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Father John Misty hoje no Vodafone Paredes de Coura: "Há dias em que me sinto um pouco autodestrutivo, mas isso é narcisismo"

Joshua Tillman regressa hoje a solo nacional para apresentar I Love You, Honeybear, editado em fevereiro. A BLITZ falou com ele.

Father John Misty, o projeto do norte-americano Joshua Tillman, sobe esta noite ao palco principal do festival Vodafone Paredes de Coura (21h20) para apresentar o álbum I Love You, Honeybear, editado em fevereiro. A BLITZ falou com ele e pode ler um excerto da entrevista abaixo.

Aquando do primeiro disco, disse ter uma atração mórbida por dar às pessoas o que elas não esperam. Mantém-se essa atração?

Não tanto. Agora é diferente, já tenho um público. E estou a crescer como artista, não quero continuar onde estava com o Fear Fun, nem posso. Tenho de reconhecer a realidade da minha situação, que é: agora tenho uma audiência, ocupo um certo espaço. Na canção "Now I'm Learning To Love The War", do primeiro disco, quando digo "how much oil it takes to make a record" - é sobre isso. O que vou fazer com este espaço, com estes recursos? Vou continuar a choramingar sobre a minha própria crise, ou vou fazer algo de novo? Estou a tentar evoluir para aí. Caminhar para fazer algo com sentido.

Diz que tem uma faceta autodestrutiva. Ela manifesta-se quando está a fazer música?

Há dias em que me sinto um pouco autodestrutivo, mas isso é narcisismo. O comportamento autodestrutivo surge quando não conhecemos o nosso próprio valor. E aí torna-se fácil, porque é fácil destruir alguma coisa que não tem valor. Mas o verdadeiro desafio de ser humano é cultivar uma alma. Temos de criar uma alma para nós mesmos, temos de criar um significado e um valor. Seja através da intimidade, ou da arte, se eu cultivar este sentido de valor, então a autodestruição torna-se menos apelativa. Há  dias em que isso é mais difícil, porque o mundo não quer que tenhas valor próprio; quer que te sintas insignificante, e sem valor, para que continues a comprar as suas merdas. Porque a partir do momento em que tens algum tipo de valor próprio, deixas de precisar da ideologia, da religião, de todas as traquitanas que te querem impingir.

Entrevista realizada por Lia Pereira e publicada na BLITZ de março.