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Dick Dale: 'Se parar de tocar ao vivo, morro - literalmente'

O veterano do surf rock deu uma entrevista, explicando que dá concertos para poder pagar os tratamentos médicos.

Dick Dale, veterano músico norte-americano associado ao movimento surf rock, deu uma entrevista na qual explica que continua a dar numerosos concertos para poder fazer face às despesas médicas. Dale teve cancro retal duas vezes, tendo tido que retirar parte do estômago e dos intestinos e usando presentemente um saco de colostomia. Nascido em Boston em 1937, o guitarrista sofre ainda de diabetes e encontra-se em falência renal. Ao Pittsburgh City Paper, Dale revelou que as suas vértebras estão tão danificadas que o simples ato de estar de pé o faz sentir que tem "uma espada enfiada na espinha". No entanto, o músico continua a tocar ao vivo para poder pagar os tratamentos dos seus múltiplos problemas de saúde. "Não posso parar de andar em digressão, ou morro. Física e literalmente, morro. Todos os meses, tenho de juntar 3 mil dólares [cerca de 2700 euros] para pagar os medicamentos de que preciso para me manter vivo, além de pagar o seguro... Claro que gostava de ficar em casa e de passar tempo com a minha mulher no Havai, mas para sobreviver preciso de tocar ao vivo. Há 15 anos que vivo assim, mas ainda abro os olhos todas as manhãs". "Tenho de ser empurrado para subir ao palco, porque sozinho não consigo. Há uma parte no meu concerto em que toco bateria, e o meu baterista puxa-me o braço e o meu roadie empurra-me o rabo para eu subir. Mas chego lá", ilustra.
Além das dificuldades financeiras, Dick Dale diz que outra das razões para continuar a tocar é transmitir alguma esperança a pessoas que também têm problemas graves de saúde. "As pessoas vêm aos meus concertos e mostram-me as suas cicatrizes. Já tive miúdos paralisados em macas que me querem ver e eu falo com todos. (...) Digo às pessoas: não tenham medo de morrer. Quando a nossa mente deixa o corpo, é bonito e não devem ter medo disso. Não deixem que o medo de morrer afete a forma como vivem. Usem o medo como motivação para andarem para a frente, independentemente da dor que sentem. É isso que eu faço em palco. Não tenho medo de morrer porque, daqui, tudo é bonito". Na mesma entrevista, citada pelo Stereogum, Dick Dale diz que se recusou a cancelar a atual digressão e que pretende morrer em palco, "numa explosão de pedaços do corpo". Getty Images