autoria de Neal Preston, um dos mais reputados fotógrafos rock do mundo. A exposição recebe o vistoso título de In The Eye of Rock'n'Roll Hurricane e inclui imagens de grandes formatos de ícones como os Rolling Stones ou Led Zeppelin, Queen e AC/DC.

Passeando pelos diversos espaços do evento são múltiplas as sensações: no hall dedicado aos diversos fabricantes e vendedores de pianos, sente-se a mesma atmosfera que deve ter dado o nome à Tin Pan Alley: uma gigantesca cacofonia resultante de muitas dezenas de pianistas a tocarem ao mesmo tempo, algo que não se sente nos espaços de música eletrónica, por exemplo, já que o que se vê são dezenas de pessoas a abanarem a cabeça de auscultadores postos.

A música está de facto a mudar: a revolução digital não impediu o renascimento do vinil, mas levou a que haja hoje em dia, através de plataformas como o soundcloud ou bandcamp, um mais directo contacto entre os artistas e o público. O mesmo poderá acontecer no universo dos instrumentos e demais tecnologia musical: um mais directo contacto com o público. Mas tal como o Spotify parece não ter representado a machadada final numa tecnologia clássica como o vinil, os mais incríveis artefactos eletrónicos da idade digital também parecem não ter arredado o público dos instrumentos reais: no próximo dia 18, a Drums4Peace vai tentar quebrar um recorde mundial e num dos mais aguardados eventos do Musikmesse tentará reunir 1000 bateristas que durante cinco minutos tocarão, em uníssono, o mesmo ritmo. Será, certamente, um magnífico ribombar!

Texto: Rui Miguel Abreu