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Morreu Ricardo Mealha, designer da BLITZ nos anos 90

O designer gráfico e diretor de arte Ricardo Mealha faleceu ontem de manhã, aos 47 anos, vítima de doença prolongada. "Era fabulosamente criativo", recorda Rita Carmo, que trabalhou com Ricardo Mealha no jornal BLITZ, em 1993.

Ricardo Mealha, premiado designer gráfico português, que nos anos 90 trabalhou no jornal BLITZ, morreu ontem, 25 de outubro, aos 47 anos.



Nascido em Lisboa a 22 de outubro de 1968, tinha-lhe sido diagnosticado, "há mais de um ano, um tumor cerebral", revelou um amigo de Ricardo Mealha à Lusa.



Ricardo Mealha foi responsável pela imagem gráfica do Ministério da Cultura e de diversos organismos e serviços a ele ligados.



Entre os vários projetos que desenvolveu durante a sua carreira, foi designer e diretor criativo da cadeia de 14 hotéis Tivoli, da Atlantis Crystal, das lojas Area, do Museu do Design e da Moda, do Museu da Presidência da República e da Casa das Histórias Paula Rego.



Em 2001, o designer criou o atelier de design RMAC Brand Design, que vendeu cinco anos depois ao grupo BBDO Portugal.



Desde 1997, Ricardo Mealha foi distinguido com mais de 80 prémios em concursos nacionais internacionais, onde se inclui o Gold Award Winner e 12 nomeações no International Forum Design, Alemanha.



Em 1993, com 25 anos, Ricardo Mealha trabalhou no então jornal BLITZ. Rita Carmo, fotógrafa da publicação então (e hoje), recorda-o "como uma lufada de ar fresco no BLITZ jornal. Naquela que foi uma altura muito movimentada no departamento gráfico do BLITZ - o início da impressão a cores -, o Ricardo vinha cheio de ideias. Fabulosamente criativo, sugeria imagens 3D e capas completamente diferentes".



O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, expressou hoje, em seu nome e do Governo, pesar pelo falecimento de Ricardo Mealha, considerando-o "um dos mais talentosos e criativos designers da sua geração".



Jorge Barreto Xavier termina o comunicado apresentando as suas condolências à família, aos amigos e a todos os que de algum modo partilharam a sua vida e trabalho.



Recordado pelos amigos como um "apaixonado e um provocador", Ricardo Mealha protagonizou a 21 de dezembro de 2009 o primeiro casamento entre homossexuais com cobertura mediática nacional, que apesar de não ter validade legal foi um passo público que quis dar para "contribuir para o progresso da mentalidade dos portugueses em relação ao que é a base de qualquer sociedade: os direitos humanos".



Nessa altura, e quando faltavam poucos dias para o casamento entre pessoas do mesmo sexo ser discutido e aprovado no parlamento, numa entrevista à então revista Pública, o designer - que foi missionário de uma religião new age sediada nos Estados Unidos - defendeu que "o casamento tem de ser um direito de todos os cidadãos" e admitiu que passou por um período pelo qual "que todos os homossexuais com uma base de formação católica passam, em que me perguntava: será que vou para o fogo do Inferno?".



AGÊNCIA LUSA