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John Lennon: A Verdade e Nada Mais que a Verdade [ARQUIVO]

Fez esta semana 35 anos que Lennon morreu. Recorde aqui a entrevista de Rui Miguel Abreu à viúva, Yoko Ono, publicada na BLITZ de novembro de 2010.

Se os quatro tiros que o atingiram a 8 de dezembro de 1980 tivessem passado alguns centímetros ao lado, John Winston Ono Lennon então com 40 anos celebraria este ano o seu 70º aniversário. Estaríamos, provavelmente, a falar dos Beatles, da guerra, da crise, da religião, de amor. E de Yoko Ono, a japonesa com quem viveu um dos maiores romances do século XX e que RUI MIGUEL ABREU encontrou, há poucos meses, em Londres. É ela, hoje com 77 anos, que nos guia pela vida do marido, o homem e o ícone, que trocou os Beatles pela família, pela paternidade, por Nova Iorque. E que morreu há quase 30 anos sem saber porquê. 

O nosso encontro com Yoko Ono acontece no Mandarin Oriental, um hotel nas proximidades de Hyde Park, Londres, onde certamente se assinam negócios importantes entre o oriente e o ocidente, a julgar pelos empresários que povoavam o lobby. E pelas cinco estrelas que sublinham o seu logótipo. Yoko apressa-se a apresentarnos a série de re-edições que encabeça as celebrações do 70º aniversário do nascimento de John Lennon (a 9 de outubro último) e que, inevitavelmente, se irá estender até à data em que se irão assinalar três décadas sobre o seu assassinato (a 8 de dezembro).

Estas re-edições voltam a lançar luz sobre a obra que John Lennon construiu após o desaparecimento dos Beatles e estão disponíveis em múltiplos formatos. À cabeça, uma caixa de quatro CDs com o título de Gimme Some Truth. Trata-se de um olhar sobre a discografia de Lennon, produzido pela própria Yoko Ono e que segue as coordenadas temáticas Working Class Hero, Woman, Borrowed Time e Roots para organizar as canções deixadas pelo ex-Beatle. Há ainda uma caixa de luxo com 11 CDs, John Lennon Signature Box, onde além dos álbuns agora remasterizados se inclui um CD com material que só existia editado em single e também uma antologia de raridades elaborada a partir de bootlegs dispersos. Neste programa de re-edições, contam-se ainda oito álbuns de originais (um deles, Double Fantasy, relançado na versão original e numa nova e nunca antes ouvida "stripped down mix") e ainda o "best of" Power to The People: The Hits, disponível em CD simples e numa "experience edition" que inclui um DVD extra. Ou seja, há abordagens à obra de Lennon para todos os fôlegos melómanos ou económicos.

Yoko Ono fala-nos com candura destas re-edições, sobre o que lhe custou voltar a encarar esta música e sobre o que a mesma significa no mundo de hoje. As suas respostas são sempre dadas na voz tranquila de quem, a três anos de se tornar octogenária, viveu e experimentou muito e terá, provavelmente, a mais privilegiada perspetiva da vida, da obra e até da morte de John Lennon. Visivelmente bem-disposta, Yoko soube rir quando foi apropriado, hesitar e até, à boa maneira de quem já não deve explicações a ninguém, ignorar por completo algumas questões para falar do que realmente queria falar. Yoko e John, embora em planos diferentes, voltaram a estar juntos a uma mesma mesa.

Regressou a John, trinta anos depois. Encontrou o mesmo homem? Cheguei à conclusão que ninguém poderia ter feito o que ele fez. É algo incrível e único. E entristece-me saber que, na verdade, naquele tempo ninguém, de facto, reconheceu isso. As pessoas estavam demasiado ocupadas a pensar "ah, o Lennon é louco porque se juntou com a Yoko", coisas assim. Bem, e parte disso é provavelmente responsabilidade minha (risos). Mas, sabe, não fiz nada de errado, limitei-me a seguir o meu destino ou algo assim. Eu estava lá e talvez... Bem, o outro lado de toda essa questão é que ele não fazia tantas coisas assim no período anterior. Por isso, quando ele passou a ser um indivíduo passou a pôr na música coisas que queria pôr e até a voz dele mudou. Tudo bem, podem dizer que tem a ver com os estúdios e as misturas, mas a verdade é que ele tinha uma voz de rocker incrível. Digam-me outro rocker que tivesse uma voz como a dele! Ia ao ponto de estarmos numa sala a fazer alguma coisa e se ele viesse e dissesse alguma coisa saberíamos imediatamente que era ele, mesmo não o vendo. A voz dele é assim. Comunica mesmo e essa é a verdade. Eu sinto falta dela. Parte de mim, sente um respeito renovado pelo talento dele. E outra parte pensa: "Como é que ninguém reparou nisto?". E isso entristece-me. Eu estava lá e... eu sei. Por isso... é duro voltar a ouvir tudo isto.

Disse que naquele tempo seguiu o seu destino. Isso é algo de muito português para se dizer... (risos) A sério?

Um certo determinismo fatalista, mas abnegado. Mas hoje, e de um ponto de vista mais espiritual, pensa que o mundo está outra vez no ponto certo para voltar a ouvir esta música? Sim, há necessidade de música assim. E as pessoas vão perceber que era disto que estavam à espera. É o que faz falta neste mundo. Mesmo a famosa entrevista que ele deu à Rolling Stone [na sequência da separação dos Beatles, em 1970]... Quando se ouve agora o que ele tinha a dizer, percebe-se como ele era incrivelmente honesto. Essa honestidade já não existe, a maior parte de nós é controlada para não dizer coisas assim em entrevistas.

Porque será? Bem, eu estou aqui de coração aberto (risos). Vive-se um tempo muito difícil. E às vezes quando eu quero fazer um trabalho em que realmente acredite, ligo ao [filho] Sean [Lennon] e digo-lhe: "Olha, estou a fazer isto e não quero que isto se torne demasiado sério para a minha vida privada, mas desculpa, tenho mesmo que o fazer. Digo isto porque não quero que me percas". É assim que eu lido com estas situações, quando me entrego a estas missões.

 

UM GÉNIO INSEGURO

Fala em missões. Como correu esta, que resultou em Gimme Some Truth? Muito bem, é fantástico estar envolvida numa coisa assim. Mas foi muito trabalhoso, muito exigente. Em primeiro lugar, porque me emociono a ouvir as canções, a lembrar-me de como era... Não estava à espera que isso acontecesse, para falar a verdade. Em 2001, quando fizemos as remasterizações, fui muito profissional e desta vez pensei "Bem, vou ser profissional de novo". Mas surpresa das surpresas! descobri que me emociono um bocadinho mais. Não sei porquê... Bem, uma das razões é porque desta vez fiquei muito impressionada com a maneira como o John construiu as canções, com a sua dicção e também com os arranjos, muito diferentes das canções rock correntes. Muito avant garde, diria, mas sem mostrar que eram avant garde. Muito subtis. E eu pensei "Ok, ele era... um... bem, ele era um génio!". Tive que dizer isto a mim mesma. Por outro lado, claro que é um prazer trabalhar nisto. Por ele... pela obra dele.

Encontrou aspectos menos visíveis em abordagens anteriores? Sim, era exatamente isso que eu estava a tentar explicar. Acho que ficou mais evidente para mim o quão fantástico ele era. Em 2001, eu era mais arrogante, não sei... "OK, vamos lá fazer isto". Algo assim. Mas agora, depois de mais uma década ter passado, o que eu vejo é que este tipo de trabalho, um tesouro como este, já não se encontra. São outros tempos... Eu não devia dizer isto porque a nova geração está, outra vez, a fazer um tipo de música muito diferente. Mas a música do John é um rock muito, muito clássico. E a dicção dele é "shakespeariana", mesmo fantástica. Bem, talvez não como Shakespeare, mas talvez um "Shakespeariano" de agora, muito bonito. Redescobrir isso impressionou-me muito. E a atitude "classic rock" dele parece-me muito apropriada para o presente. Musicalmente, sim, mas em termos líricos sobretudo, porque na verdade ele diz tudo... Ele era como um profeta. "Gimme some truth!". Isso aplica-se ao presente. "I don't wanna be a solider, mama". Tenho a certeza que há muita gente a dizer isso agora. Por isso, o que ele tinha a dizer, o que ele dizia, não podia ficar confinado a um armazém, a um arquivo. São coisas muito poderosas, mesmo para esta geração.

Pensa então que a mensagem de John Lennon é hoje ainda mais importante? Extremamente importante agora. Penso mesmo que é a minha missão fazer o melhor possível para que isto saia e se volte a ouvir, com qualidade. E qualidade é o meu objetivo agora. Quer dizer, a qualidade está sempre presente, mas poderia ser destruída se o trabalho do John não fosse apresentado condignamente.

E para o fã de John Lennon que já conhece bem a sua obra, tem algo para oferecer? Como se não bastasse o catálogo dele! Mas está a perguntar por coisas novas, não é? Bem, há coisas novas. Não canções novas, mas coisas que compilámos a partir de bootlegs. E isso é interessante para os fãs porque o instrumental é diferente e a forma como ele canta aqueles temas é igualmente diferente. E dá para ver como é que ele fazia as coisas, o que é muito interessante, penso eu. Penso até que no CD de bootlegs coloquei duas ou três canções que ainda não estavam terminadas. Como ele é bom pensei que não fazia mal. Por um lado não são coisas que eu possa meter num CD normal e dizer "isto é John Lennon" porque os críticos iam torcer o nariz, mas no contexto de um bootleg já se aceita. Há canções muito interessantes ali.

Qual é a razão para a nova mistura "despida" de Double Fantasy, o último álbum que Lennon gravou? Ah, sim, Double Fantasy, "stripped down"... As pessoas vão gostar. O que aconteceu foi que nos anos 80 talvez não apenas nos anos 80, mas também nos anos 70 o universo da música misturava os discos de forma diferente, tudo muito cheio, com a voz às vezes muito distante. Não sei porque é que o faziam, mas isso acontecia. Na verdade até sei: a maior parte das pessoas não cantava por aí além (risos), e por isso não se mostrava tanto a voz, o sentimento da voz. Mas com alguém como o John, era importante ter a voz dele à frente, bem clara, porque ele estava a dizer coisas muito importantes. A verdade é que ele era muito tímido em relação à sua voz. Por isso, quando ele ia à casa de banho ou algo assim, eu aproveitava para subir o nível da voz na mesa de mistura, e quando ele regressava e ouvia o que tínhamos feito perguntava logo "o que é que fizeste?" e baixava de novo o nível. Não dava para contrariar. Mas agora, numa mistura "stripped down", o que fizemos foi tirar muitos instrumentos, os arranjos ficam mais simples, a voz dele ganha um novo destaque. E consegue-se ouvi-lo como se estivéssemos na mesma divisão com ele. O resultado é incrível. Na verdade, talvez essa seja uma das razões para eu me ter sentido tão emocionada. Não me senti confortável, porque a voz dele era lindíssima e era como se ele estivesse ali no mesmo espaço comigo. E isso apanhou-me sem defesas.

Estamos a falar do mesmo John Lennon? Um John Lennon inseguro? Eu sei. É muito estranho, porque ele tinha a melhor voz do mundo... Não sei o que era, mas ele não se sentia confortável com a sua voz...

John precisava de si para o convencer de que a sua voz era boa? De facto, eu costumava dizer-lhe: "Olha, é a única coisa neste disco que é comercial, por isso deixa-me subi-la" (risos).

 

A TRAVESSIA NO DESERTO

Que tipo de relação manteve com estes discos ao longo dos anos? Costuma ouvi-los em casa? Não os ouço para relaxar, porque para mim esta música não é relaxante. Mas todas as semanas tenho que ouvir as canções dele... Eu não devia dizer "tenho que". Bem, tenho oportunidade de ouvir as canções dele por razões profissionais. Há muita gente a querer fazer versões...

E tem preferência por alguma canção ou disco? Não, essa é uma pergunta a que eu nunca conseguiria responder porque eu adoro-as a todas. Sempre que essa questão se levanta eu ponho-me a pensar. E quando eu respondo assim, você deve pensar: "Não as pode adorar a todas!". Até porque já passou muito tempo. Mas não é por aí. Nós fomos totalmente acusados e atacados pelo mundo e isso tornou-nos ainda mais chegados e unidos. E ninguém nos elogiava enquanto artistas. Ele estava sempre muito contente com o que eu fazia como artista e eu sentia o mesmo em relação ao que ele fazia. O facto de ele estar a fazer coisas incríveis, por um lado, e o facto de ninguém estar realmente a aplaudir isso, por outro, essas duas coisas juntas tornaramme algo azeda, mas também me fizeram querer encorajá-lo. Tenho a certeza que ele sentia o mesmo em relação a mim. Tínhamos uma admiração mútua, uma sociedade muito especial (risos).

Pressente-se alguma amargura. Sente que o trabalho dele continua a não ser devidamente apreciado? Espero que não. E tenho números que me dizem que há muitas pessoas a ouvirem canções soltas do John. E a fazerem versões dessas canções. Mas gostava que uma geração ainda mais nova as descobrisse também.

Pensa que a música de John Lennon vende mais agora do que quando ele era vivo? Não sei, mas provavelmente sim.

Depois de Rock and Roll (1975), John esteve cinco anos sem gravar. Sabe se ele alguma vez pensou que essa seria a sua última gravação? Bem, esse hiato de cinco anos entre Rock and Roll e Double Fantasy não aconteceu porque ele não pudesse ou não quisesse gravar. Foi porque o Sean nasceu e havia muitas coisas que ele queria fazer nessa altura. Não éramos tão inseguros ao ponto de achar que teríamos que editar um disco novo todos os anos para provar que éramos talentosos ou algo assim. Bem, éramos ambos muito orgulhosos. Mas decidimos parar de criar e tomar conta de certas situações, como o Sean, os nossos negócios e a nossa relação. Porque estivemos separados durante um ano e meio. Há muitas opiniões sobre isso (risos)...

E pararam mesmo de criar? O que aconteceu foi que o John disse: "Vamos parar de fazer coisas, vamos concentrar-nos em ter uma vida pura, com tempo para a família". Mas eu continuei a criar, só que escondia o que fazia debaixo da mesa (risos). E ele fazia o mesmo. Ele compôs algumas canções. Mas não sentimos que fosse suficiente para mostrar.

Não vos parecia importante, na altura... Sim, isso é verdade. Provavelmente se tivéssemos feito alguma coisa, editado um disco, isso teria arruinado o equilíbrio da situação em que nos encontrávamos, com o bebé, os negócios, e tudo isso. Mas para lá disso, a verdade é que o que estávamos a fazer por debaixo da mesa não era... Bem, não apareceu nenhuma canção brilhante que nos levasse a dizer: "Vamos lá!". De repente, no início de 1980 o John apareceu com algumas canções lindíssimas. E eu perguntei: "porque é que não editamos um EP? Duas músicas tuas, duas minhas". Ele achou boa ideia: "Sim, vamos a isso". Mas no momento em que eu disse isso, estava ele nas Bermudas, o John começou a criar uma incrível quantidade de canções lindíssimas. E aí eu pensei "bem, isto não é um EP" (risos).

Nesta geração de artistas, há alguém em que reconheça o espírito de John Lennon? (Pausa) Não consigo pensar em alguém... Talvez porque o John era uma pessoa muito especial de muitas maneiras. Tenho a certeza que hoje também há muitos artistas especiais, mas que fazem o que fazem depois do John, de certa maneira. E por isso a sua força é muito diferente. Mas se o John fosse vivo agora, talvez ele próprio fosse melhor, porque é uma nova geração. Se calhar usaria computadores ou algo assim...

 

DE PAI PARA FILHO

E pergunta-se como seria ele agora se fosse vivo? Ele estava sempre a acompanhar o que era novo. Coisas mecânicas ou novas formas de arte. Por isso o computador seria certamente algo que ele iria adotar.

Poderia ter-se tornado um artista tecno ou fazer música eletrónica... Sim, certamente arranjaria maneira de fazer música interessante com as novas tecnologias. Por isso é uma pena que ele tenha desaparecido, de facto, deixou um vazio enorme. Mas espero que este projeto em particular, que sublinha de uma forma especial todos os seus projetos individuais, todas as suas canções, ajude a preencher esse vazio, de certa forma. Eu acabei de ouvir o Gimme Some Truth e pensei "uau, isto vai sair? E vai estar disponível para presidentes e políticos?".

E com este corpo de re-edições, fica a faltar alguma coisa para o público conhecer? Há muitas declarações que ele fez, mas penso que a maior parte do seu material já saiu de alguma forma. De 1980 até agora são já 30 anos. O que quer que ele tenha dito que tenha servido para alimentar espiritualmente as pessoas, devia ser dito de novo. Não é como uma canção pop que irá desaparecer dentro de um mês ou dois. Estas coisas têm que ser repetidas várias vezes, penso eu.

Já pensou no tipo de decisões que ele teria tomado se fosse ele a compilar esta caixa? Não sei... mesmo. Penso que vai estimular muitas pessoas a serem inspiradas e a fazerem as suas próprias coisas. É isso que eu espero. Que as pessoas comecem a ter confiança. Ninguém tem confiança e toda a gente anda assustada. Por isso devíamos compreender que há outro lado na vida, que é algo de que não devemos ter medo. Há muita coisa maravilhosa a acontecer agora. Ainda há...

E qual considera ter sido a maior conquista de John, como artista? Eu acho que o maior feito dele é ter dado um pedaço de verdade ao mundo. E a verdade é como um soro. Um soro que hoje não existe. As canções do John, as suas declarações, ideias e a sua voz vão regressar.

A Plastic Ono Band regressou o ano passado... Foi fantástico. Porque senti que era muito difícil para o meu filho ser... bem, ser o filho de John Lennon. Até o aniversário é o mesmo. E ele estava sempre a queixar-se: "ninguém celebra o meu aniversário". "Bem", dizia eu, "o mundo inteiro está a celebrar". "Não, estão a celebrar, mas é o aniversário do meu pai". "Verdade". Mas ele é de facto um músico muito completo. Eu percebi que ele é muito, muito bom. Por isso, quis apenas lançar alguma luz sobre ele, de certa maneira. Para mostrar ao mundo que não estamos apenas a falar no filho de, mas em alguém que é bom por mérito próprio. Estou sempre à espera do telefonema dele.

Ele está sempre a ser comparado com o pai... Mas é muito diferente de nós, do pai e de mim. Por isso, se tudo correr bem, ele há-de ter uma longa carreira. Ele irá ter uma carreira mais longa do que a nossa porque é muito bom e ainda é tão novo...

Por que é que não incluíram neste corpo de re-edições os vossos trabalhos avant-garde, os discos de 1968 e 1969? Aqueles discos. Está a referir-se ao Two Virgins, Wedding Album...

Já não gosta deles? Na verdade ouvi-os há uns três anos. Li um comentário num jornal a dizer que eram muito bons e resolvi ir ouvi-los (risos). A razão porque o Two Virgins não seria bom para este projeto é porque levaria algumas pessoas a pensarem, "ah, isto era o que eles andavam a fazer" (risos). E o que eu quero é mostrar o John da forma mais digna e clássica, como ele era, em vez de como o mundo ria dele por estar comigo. Quero que o mundo pare de rir, porque ele era um artista tão incrível, talentoso e digno. E isso é o que eu quero mostrar. E não algo que aconteceu que possa criar algum tipo de... bem, eu digo riso, mas a verdade é que ele também foi honesto quando fez esses discos.

RUI MIGUEL ABREU