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Elas dão cor à música - veja as ilustrações de Cláudia Guerreiro (Linda Martini), Mallu Magalhães e mais

Música e imagem sempre andaram de mão dada - Mallu Magalhães, Rita Redshoes, Cláudia Guerreiro (Linda Martini) e a ilustradora Inês Caldas falam-nos da forma como unem as duas artes.

Nascida há 22 anos em São Paulo, Mallu Magalhães tem dividido os últimos anos entre o Brasil e Portugal, onde vive com o marido, Marcelo Camelo. O casal e o seu amigo Fred Ferreira são a Banda do Mar, cujos belíssimos cartazes de concertos não demoraram a chamar a atenção de quem os segue nas redes sociais. A autora das ilustrações, Mallu, garante que nunca estudou Belas Artes, mas que a paixão que tem desenvolvido pela ilustração faz com que sonhe, um dia, dedicar todo o seu tempo a ela. Na altura de criar um poster, a cantora e compositora inspira-se nos elementos da cidade onde vai tocar, usando sobretudo aguarela mas também caneta hidrográfica: "é sempre tudo feito à mão, com alguns retoques digitais". Quando desenha para outros artistas e nesse contexto já teve "o privilégio de trabalhar com o Tom Zé, grande ídolo" a brasileira tem de aproximar-se "do universo do artista". Quando cria para a "casa-mãe", tem "um pouco do caminho andado, já que sou parte da banda e sinto-me ainda mais em sintonia por conhecer tão bem os meus dois parceiros ". É da sua mente que nasce a identidade visual da Banda do Mar, especialmente feminina... ou não? "Por incrível que pareça, esforço-me bastante para representar a masculinidade da banda. Mas sei que tenho em mim muita feminilidade. Por mais masculino que seja o elemento (como no desenho do tigre, ou do monstro) o meu traço entrega-me!".

Um dos belos cartazes desenhados por Mallu Magalhães Sonhos de uma Rapariga Quase Normal é o primeiro livro de Rita Redshoes. Nas lojas desde maio, a obra reúne uma série de sonhos da artista portuguesa, acompanhados por ilustrações também da sua autoria. O deleite orientou todo o caminho, diz-nos Rita: "Fui fazendo ilustrações ao longo dos anos por puro prazer. Diria até que continua a ser uma atividade lúdica para mim: um regresso à infância e aos momentos que passei a pintar livros de colorir. Mas só quando este livro se tornou real na minha cabeça é que me dediquei a ilustrar as imagens que tinham aparecido nos sonhos através de recortes de revistas, num processo altamente naïf, sem preocupação séria do ponto de vista artístico". Quanto aos sonhos partilhados no livro, a sua "dona" apresenta-os como fruto de um "subconsciente ativo e surreal. Cedo percebi que não teria imaginação (consciente) para bater o produto do meu inconsciente".

Em Sonhos de uma Rapariga Quase Normal, Rita junta sonhos e ilustração Baixista dos Linda Martini, Cláudia Guerreiro estudou Escultura e faz "ilustração, escultura, cenografia, marionetas e adereços para cinema de animação", mediante encomendas para publicidade, cinema ou teatro. Graças ao convite da Casa Independente, em Lisboa, passou também a criar cartazes para concertos e a ilustrar menus daquela mesma sala, onde funciona um restaurante. Apesar de ser música, Cláudia acredita que isso não a influencia na hora de criar um dos seus vibrantes posters. "Onde a música realmente interessa, nessa ligação com a ilustração, é nas capas dos discos", diz a autora de capas de Filho da Mãe, Márcia ou Linda Martini. "Uma capa de disco não é só uma capa, é todo o objeto, e a procura do sentido do disco leva-me quase sempre à solução de imagem. Aqui não é a forma que interessa mas sim o conteúdo, a intenção. No fundo, música e imagem completam-se".

Cláudia Guerreiro, dos Linda Martini, faz posters para a Casa Independente Inês Caldas começou a fazer retratos de artistas há dois anos, como espectadora do NOS Primavera Sound. A estudante de Pintura aplicou o gosto pelo desenho aos muitos concertos que foi vendo e as entusiastas reações ao primeiro retrato de St. Vincent levaram-na a continuar. Hoje, vende sacos de pano pintados à mão com a figura de numerosos músicos, nacionais e internacionais, numa banca na Rua de Santa Catarina, no Porto. A acompanhar os sacos com a cara de Sharon Van Etten, Patti Smith ou Devendra Banhart surge habitualmente a frase de uma das suas letras: "Todos os artistas que retrato são artistas que admiro", diz, "por isso a escolha [da citação] passa pelo meu gosto. As frases fazem parte de uma espécie de diário, que muito subtilmente se torna no meu". Nesta aventura, que pode acompanhar na página de IC.Illustration no Facebook, já há uma campeã ("O desenho da Amy Winehouse é o mais procurado") e histórias caricatas para partilhar: "Já "apanhei" a Capicua e os We Trust a partilhar na net os meus desenhos. Foi ótima a sensação!".

Inês Caldas, estudante de Pintura do Porto, vende sacos ilustrados Artigo publicado originalmente na BLITZ 108 Imagem de destaque: poster de Mallu Magalhães para Banda do Mar