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GNR fazem a festa no Coliseu de Lisboa: Mariachis, sangue novo e os hinos de sempre

Rui Reininho, Tóli César Machado, Jorge Romão e companhia passaram em revista três décadas e meia de uma história ímpar que ainda tem mais capítulos para revelar.

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Há pouco mais de 25 anos, os GNR gravaram In Vivo neste mesmo Coliseu. Não é o mesmo grupo que pisa o palco da sala da Rua das Portas de Santo Antão nesta noite que arranca quando passam 25 minutos das 22 horas. Mas algumas das pessoas na plateia são repetentes. Trazem os filhos e tudo, como quem diz "tens que sentir o que nós sentimos". Mas a vida não se repete. A água não passa debaixo da mesma ponte duas vezes. E, justiça se faça a Rui Reininho, Jorge Romão e Tóli César Machado, o trio que ocupa a linha dianteira quando "Efectivamente" se faz ouvir, a verdade é que nenhum dos veteranos membros do grupo do Porto está aqui a fingir que o tempo não passou. Os GNR, sem moralizar, carregam nos ombros o peso do tempo e a responsabilidade de terem sido sempre uma carta fora do baralho pop nacional. Os GNR são o joker, o coringa, sempre a olhar de lado para o trunfo que vai mudando, o valete que resiste à dama que actualmente toma conta do top. Biombos indiscretos que continuam a dar 10 a zero a quem tantas vezes não sabe o que faz apesar de todos dizerem "ok" ou "está bem" ou lá o que é... O Coliseu não está cheio e a deitar pelas costuras, como há 25 anos, nem nada que se pareça, mas como o vinho que lhes é próximo, o do Porto, estes rapazes parecem melhorar com a idade e na verdade continuam a angariar plateias respeitáveis. "Já fumega", garante Rui Reininho, depois de "Quando o Telefone Pecca" e antes de "Homens Temporariamente Sós". O alinhamento do concerto começou no presente de Caixa Negra mas encontrou rapidamente o caminho do passado que é vasto e impossível de ignorar. Mas Rui, Jorge e Tóli sabem que a sua própria história não é um país distante, antes um património sempre passível de ser reinventado. E os GNR em 2015 soam modernos, pertinentes, seguros e sólidos. Com novos arranjos, capazes de ainda surpreender, por injectarem móveis contemporâneos na sua arquitectura clássica. "Pós Modernos", ou, mais adiante, uma impossivelmente funky versão de "Vídeo Maria", que até cita "Shaft" e tudo, são bons exemplos: clássicos revestidos com trapos elegantes, com ironia e bom gosto, e com Reininho a soar seguro e pleno de swag. Não é para todos. É só para quem sabe. E estes senhores sabem-na toda... No alinhamento sucedem-se os êxitos: "+ Vale Nunca", "Sub-16" e um daqueles discursos irónico-surrealistas de Reininho que precede a entrada em palco de Rita Redshoes. "Dançar SOS", mais um tema do agora que soa neste dueto a tema de sempre, com direito a dança apertada do mestre e da discipula e tudo. Breve, mas intensa. Fica-se a pensar em "Apartheid Hotel" e em Rita a fazer as vezes de Anabela "Mler Ife" Duarte. Talvez um dia. Ao lado de Tóli, Jorge e Rui, Samuel Palitos, na bateria, Tiago Maia na guitarra e Paulo Borges nos teclados ajudam a amplificar a força que se sente de forma nítida em "Cadeira Eléctrica" ou "Las Vagas" que talvez peque apenas por alguns desnecessários excessos eléctricos. O segundo convidado da noite é Tomás Wallenstein, dos Capitão Fausto, que empresta a voz a "Popless" e a "Bellevue" num gesto que sublinha o que há muito se conhece: os GNR foram o começo de muita coisa. E estas vénias, de Tomás Wallenstein ou Rita Redshoes, fazem todo o sentido e são saudáveis. "Luaty Beirão não pode vir que ainda está muito fraquinho", diz Rui Reininho, "mas está aqui no nosso coração". "Asas (Eléctricas)" é o tema que se segue. O reparo certo, antes do tema certo. Reininho foi sempre um franco atirador de farpas e verdades e chalaças que são muito mais sérias do que somos capazes de admitir na maior parte das vezes. Momento mariachi cruzado com arremedo de coro russo: "MacAbro" tem a participação de Los Cavakitos e dos roadies que se juntam a um Jorge Romão com cachecol do Futebol Clube do Porto na cabeça. "Nova Gente" mantém a prestação dos afilhados perdidos de Roberto Rodriguez, com os GNR a derivarem como só eles sabem para os terrenos de um humor desbragado que lhes permite olhar de forma crítica para o nosso país. E injectar mais umas pitadas de funk nos procedimentos da noite. A tomada de assalto a um clássico da Jovem Guarda de Roberto Carlos traz ao palco uma vencedora de um passatempo de uma estação de rádio que, dita o bom senso, não deverá despedir-se do seu emprego normal, mas que cumpre a missão de dizer que os GNR são de toda a gente quando "canta" que quer que "tudo o mais vá para o inferno". Lindo, lindo seria a seguir ter Isabel Silvestre, mas o momento mágico de há um par de décadas no antigo estádio José de Alvalade é irrepetível. A água não passa duas vezes debaixo da mesma ponte, nem sequer a do Douro. Mas ninguém pode negar que estes moços escreveram grandes canções, daquelas que ainda mexem com certas gerações e que têm uma inconfundível pronúncia do norte... O concerto aproxima-se do auge e no Coliseu faz-se ouvir uma gaita de foles que anuncia um épico "Morte ao Sol" que traz Rita Redshoes de volta ao palco. "Sangue Oculto" precede a breve saída de palco e a entrega a reportório deste milénio que ainda assim não deixa de citar o passado: "Morrer em Português" começa com uma piscadela de olho ao clássico dos Peste & Sida "Gingão". "Ana Lee", cantada em dueto com uma afinada plateia, e "Dunas" fecham a noite com chave de ouro. Os GNR são enormes. E eternos. Pelo menos enquanto se viver e morrer em português, com pronúncia do norte, do sul e do centro, com os biombos indiscretos da memória a resguardarem uma glória que lhes é merecida e justa. O concerto termina, duas horas depois de arrancar, com os GNR ladeados por mariachis e pelo sangue novo de Rita e Tomás. E pelo eco de um público que sabe estes tipos de cor. Foi bonita, a festa. Texto: Rui Miguel Abreu Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos