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Mumford & Sons gostam muito de Portugal, mas Portugal já gostou mais dos Mumford & Sons

Banda inglesa teve, no NOS Alive, a maior multidão do dia até agora, mas deu um concerto com demasiados pontos mortos.

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Já tiveram melhor sorte por cá - e aqui mesmo, no Passeio Marítimo de Algés - os londrinos da folk épica. A ocupar lugar destacado no cartaz, seria de esperar que a recepção do público do NOS Alive aos Mumford & Sons fosse eufórica, mas, no que à intensidade diz respeito, o concerto da banda numerosa foi sempre a descer, mesmo que musicalmente não seja de lhes apontar defeito: os Mumford & Sons de 2015 não são tão diferentes assim dos de 2012 (no mesmo Alive) ou dos de 2013 (no Coliseu de Lisboa), apesar da tão propalada inflexão musical que reclamaram para Wilder Wind, terceiro álbum de originais. Tal como aconteceu com outros antigos "campeões", os Kings of Leon em 2013, aqui mesmo à beira-Tejo, a vitalidade de uma até certa altura indisputada referência da nova música elétrica parece ter esmorecido na altura do embate com o público, provavelmente já não o mesmo que se rendeu a Sigh No More (2009) e Babel (2012). O início, com "I Will Wait" logo na posição 2 do alinhamento, prometia comunhão, mas por cada épico intenso em que o banjo, o piano e a guitarra produzem um trinado capaz de tricotar uma camisola de gola alta em 3 minutos, há uma canção morta, sem chama, em que a ausência do crescendo à Mumford & Sons (e à Coldplay e à U2 e à Arcade Fire - isto anda tudo ligado) se faz sentir. Tecnicamente, pouco ou nada a apontar de negativo. Tudo o que se ouve vindo do palco é interpretado imaculadamente e amplificado com mestria - o som é cristalino -, e isso não é dizer pouco, atendendo a que estamos perante uma banda com instrumentos menos dados ao rock, como o contrabaixo, os metais e o violino (já para não falar do banjo). A voz de Marcus Mumford, aquele timbre descendente de Dylan em que se pressente sempre uma mola no nariz, denota o treino de quem aprendeu a cantar para muita gente num espaço vasto. A confiança é visível: Mumford entrega-se sempre com aquele ar de "tenho tanto dentro de mim para dar" e até chega a tocar bateria. No melhor, os Mumford & Sons conseguem ser uma banda exímia na criação de canções perfeitas para rematar filmes em que rapaz e rapariga passam 1 hora e 28 minutos desavindos, sobrando-lhes 2 minutos até aos créditos finais para, vindos de lugares opostos, se reencontrarem no meio de uma daquelas pontes que abrem para deixar passar os barcos. É música que suscita abraço, beijo, perdão, redenção. O problema é visível: já não conseguem fazê-lo de início ao fim de um concerto (e aqui a culpa recairá, sobretudo, para um último álbum falhado). Algo nos diz que os Prodigy não passarão por semelhante provação. Alinhamento: Snake Eyes I Will Wait Below My Feet Lover of the Light Thistle & Weeds Ghosts That We Knew Believe Tompkins Square Park The Cave Roll Away Your Stone Ditmas Dust Bowl Dance Hot Gates Little Lion Man The Wolf Texto: Luís Guerra Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos