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E se encontrar uma estrela pop num site de dating?

2015 foi o ano em quem os sites de encontros passaram a não ser vistos como um "segredo sujo". E em que as estrelas da música invadiram o "social media" de encontros para se promoverem.

Lançado em 2012, o Tinder - aplicação de localização de pessoas para encontros românticos que cruza informações do Facebook - começou por ser retratado como um "segredo sujo" para os aspirantes à prática da poligamia. Não que não haja neste mundo um número suficiente de solteiros que, legitimamente, queiram agilizar a sua vida romântica - mas a percepção pública de tamanho avanço tecnológico foi encarado, por boa parte dos analistas do fenómeno, como um tamanho facilitador de sexo em situação de infidelidade. Soaram os alarmes: foi para isto que se criou a internet? Três anos depois, o Tinder tem mais de 100 milhões de utilizadores em todo o mundo e não há personagem 'encalhada' ou subitamente abandonada em série de televisão que não puxe do telemóvel para encontrar o parceiro ideal - lembramo-nos da 'recently dumped' companheira de vida do escritor da série The Affair a ser outra vez 'dumped' após um encontro marcado via Tinder à qual falta o (des)interessado masculino (quem a ajuda no manejo da aplicação é a filha de 18 anos, público-alvo primordial do Tinder) Em 2015, o Tinder é também uma ferramenta de marketing que, escreve Gabriela Tully Claymore no Stereogum, se está a transformar numa tendência a ter em conta. E atribui a aceitação da plataforma às ditas campanhas de marketing. "Da mesma forma que o Snapchat se expandiu a conteúdos noticiosos e o Facebook têm os sites e as revistas a publicarem diretamente ali, as plataformas de encontros româmticos começaram a adotar artistas populares como forma de promover o seu produto". É dado como exemplo o vídeo de Hillary Duff para a canção "Sparks", co-escrita por Tove Lo: retrata a vida amorosa recente da artista, recém-divorciada, e a precisar de mostrar que ainda é relevante. No vídeo, Duff está aos microfones de uma rádio a explicar por que razão se interessou no Tinder e a dizer ao apresentador que "quer saber o que é que faz com que nos liguemos a alguém. O que é que nos faz faísca". E sim, o que se mostra no vídeo (ficcional, lembremo-nos) é uma artista famosa e atraente a recorrer a um serviço que, há três anos, estaria - na perceção pública - pejado de pervertidos, frustrados e infiéis. Aí está Duff a querer projetar uma imagem de uma (recentemente) disponível mulher ainda jovem, a querer comer uma pizza com alguém que viva próximo dela em Nova Iorque. A querer faiscar.

Também os Weezer, em colaboração com os Best Coast, levaram o Tinder (disfarçado, sem 'endorsement' direto) para um vídeo musical: em "Go Away", Rivers Cuomo cria vários perfis na aplicação (fictícia) "Winder" na esperança de convencer o seu amor, Bethany Cosentino, a aceitá-lo de volta. Mais tradicional é a movimentação de Mariah Carey, artista de 45 anos, distante do target do Tinder (18-25). Para promover o single "Infinity" foi criado um perfil de Mariah Carey no match.com - lançado há 20 anos! - e nele vemos uma Mariah em busca do parceiro ideal através de "matches" com o seu perfil. Acaba a escolher o cão ao dono.

Claro que, aponta Claymore, Mariah Carey não precisa de um perfil num site de encontros: "ela está vender um produto que é o seu novo single, ainda espantosa, ainda relevante enquanto artista que tem dores do coração e também se vai abaixo como todos nós". Sublinhe-se: "como todos nós". Eis a normalização do Tinder, do Match.com e de mais uns quantos. Se Mariah Carey ou Hillary Duff estão lá, porque razão não devo lá estar eu também?