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Eagles of Death Metal falam sobre atentado no Bataclan: "O Bono ligou-me para saber como eu estava e rezou comigo ao telefone"

Jesse Hughes fala sobre o regresso aos palcos no concerto dos U2 e Josh Homme promete atuar mais vezes com a banda no futuro.

Jesse Hughes e Josh Homme, os dois elementos fixos dos Eagles of Death Metal, falaram sobre o atentado no Bataclan durante um concerto da banda, há pouco mais de um mês, e sobre o regresso aos palcos num concerto dos U2, também em Paris, algumas semanas depois, agradecendo todo o apoio que o grupo irlandês (e não só) lhes tem dado. "Estou muito sensibilizado com o verdadeiro sentido de comunidade que experienciei no rock & roll", diz Hughes. 

Em entrevista à Rolling Stone, Hughes recorda que no dia seguinte aos atentados terroristas de Paris, o vocalista dos U2 lhe telefonou: "o Bono ligou para saber como eu estava e rezou comigo ao telefone", começa por dizer o vocalista, "ele sabe que sou cristão e também sabe que sou um menino da mamã. Logo no dia a seguir chegou um estafeta com um telefone que tinha uma nota que dizia 'isto é do Bono. Vê se telefonas à tua mãe'. Achei fantástico. Foi a primeira vez que consegui falar com a minha mãe sem estar numa esquadra da polícia e isso foi tudo para mim naquele momento". 

O músico diz também que o vocalista da banda irlandesa lhe deu conselhos "ligou-me depois e eu senti que ele era a melhor pessoa a quem pedir conselhos sobre como lidar com aquilo, porque ele é alguém que convive com líderes mundiais. E rezou comigo ao telefone. Conseguiu com que eu deixasse de pensar naquilo e depois os U2 visitaram o espaço de homenagem às vítimas e entregaram letras nossas que pensaram apropriadas. Isso, em particular, foi importante para mim porque queria mesmo estar lá. Não queria estar num espaço seguro. Orgulho-me muito de ser muito próximo dos meus fãs. Conhecia pessoalmente muitas pessoas que não sobreviveram e esse pequeno detalhe foi muito importante para mim. Eu não sabia se algum dia conseguiria voltar a subir a um palco". 

Mas voltaria e num concerto dos U2 em Paris. As duas bandas tocaram uma versão de "People Have the Power" de Patti Smith e depois os Eagles ficaram sozinhos em palco para tocar "I Love You All the Time", a canção que se seguiria no alinhamento do concerto no Bataclan se este não tivesse sido interrompido. "Os U2 estavam a certificar-se que algo em nós não tinha morrido. Eles teriam atingido o seu objetivo se tivessem tocado aquela música connosco. Não tinham de nos oferecer o palco para a última canção. E fizeram-no. Tomaram conta de nós. Foram genuínos e sinceros e ficaram muito orgulhosos dos nossos feitos".  

Entretanto, os Eagles of Death Metal lançaram uma campanha para ajudar as famílias das vítimas do atentado no Bataclan, pedindo a várias bandas para fazerem as suas versões de "I Love You All the Time". Os royalties e o dinheiro angariado com o streaming e venda das versões reverterão para elas. Entre os artistas que já gravaram o tema, contam-se os Imagine Dragons, as Savages, Florence + The Machine com os Maccabees, Ed Harcourt ou Pearl Jam.

Josh Homme, que não estava no concerto dos Eagles of Death Metal em Paris, assegura, nesta entrevista à Rolling Stone que vai tentar estar mais vezes em palco com a banda. "Há um renovado sentido de urgência, aquele sentimento de 'preciso de estar lá'. E, no fundo, os Eagles of Death Metal são dois gajos, eu e o Jesse, dois gajos que andaram juntos na escola secundária", diz o músico, "esteve sempre nos meus planos tocar ao vivo tanto quanto possível, agora é um plano com um ponto de exclamação no fim em vez de um ponto final".

Recorde-se que os Eagles of Death Metal deveriam ter tocado em Lisboa este mês mas cancelaram devido ao atentado. A data foi entretanto remarcada e a banda regressa a Portugal no dia 5 de março para tocar no Coliseu dos Recreios - os bilhetes estão à venda e custam 26,00 euros. A digressão intitula-se agora "Nos Amis Tour".