Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Notícias

FMM Sines 2015: o mundo inteiro vem a caminho

Realiza-se este mês um dos festivais nacionais de maior culto. O mundo voltará a fazer-se ouvir em Sines, entre 17 e 25 deste mês. E aqui encontra um bom resumo do que vai ver.

Basta dar uma vista de olhos pelas edições anteriores para perceber que os cartazes do Festival Músicas do Mundo, em Sines, foram sempre sinónimo de ecletismo e qualidade. A "música do mundo" não é aqui feita de meros exemplos, mas de lendas: nomes sonantes como Sly & Robbie, The Skatalites, Kronos Quartet, Tom Zé, Marc Ribot e Lee "Scratch" Perry já por aqui passaram, representando cada qual um pedaço importantíssimo da história da música. Não apenas isso, como Sines foi igualmente oportunidade para inúmeros outros projetos de relevo se estrearem em Portugal - lembremos, por exemplo, os Gogol Bordello, que pisaram pela primeira vez solo nacional em 2007, quando aqui atuaram meras semanas antes de subirem até Paredes de Coura, naquele que, segundo rezam as crónicas, foi um concerto inesquecível. Aqueles que se deslocam até ao município alentejano, verão após verão, partem não só à procura da confirmação da grandeza destes nomes mas também à descoberta daqueles que, um dia, o poderão ser. A edição de 2015, cujo cartaz está já encerrado, não será exceção. Entre 17 e 25 de julho, várias são as nacionalidades que voltam a marcar presença no certame, oriundas de quatro continentes diferentes, faltando apenas a Oceânia. Como acontece em praticamente todas as edições, é a música que nos chega de África aquela que estará melhor representada, desta feita com a vinda a Sines de um dos grandes pioneiros do afrobeat - género popularizado nos anos 70 pelo falecido Fela Kuti -, o saxofonista nigeriano Orlando Julius, que virá acompanhado pelo coletivo britânico Heliocentrics, com o qual editou um álbum no ano passado, Jaiyede Afro. Também Toumani Diabaté, por muitos apelidado de "mestre da kora" (espécie de harpa maliana contendo 21 cordas), atuará no FMM, juntamente com o seu filho mais velho, Sidiki. Mas esta África não se fará apenas de tradição, já que os cruzamentos entre estas linguagens e a tecnologia e sonoridades modernas também estarão representados através da nigeriana Eno Williams, que lidera o coletivo Ibibio Sound Machine, vencedores do prémio revelação nos Songline Music Awards de 2015. O norte-americano Brian Shimkovitz, autor do blogue Awesome Tapes From Africa, onde se dedica a resgatar e reeditar cassetes de música tradicional africana, disponibilizando-as para download gratuito, regressa a Portugal para um DJ set onde se poderão ouvir pérolas esquecidas da música africana. Contudo, não é só em África que se escondem as maiores surpresas. A Ásia estará igualmente bem representada através de projetos como Alif, Trans-Aeolian Transmission, Yat-Kha e Iva Nova, cada qual fundindo o rock com as linguagens musicais tradicionais dos seus países de origem Líbano, China ou Rússia, nestes casos em concreto. Atravessando o Atlântico, encontramos os Troker e os La-33, mexicanos e colombianos que misturam este mesmo rock com paisagens jazz. Esquecendo por instantes a supremacia da guitarra elétrica, temos os italianos Cuncordu e Tenore de Orosei, agrupamento de canto polifónico da Sardenha. E nem Portugal foi posto de parte, já que Janita Salomé, Bruno Pernadas e Capicua também têm encontro marcado com o público de Sines. Os bilhetes diários estão já à venda, custando entre ¤10,00 e ¤15,00, com o passe geral a valer ¤40,00 - sendo que alguns dos concertos serão gratuitos. PAC Foto: FMM Sines Originalmente publicado na BLITZ FEST nº 7, grátis com a BLITZ de julho, nas bancas.