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MEO Sudoeste: "Se o festival acabasse, a mim não me deixava pena. E muita gente na Zambujeira pensa o mesmo", Bia do Táxi (69 an

Em 2015, o Sudoeste completou 18 anos. A BLITZ foi à aldeia que ganhou fama com o festival para perceber o impacto que se sentiu ao longo dos anos.

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Há 18 anos o cenário seria certamente muito diferente. Há 10 anos, a Zambujeira do Mar continuava sobrelotada durante os dias em que o MEO Sudoeste assentava arraiais na Herdade da Casa Branca. Há 5 anos, a aldeia continuava cheia. Este ano, a BLITZ encontrou um cenário diferente: apesar de o tempo, menos convidativo para a praia, ter certamente contribuído para isso, a confusão nas ruas da Zambujeira é menor.

"Agora já está um bocadinho melhor, porque nos primeiros anos era horroroso", confessa-nos Bia do Táxi, de 69 anos, nascida em São Teotónio mas a viver na Zambujeira do Mar há 49. Conduziu o único táxi da aldeia durante 17 anos e escreveu até um conto sobre os 10 primeiros anos do festival. "Agora, estão um bocadinho mais organizados, porque naquele tempo ninguém dormia, com os djambes a tocarem a noite toda". 

18  anos após a primeira edição, "ainda fica muita gente aqui. Dormem até às quinhentas e depois passam o resto do dia aí" mas o movimento diminuiu "por causa das infraestruturas que eles criaram lá [no recinto]. Até uma praia fluvial lá têm. Foi evoluindo e tiraram muita gente daqui", acrescenta antes de assumir que nunca pôs os pés no festival, "nem sequer me aproximo".

Está feliz "por ser o último dia": "a minha casa é à beira da estrada e aquele correr de carros e aquele barulho", diz, referindo-se principalmente às dezenas de autocarros que circulam entre a aldeia e o recinto e aos "20 ou 30 táxis" que se "mudam" para a Zambujeira devido ao festival. "O resto do ano é pacífico, é bom".

Apesar de a BLITZ se cruzar com algumas pessoas, da mesma faixa etária, especialmente homens, que confessam não ter grandes problemas com o festival (até porque há mais meninas bonitas na aldeia, nesta época do ano), Bia defende que houve e ainda há hoje "alguma resistência" por parte dos habitantes. "Tínhamos um lugarinho muito, mas muito, reservado. Selvagem, com muito por explorar, e isso acabou com o festival", recorda antes de explicar que quem vinha antes para passar férias não regressou. "As pessoas vinham do Porto, de Lisboa ou de outra cidade qualquer para a natureza. Agora está tudo danificado. Deixaram de vir para a Zambujeira no mês de agosto. Nos primeiros dias é o festival e depois já não vêm. É mesmo muito diferente do que era".

Assumindo que quem "sente o festival na pele" tem dificuldade em ver melhorias - "foi bom para quem o organiza" - aponta "uma coisa boa": "a Zambujeira passou a ser conhecida mundialmente por causa do Sudoeste". A conclusão, no entanto, é que "se o festival acabasse, a mim, pessoalmente, não me deixava pena nenhuma. E sei que há muita gente na Zambujeira que pensa o mesmo".

Texto: Mário Rui Vieira

Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos