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Franz Ferdinand e Sparks atuam juntos no Super Bock Super Rock: o melhor de dois mundos?

Os escoceses os veteranos norte-americanos decidiram trocar alianças, jurando amor e fidelidade. O resultado está aí. Vamos vê-los hoje à beira-Tejo a tocar o álbum que fizeram e também a lembrar canções uns dos outros.

A ideia de um "supergrupo" está presente na música pop há décadas. Até mesmo fora dela - lembremo-nos, a título de exemplo, dos Três Tenores, Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras. Na década de 60, o conceito cresceu sobretudo dentro do meio rock, com as suas origens a poderem ser traçadas até à década anterior, quando o denominado Million Dollar Quartet (Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Carl Perkins e Johnny Cash) se juntou nos estúdios da Sun num encontro fortuito, que descambou em jam session. Seguir-se-iam os Cream, formados por três dos mais respeitados músicos à altura, bem como conjuntos como Crosby, Stills, Nash & Young ou Emerson, Lake & Palmer. Desde então que o termo tem caído em desuso, até porque de algumas dessas experiências mais ou menos egocêntricas não reza a história, como os Tin Machine, de David Bowie, tendo sido substituído pelo muito mais simpático, e diplomático, "projeto paralelo". Que não se chame, portanto, "supergrupo" à união recente entre os revivalistas pós-punk Franz Ferdinand e os veteranos Sparks, anunciada no passado mês de março após alguns anos de planeamento (mais de dez, segundo ambos, tendo a ideia surgido quando por essa altura se conheceram em Los Angeles). A melhor palavra talvez seja mesmo "casamento", dada a admiração mútua que tanto uns como os outros sentem pelos trabalhos de cada. À junção chamaram FFS, que tanto parte das iniciais dos seus nomes como é igualmente um acrónimo para a expressão for fuck's sake, utilizada para demonstrar a exasperação que alguém sente por alguma coisa - um sentimento que, convenhamos, perpassa inúmeros casamentos... Claro que tudo isto é ironia, de que os próprios usam e abusam. Uma das canções presentes no disco de estreia, homónimo, intitula-se precisamente "Collaborations Don't Work", como que a dar o mote para este novo capítulo nas suas vidas: não é para ser levado assim muito a sério. O tom divertido das canções FFS disso é prova, não soando nem a uns Franz Ferdinand em pico de forma nem a uns Sparks fazendo a festa do revivalismo glam rock, mas a uma qualquer aventura tida pela madrugada, depois de rondas e rondas de álcool tragado num cabaré. O álbum tem a sua edição prevista para o próximo mês de junho, sob a alçada da reputadíssima Domino, seguindo-se uma série de concertos pela Europa. Porém, apesar de divertido, não foi fácil. As ideias para as canções foram um trabalho a meias, mas o facto de morarem a milhares de quilómetros uns de outros foi progressivamente impedindo que estas pudessem ser transpostas para um estúdio daí a demora no seu anúncio e no lançamento de FFS. O mais excitante, conta o vocalista Russell Mael, dos Sparks, foi decidir quem cantava cada canção. "Não queríamos que fosse algo do género "eu canto esta, e o Alex [Kapranos] canta a próxima". Tendo nós vozes bastante idiossincráticas, a ideia foi que cada qual se integrasse o melhor possível", disse. É óbvio que tanto os Franz Ferdinand como os Sparks tiveram de deixar para trás algumas das suas características mais pessoais por forma a fazer com que os FFS resultassem em pleno, o que não constituiu qualquer tipo de problema. Novamente, como nos casamentos: "não foi assim tão doloroso; as duas bandas partilham tanta coisa. Não é como se tivéssemos dado uma volta de 180 graus em relação ao que somos", explicou Russell. "Esta é uma situação única, em que se assiste à fusão entre duas bandas: juntámo-nos, fizemos um álbum e vamos apresentálo ao vivo", acrescenta. O primeiro concerto está marcado para Glasgow, terra natal dos Franz Ferdinand e uma oportunidade para os Sparks explorarem a cidade dos seus amigos, com a lua-demel a passar por Portugal no dia 18 de julho, altura em que atuarem no Super Bock Super Rock. E, para além das canções dos FFS, seremos igualmente brindados com os temas de cada um, em pequenas demonstrações. "Vai haver uma espécie de "prova": os FFS a fazer versões tanto dos Franz Ferdinand como dos Sparks", explicam. Se é para durar ou não, não se sabe ainda. Mas cá estaremos para, se for necessário, celebrar as bodas de prata. Alinhamento provável (baseado no alinhamento do concerto do festival Zanne, em Itália, a 16 de julho) Johnny Delusional The Man Without A Tan Police Encounters Do You Want To (Franz Ferdinand) Achoo (Sparks) Collaborations Don't Work Walk Away (Franz Ferdinand) The Power Couple Things I Won't Get When Do I Get to Sing "My Way" (Sparks) Call Girl So Desu Ne The Number One Song in Heaven (Sparks) Michael (Franz Ferdinand) This Town Ain't Big Enough for Both of Us (Sparks) Dictator's Son Take Me Out (Franz Ferdinand) Piss Off Vídeo do medley "This Town Ain't Big Enough For Both of Us" (Sparks) e "Take Me Out" (Franz Ferdinand) ao vivo no programa televisivo de Jools Holland, na BBC:
Texto: PC