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Iron Maiden em 1º lugar no top de 24 países (incluindo Portugal): leia aqui a crítica BLITZ em primeira mão

The Book of Souls entrou diretamente para o topo da tabela de países como a Colômbia, Israel, Inglaterra ou Portugal. Um disco duplo que é um triunfo absoluto, considera José Miguel Rodrigues, crítico de 'metais pesados' da BLITZ.

O novo álbum dos Iron Maiden, The Book of Souls, entrou diretamente para a 1ª posição da tabela de vendas de 24 países, entre os quais Portugal. Argentina, Brasil, Colômbia, Israel, Itália, México, Noruega, Espanha, Suécia e Reino Unido foram alguns dos países em que o 16º álbum dos Iron Maiden vendeu mais do que qualquer outro na passada semana. José Miguel Rodrigues, crítico de "metais pesados" da BLITZ ouviu o álbum e disse de sua justiça, num artigo que será publicado na BLITZ de outubro, dia 25 nas bancas, mas que pode ler aqui em primeira mão.

Iron Maiden The Book of Souls Parlophone/Warner 4/5 A Dama de Ferro continua imaculada A banda britânica está de volta mais ambiciosa que nunca com o seu primeiro álbum duplo de estúdio. Depois de terem passado boa parte dos anos 90 a tentar recriar sem sucesso o génio que os transformou na maior banda de heavy metal de todos os tempos durante a década anterior, os Iron Maiden sofreram uma nova injeção criativa quando Bruce Dickinson e Adrian Smith regressaram à banda e, desde então, não pararam de surpreender. Cada vez mais audazes e menos interessados em comprometer ideias e conceitos - sacrificam muitos clássicos para tocar tanto material novo quanto possível em grande parte das digressões -, continuam a arrastar multidões e serão dos poucos veteranos que têm visto a sua audiência rejuvenescer a cada álbum que lançam. The Book of Souls é o mais recente, o quinto como sexteto, dando continuidade à aplaudida sequência de Brave New World, Dance of Souls, A Matter of Life and Death e The Final Frontier - quatro discos que, sem atingirem os níveis de inspiração de The Number of the Beast ou Powerslave, recuperaram uma vitalidade e uma relevância que, a dada altura, pareciam irremediavelmente perdidas. A provar que não fazem as coisas pela metade, desta vez Steve Harris e companhia assinam um disco duplo que, em 92 minutos, se afirma como o mais longo, ambicioso e rico que alguma vez gravaram. Com apenas onze temas, os dois mais curtos roçam os 5 minutos e três perfazem metade da sua duração total, The Book of Souls não é fácil de digerir à primeira, mas o encanto reside exatamente aí. O single "Speed of Light", com a sua típica cavalgada, revela-se um engodo; há aqui outros temas assim - "When the River Runs Deep" ou "Death or Glory" são tudo o que um seguidor dos Maiden pode desejar - mas, da abertura com "If Eternity Should Fall" a "Empire of the Clouds", o novo registo faz-se de grandiosidade. Não estranhamente, é em épicos como "The Red and the Black", "The Book of Souls" ou "Shadows of the Valley", construídos a partir de estruturas complexas e contrastes teatrais, que mais brilham e, aceite o desafio, a versatilidade das ideias e soluções torna-se inegável. Há momentos menos conseguidos, claro, mas nada que ofusque a ambição, o arrojo criativo e a proficiência de uma instituição britânica prestes a comemorar quatro décadas. Texto: José Miguel Rodrigues