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Florence + The Machine no Super Bock Super Rock: Ainda se fazem estrelas como antigamente

A britânica Florence Welch dá um abraço gigante ao público português e deixa a MEO Arena aos seus pés: entre danças tresloucadas e transe coletiva, corre em soutien no meio da plateia.

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Se dúvidas ainda restassem, a confirmação chegou hoje: Florence Welch é uma das estrelas mais brilhantes do firmamento pop desta década. Cabeças de cartaz deste último dia de Super Bock Super Rock, os Florence + The Machine trouxeram a maior enchente ao festival e não só encheram a MEO Arena como deram um dos concertos mais vibrantes que vimos nos últimos tempos. Podem ser só cinco ou seis anos de percurso visível, mas a quantidade de êxitos que pontuaram o concerto desta noite são bem representativos do quão forte é a máquina criativa do projeto. Embora o novo álbum How Big, How Blue, How Beautiful tenha sido o prato principal, os momentos mais fortes dos dois álbuns anteriores estiveram (quase) todos cá e surpreendentemente, ou não, tudo casou na perfeição. "What the Water Gave Me" abriu o espetáculo de forma sóbria, mas a teatralidade dos movimentos de Welch, uma invulgar domadora de multidões - coisa que já havíamos vislumbrado há cinco anos, num concerto no palco da acolhedora Aula Magna - rapidamente deixou o público hipnotizado. Vestida de branco, descalça e praticamente sem maquilhagem, a artista atira-se de alma e coração a "Ship to Wreck", primeiro momento do novo registo, agitando os ânimos e sendo recompensada com uma gigantesca ovação. A forma como o grupo serve "Shake it Out", provavelmente o maior êxito da sua carreira, logo no início da atuação, é a prova de que já não há necessidade de guardar os tesouros para o fim. "Querem ser o nosso coro esta noite?". Nem era preciso perguntar. A viagem ao passado vai ainda mais longe, com "Rabbit Heart (Raise it Up)" a fazer Florence esticar a voz até ao limite e mais além, mantendo o público pelo beicinho: a primeira corrida no fosso que separa a plateia termina com a cantora empoleirada nas grades, colocando coroas de flores das fãs na cabeça. O batimento cardíaco desacelera ao som de "Cosmic Love", ainda no passado, e o regresso ao presente é feito ao som de "Delilah", um dos momentos mais enérgicos de How Big, How Blue, How Beautiful (com direito a espasmos, headbanging vigoroso, piruetas). Calvin Harris foi esta noite substituído pela força das guitarras e Florence apropriou-se totalmente de um "Sweet Nothing" que se veste de intimidade. Depois de uma saída breve, regressa com uma curta menção a "People Have the Power", de Patti Smith, seguindo depois para a apaixonada "How Big, How Blue, How Beautiful", que com um trio de metais sumptuoso ganha outro impacto em palco. A receção calorosa a "Queen of Peace", um dos momentos mais fortes do álbum, mostra que é uma das novas favoritas. "What Kind of Man", o cartão-de-visita de How Big, How Blue, How Beautiful, é o momento verdadeiramente rock da noite, levando a nova descida junto dos admiradores e acabando no chão do palco. "Drumming Song", mais as suas explosões de bateria, continua tão intensa quanto da primeira vez que a ouvimos e "Spectrum" segue diretamente para a pista de dança. O abraço que se impõe é dado pessoalmente a uma fã que puxa para dentro do fosso e depois replicado, e agigantado, em palco tendo como alvo todos os presentes no pavilhão. "You've Got the Love" e "Dog Days Are Over" ficam guardadas para o final e a intensidade é tal que depois de pedir aos fãs que se abracem e se livrem da roupa de que não precisam e a abanem por cima da cabeça "porque são livres", Welch dá o exemplo e, despindo a camisa, dá uma rápida corrida em soutien no meio da multidão e abandona o palco. O encore, claro, exigia-se. E chegou. De sorriso nos lábios, visivelmente satisfeita com a receção calorosa que recebeu esta noite, a artista salta de "Third Eye" - provavelmente o momento mais dispensável de todo o alinhamento - para o "velhinho" "Kiss With a Fist", levando o público a gastar os últimos cartuchos. "Muito obrigado. Foram incríveis. Até à próxima". A avaliar pelo calor que se fez sentir esta noite na MEO Arena, Florence não demorará outros cinco anos a regressar a solo nacional. Texto de: Mário Rui Vieira Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos