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Festival Med: Ferro Gaita lideram triunfo de África em Loulé

Numa noite de sábado que contou também com a nigeriana Nneka e o português de ascendência são-tomense DJ Marfox, o festival testemunhou o poder da música africana no presente.

África esteve em grande na derradeira jornada do festival Med, que levou muitos milhares de pessoas até Loulé. Sara Tavares representou Cabo-Verde como convidada da brasileira Gianna Viscardi no palco Castelo e Karyna Gomes vestiu as cores da Guiné-Bissau no mesmo palco Cerca que assistiu à prestação funky de Baloji, cantor vindo da República Democrática do Congo. Mas foi no palco principal do Med, o Matriz, que o continente africano se viu consagrado mais intensamente com enchentes monumentais para assistirem às prestações da nigeriana Nneka, dos cabo-verdianos Ferro Gaita e do português de ascendência são-tomense Dj Marfox. Os Ferro Gaita foram os incontestados reis da noite. Os cabo-verdianos são mestres do funaná, uma espécie de punk africano - género de bpms muito rápidas, apoiado na interacção entre a gaita, nome popular atribuído à concertina, e o ferro, instrumento típico desse género, barra de ferro que emite um som agudo e que é percutida como se fosse um reco-reco. Iduino (gaita) e Bino (ferro) lideraram um colectivo sem guitarra feito de baixo, trombone e percussões que impôs a festa no recinto do palco Matriz. A interação entre Iduino e Bino é impressionante e contagiante. O ritmo rápido que impõem ao resto da banda torna a dança irresistível, mas a sua dinâmica física em palco - sobretudo os atléticos saltos de Bino - é igualmente apelativa e perfeita para estes contextos de grande público. os Ferro Gaita poderão, aliás, estar na linha da frente na recuperação em marcha do funaná (ver outra notícia). Recorrendo a clássicos, com espaço até para uma homenagem aos Tubarões Azuis, a selecção de futebol de Cabo Verde. Os Ferro Gaita contaram com um convidado especial: Dino d'Santigo, cantor com uma longa carreira ligada a géneros mais urbanos - passou pelos Expensive Soul e Nu Soul Family - que mais recentemente se reinventou indo ao encontro das suas raízes cabo-verdianas. Algarvio, e a jogar em casa, portanto, Dino fez questão de frisar que estava perante a sua família, que não quis perder a oportunidade de o ver a dividir o palco com verdadeiras lendas vivas de Cabo Verde. Com espaço para improviso, a fase final da actuação dos Ferro Gaita com Dino d'Santiago em palco foi absolutamente imparável e impôs a festa a uma vasta plateia onde a comunidade cabo-verdiana se fez representar em peso. Um triunfo para África nesta edição 2015 do Med. Texto: Rui Miguel Abreu