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Do Peru ao Saara, de Portugal a Israel: o mundo todo cabe em Loulé

Várias são as "estradas" que vão dar ao festival Med. Com partida em todo o mundo. Ontem houve Balkan Beat Box (foto), Danças Ocultas, Ester Rada e Cumbia All Stars, entre outros.

O "Allgarve" das campanhas de marketing pode também significar um espaço geográfico onde cabe todo o mundo. E ontem, ao percorrer os diversos palcos por onde se dividiram as propostas musicais do segundo dia do Festival Med, sentiu-se exactamente que nas pequenas ruas de velha medina islâmica de Loulé pode caber um mundo muito mais vasto. No palco Castelo, por exemplo, começaram por se apresentar os portugueses Danças Ocultas juntamente com a brasileira Dom La Nena. Concertinas e violoncelo num casamento perfeito que arrancou danças tranquilas a alguns casais mais apaixonados e vívidos pedidos de "encore" a um público rendido ao respirar particular desta música. Aziza Brahim, que se dirigiu ao público em castelhano, trouxe sons e palavras do Saara Ocidental, trajando tradicionalmente de cabeça coberta, cantando e tocando um tambor muito especial enquanto atrás de si uma banda, com baixo, guitarras acústicas e mais percussão, ia evocando o calor do deserto na quente noite algarvia. No palco Cerca já se tinha apresentado a fadista Raquel Tavares e, mais tarde, em jeito de remate da noite, ainda haveria de por aí se impôr a festa globalizante dos Balkan Beat Box, que chegam de Israel e dos Estados Unidos. Israel também ofereceu ao público do palco Matriz a cantora Ester Rada, mas a festa nesse espaço pertenceu obviamente aos Cumbia All Stars do Perú que trouxeram até Loulé uma visão tradicional do género que hoje vai conquistando mundo contaminado de electrónicas. Mas o epicentro do terramoto rítmico e ideológico que ontem se fez sentir no MED tem mesmo que ser atribuído ao espectáculo de Batida sobre o qual desenvolvemos algumas ideias aqui ao lado. Havia, a circular nas apertadas ruas do centro histórico de Loulé, muito mais gente, o que permite concluir que o Med goza de óptima saúde à sua 12ª edição. Prevê-se portanto enchente séria para a derradeira jornada do festival que apresentará concertos de Ferro Gaita, com participação de Dino D'Santiago (Cabo Verde), Nneka (Nigéria), Baloji (Congo) ou Tiago Bettencourt. Texto: Rui Miguel Abreu