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Father John Misty: sexo simbólico no Vodafone Paredes de Coura

Joshua Tillman segurou o público minhoto pelas ancas. E pelo cabelo. E pela barba. Não foi um concerto de sacar poeira (parece-nos que há muitos adeptos de Tame Impala à espera de que algo aconteça), mas Coura vai recordá-lo com saudades.

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Ele desliza pelo palco como se tivesse cera nos pés. Vemo-lo tão cabeludo como quando o conhecemos, nos idos de 2013 (Fear Fun, o álbum), ano em que o em tempos baterista dos Fleet Foxes decidiu adotar a roupagem de padre místico, cantor/compositor saído da casca e pronto para abraçar (e beijar e copular com) a carne. Clama, esbraceja, prostra-se em "I Love You Honeybear", arranque de concerto que mais parece grand finale. Temos homem. Logo a seguir, gritos femininos nas grades, deus nos acuda que aqui está um homem que tirará a qualquer festivaleiro heterossexual a hipótese de ter sorte esta noite. Segue-se festim de folk-rock tornado aparato de casino (nos 70s, tempo de vida ou morte), canções maiores do que a vida de todos os dias prontas para degustação intensa. "Strange Encounter", outro mimo do segundo álbum, é servido com maior contenção. Tillman tanto lhe dá para a euforia esbaforida como para sentidos momentos de compenetração. E chega "Only Son of a Ladies Man", a canção que o leva às grades , atacada com apetite felino, temos homem e temos ancas (mas agora temos sobretudo ancas em dança de charme malandro) e é por esta altura que aqui ao lado alguém bem apessoado larga a deixa: "deve ser um sacana". A necessitar agitação depois de um bem bonito "The Night Josh Tillman Came to Our Apartment", o nosso sacana preferido da noite engendra movimento country com "I'm Writing a Novel", para depois se entrega ao sarcasmo ácido de "Bored in the USA". O povo lá à frente retribui a ironia com isqueiros acesos e, no final, é Tillman quem "arde", segurando um telemóvel em cujo ecrã se reproduz, fielmente, uma chama de isqueiro. Aproveitando a ligação, puxa de outro smartphone e filma-se a si próprio, farta-se do expediente e acerca-se de uma bandeira portuguesa que coloca por pouco tempo ao pescoço. Tanta informação, caramba. Corre-se depressa para o final com "Hollywood Forever Cemetery Sings" e "This Is Sally Hatchet" (velho comparsa de ofício encontra-lhe linhagem "beatlesca" via Sgt. Peppers e não está senão certo) e, pouco depois de um final mais roqueiro e provavelmente menos caloroso do que o arranque, as luzes acendem-se a está feito um sacana de um concerto. Texto: Luís Guerra Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos