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The Bends, dos Radiohead, faz hoje 20 anos: vamos ouvi-lo outra vez?

Regressamos a 13 de março de 1995, dia em que chegava às lojas o álbum de "High And Dry" e "Fake Plastic Trees".

Foi há precisamente vinte anos que os Radiohead editaram o seu segundo disco, The Bends, a ponte entre o álbum de estreia, Pablo Honey (1993), marcado pelo impacto de "Creep", e as experiências de OK Computer, que surgiriam em 1997. Em The Bends, o grupo britânico - que faria nesse mesmo ano dez anos de vida (foi em 1985 que se formaram, sob designação On A Friday) procurava fugir à omnipresença de "Creep" e ao estigma do "one hit wonder". Editado com o selo da Parlophone, The Bends foi produzido por John Leckie e gravado em vários estúdios ingleses (Abbey Road, RAK e The Manor), com masterização a cargo de Nigel Godrich, que a partir daqui produziria todos os álbuns do grupo. O álbum deixava para trás a aura algo "grunge" de Pablo Honey e via os Radiohead adotar outras sonoridades no campo do rock, antes de seguirem por uma via mais eletrónica. À altura, Pedro Gonçalves escrevia assim, nas páginas do (então) semanário BLITZ: "Os Radiohead vão ser grandes, disso não restem dúvidas. O novo álbum, The Bends, já foi comparado a algumas obras magnas dos U2. Para além disso, têm o dom de escrever e tocar hinos de desespero e juventude, próprios de uns Nirvana". Por essa altura, a banda já tinha passado por Portugal em 1993, para fazer as primeiras partes de concertos dos James no Pavilhão do Belenenses, em Lisboa, e no Coliseu do Porto, mas The Bends não viria a ser apresentado nos palcos nacionais. Para além de "High And Dry" e "Fake Plastic Trees", que se tornaram duas das canções mais famosas dos Radiohead, The Bends continha "My Iron Lung", tema que já havia surgido num EP lançado pela banda no ano anterior e que explicava precisamente o incómodo de Thom Yorke e demais elementos com "Creep": "This is our new song / Just like the last one / A total waste of time / My iron lung", cantava.

The Bends faz 20 anos. Numa entrevista concedida esta semana à Stereogum, o baterista Philip Selway recordou as sessões de The Bends. "À época, estávamos apenas concentrados em fazer o melhor disco possível, sem olhar para diante", afirmou, acrescentando que "quando começámos a trabalhar no The Bends, foi como fazer uma pausa para respirar. Sentíamos que [com o sucesso de "Creep"] as coisas estavam a andar demasiado depressa. Para mim, foi como se estivéssemos a conectar-nos novamente connosco após termos passado por um território bastante desconhecido". Dedicado ao comediante norte-americano Bill Hicks, falecido em 1994, The Bends não conseguiu que nenhum single alcançasse o sucesso de "Creep", mas chegou a atingir o quarto lugar do top britânico. A sua influência, principalmente em termos vocais - é em The Bends que o falsete de Thom Yorke se populariza - é notória: terá sido a partir daqui que bandas como os Coldplay retiraram as suas deixas. Quer matar saudades de The Bends? Ouça-o aqui de novo: