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Kurt Vile no Armazém: Rock, magia e cabelo à solta em Lisboa [fotos e texto]

O músico norte-americano terminou a sua digressão europeia com um belo concerto em Portugal.

Kurt Vile & The Violators no Armazem F
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Lushes no Armazem F
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Lushes no Armazem F

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Lushes no Armazem F

A sala há muito estava apinhada e expectante quando, de garrafa de vinho tinto na mão, Kurt Vile assomou no palco baixo do Armazém F, em Lisboa. Depois de uma bela primeira parte, a cargo dos desconhecidos Lushes, todos os olhos se pousavam no norte-americano, que em Portugal terminou a sua digressão europeia. E o ambiente descontraído e folião de fim de festa fez-se sentir, quer nos sorrisos que Vile ia trocando com os seus músicos, quer na boa disposição dos próprios roadies (um deles surgiu com uma máscara do seu "patrão", para galhofa geral). Esta descontração não foi, porém, significado de negligência. Ao longo de cerca de hora e meia, Kurt Vile, que este ano lançou o sexto álbum, B'lieve I'm Going Down, ofereceu um espetáculo palpitante, assente na força das canções que, de disco para disco, vai colecionando, mas também na qualidade da sua banda, os Violators, e no seu próprio carisma improvável. Aos 35 anos, o guitarrista de Filadélfia, nos Estados Unidos, continua a usar o cabelo à frente da cara e a suscitar os comentários mais curiosos: à nossa volta, houve quem notasse o seu ar perpetuamente deslocado, como "um daqueles miúdos pouco populares no liceu", e quem confessasse que Vile lhe fazia lembrar, tão só, uma década inteira: a dos anos 90, como se a mesma "fosse palpável", completavam. Algo no autor de "Peeping Tom" está, concordaremos, ao lado ("I'm an Outlaw", do novo álbum, apresentada no banjo, é afinal a segunda canção do concerto). Mas é nestas margens que um dos fundadores dos War on Drugs prospera: entre canções, ao invés de se ocupar de conversas de circunstâncias, trata dos pedais de efeitos, afina as várias guitarras que lhe vão passando pelas mãos, afasta (apenas um pouco...) o cabelo dos olhos. E não há, na plateia, par de olhos que largue aquela figura curvada e estranhamente magnética. Depois, claro, há as canções e o incrível talento de Kurt Vile para lhes dar vida em palco. Ainda que já o tivéssemos visto por duas vezes em Paredes de Coura, depois desta noite ficámos convencidos que é no contexto, próximo e intimista, de um clube rock que a sua música, quer a mais elétrica quer a acústica, melhor respira e é absorvida pelo público. E, apesar do som nem sempre brilhante, o Armazém F foi hoje esse clube rock de que já sentíamos falta. Recorde-se, por exemplo, o momento da entrada em palco do nosso herói: longa se tornava a espera quando os primeiros acordes de "Dust Bunnies" se fazem ouvir. Na frente do palco, sentimos a energia da banda liderada por este Sansão da guitarra - baterista, teclista e baixista, que também tocará guitarra e saxofone, fazem a cama de decibéis que lança corpos em suave agitação e desenha sorrisos nos rostos dos presentes. Uma das canções mais aguardadas, e certamente uma das mais viciantes que Kurt Vile já escreveu, chama-se "Pretty Pimpin" e chega logo à terceira, para delírio de muito bom fã. Em palco, no seu swag desajeitado, o anfitrião desta noite confia mais no poder do riff do que na voz para fazer a mensagem passar; antes de ser vocalista, Vile é guitarrista e, quando a eletricidade é maior, nem sempre o ouvimos cantar tão claramente como gostaríamos. Alguns dos momentos mais mágicos do concerto acabaram, assim, por acontecer à guitarra acústica, por vezes com o autor de "Jesus Fever" completamente sozinho em palco. Foi o caso da assombrosa sequência "Dead Alive" / "Stand Inside", com os dedos de Kurt Vile a extraírem autênticas pérolas das cordas de uma velha viola, perante um muito respeitável silêncio (e algumas lágrimas furtivas) da plateia. Também em "That's Life Tho (Almost Hate To Say)", uma longa meditação incluída no álbum deste ano, a concentração e a singularidade do músico ficaram bem patentes; ainda que tenha raízes evidentes na folk, nos blues e em várias vertentes do rock, Kurt Vile é bastante único na forma como digere e devolve as suas influências. Veja-se como impressiona como guitarrista e faz um "super solo" em "Walking on a Pretty Day", mantendo todos os ganchos melódicos e sem aborrecer todos aqueles menos dados ao virtuosismo, ou como usa de uma sensualidade algo trôpega para encarnar "Wild Imagination", uma das últimas canções antes do encore. E por falar em encore, foi a bordo da trepidante "Freak Train", do álbum de 2009, Childish Prodigy, que seguimos para a primeira paragem do concerto. Mais uma vez: corpos transpirados, olhos brilhantes e postos no palco, a libertação de energia via guitarra elétrica com todos (até com saxofone). A magia assim parece fácil, e ainda hoje é terça. No regresso ao palco, duas grandiosas canções daquele que possivelmente continuará a ser o nosso álbum favorito do "miúdo" de Philly, Smoke Ring For My Halo, de 2011: "Puppet To The Man", com toda a eletricidade que merece e, no seu esplendor acústico, "Baby's Arms", prova irrefutável da incrível delicadeza de que este rapaz é capaz. Com toda a sua equipa, a quem por várias vezes agradeceu, Kurt Vile deverá ter ido, então, celebrar o fim de mais uma digressão europeia; nós voltámos para casa gratos por um banho de rock de que não sabíamos estar a precisar. Na primeira parte, a surpresa chamou-se Lushes. Em substituição de Waxahatchee, a dupla de Brooklyn, Nova Iorque, apresentou-se com um discurso simples e simpático, elogiando as virtudes do país que visitavam pela primeira vez, e lançou-se para uma atuação intrigante, no melhor dos sentidos. Na voz e guitarra, James Ardery arremessava riffs pesadões, por vezes serpenteantes, a Joel Myers, que na bateria oscilava entre o marcial e o selvático. Pouco convencionais, as canções beneficiam também da clara vocação de Ardey para animal de palco: com o seu quê de Kurt Cobain (voz e penteado) e Frank Black (alucinação generalizada), o vocalista desceu até à plateia, de palheta na boca, para se passear pelo público que, quando permanecia no seu poiso, fitava de forma insistente e eficaz. Merecidamente, fizeram fãs, como se provou pela afluência à sua banca de merchandising, no final da noite. Texto de: Lia Pereira Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos