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David Fonseca elogia escola pública: 'Aprendi mais coisas fora das aulas do que lá dentro'

Hoje em Lisboa, amanhã no Porto, David Fonseca apresenta o novo Futuro Eu. Leia aqui parte da entrevista à BLITZ de novembro, já nas bancas.

David Fonseca apresenta o seu novo disco, Futuro Eu, hoje no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e amanhã na Casa da Música, no Porto. Ambos os concertos começam às 21h e os bilhetes custam entre 10 euros e 20 euros. O músico de Leiria é um dos entrevistados da BLITZ de novembro, hoje nas bancas. Além da conversa com a nossa revista, David Fonseca protagonizou uma sessão fotográfica exclusiva, posando para a câmara de Rita Carmo na pista de bowling do Centro Comercial Colombo, em Lisboa. Leia aqui parte da entrevista de David Fonseca à BLITZ 113, já nas bancas (capa: Kurt Cobain). Diz que insistiu que a sua filha fosse para a escola pública. Porquê? A escola dela é uma confusão de pessoas, estratos e etnias! A melhor amiga da minha filha é bielorrussa. E eu espero que este encontro de pessoas de sítios tão radicalmente diferentes seja o que a escola pública foi para mim. Vivia numa aldeiazita em Marrazes, criado na religião católica, numa redoma. De repente vou para a escola pública de Marrazes e metade da minha turma são retornados de África. Para os pais era tudo muito confuso, para os putos era simples: eram todos putos. Aprendi mais coisas na escola pública, fora das aulas, do que lá dentro. Se não tivesse conhecido aquelas pessoas todas, talvez hoje não fosse capaz de subir a um palco. Era um magricelas e havia sempre gente a bater-me, até que um desses putos maiores, que já tinha sido suspenso umas sete vezes e feito coisas horríveis, engraçou comigo e disse-me: não podes deixar que te façam essas coisas. Eu disse que não podia fazer nada, e ele: mas não precisas de fazer nada. Eles só precisam de acreditar que estás disposto a fazer; se acreditarem, nunca mais te fazem nada. Vais ter com eles e dizes: se queres andar à pancada, vamos andar agora. Eu fui, empurrei um deles e disse: vamos andar à porrada agora! E eles: não, não, está tudo bem! E ficaram meus amigos para o resto do ano. Aprendi uma coisa valiosíssima: tu és onde estás disposto a ir. Vivemos num mundo tão insano de falta de fé que, quando vês alguém a dizer "isto vai acontecer", as pessoas acreditam. Toda a minha vida é um retrato disso. Os Silence 4 são um retrato disso.