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Manel Cruz: 'Para mim é sempre: agora é que é!'

Entrevistado na BLITZ de junho, Manel Cruz, que se encontra de regresso aos palcos, fala sobre o seu processo criativo e a insatisfação que o acompanha de forma salutar. 

Veja aqui um excerto dessa entrevista, que pode ler na íntegra na BLITZ de junho (capa: Muse).  Numa altura em que se prepara para um espetáculo que é, também, retrospetivo, como olha para o seu trajeto até agora?  O Nuno Prata tem uma música chamada "Agora é Que É". Eu identifico-me muito com essa letra, porque para mim também é sempre "agora é que é". E acho que isso também é - pelo menos eu quero ver assim! - sinal de juventude. Ao mesmo tempo também pode parecer sinal de insatisfação, que também é uma característica do ser humano, muito ligada à juventude - querer abraçar o céu com as pernas. Se calhar já não tenho a mesma energia e a mesma ansiedade que tinha, para o bem e para o mal, mas estou sempre a pensar que a próxima cena é que vai ser fixe, o que acaba por ter um lado de ilusão, porque nunca é. Mas ao mesmo tempo, se queres ser atual, se queres ser a tua pessoa do momento, se queres ser contemporâneo de ti próprio, é natural que procures traduzir o que sentes. Ainda que agora esteja a tocar músicas antigas, estou a tentar tocá-las de uma maneira com que me identifique. Por isso, não tem só a ver com a obra, tem a ver com o processo e a linguagem. Com a maneira como comunicas e as ferramentas que escolhes para comunicar - tanto para fazer coisas novas como para pegar em coisas antigas. Como sempre, tento comunicar de maneira com que me identifique e dizer as coisas que quero dizer agora.