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Dave Matthews Band de corpo e coração na Meo Arena, em Lisboa: fotos e texto

Maratona de música arrebatou esta noite a Meo Arena, em Lisboa. Veja as fotos e saiba como correu o concerto, ao qual acorreram 15200 pessoas (números da organização).

Dave Matthews Band na Meo Arena
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Dave Matthews Band na Meo Arena

Acaba por ser injusto reduzir um concerto de Dave Matthews Band a números mas, apenas porque estes nos ajudam a ter uma perspetiva do que se passou na Meo Arena, numa noite chuvosa de domingo, seguem alguns factos frios e objetivos: tendo entrado em palco às 20h15 (à hora prevista para o concerto começar, 20h, ainda havia muita gente a entrar na sala), os norte-americanos despediram-se do público português quatro horas depois. Mesmo tendo em conta o intervalo de meia hora que fizeram entre sets, sensivelmente pelas 21h30, a calculadora diz-nos que os espectadores que quase encheram a Meo Arena, oriundos de várias partes do país, receberam em troca da sua dedicação 210 minutos de música. Algures entre "aquele" concerto dos Cure no Alive e a aparição de Bruce Springsteen no Rock in Rio (onde, por vezes, acreditamos ainda estar a tocar), o espetáculo não se limitou, porém, à épica duração, conquistando também os fãs pela entrega da banda, em arranque de nova digressão europeia, e pela habitual mas sempre bem-vinda mestria dos músicos em palco. Para ver o timoneiro Dave Matthews e a sua banda - o herói Carter Beauford na bateria (e nas costas da t-shirt de pelo menos um fã), Stefan Lessard, o "benjamim" da banda, no baixo, Boyd Tinsley no violino (e nos óculos de sol), Tim Reynolds na guitarra, Rashawn Ross no trompete e Jeff Coffin no saxofone - os admiradores jantaram cedo e cearam tarde. Sob uma emocionante ovação, os norte-americanos entraram em palco devagarinho e discretamente, contrastando na sua postura com a efusividade dos aplausos. Longe dos olhos nacionais desde 2009, altura em que se apresentou no festival Alive, a Dave Matthews Band escolheu arrancar para esta maratona com uma bela interpretação de "Warehouse", canção incluída naquele que é o seu primeiro álbum oficial, Under The Table and Dreaming (ainda que um ano antes deste disco de 1994 tenham lançado Remember Two Things, com várias canções em comum). Não o sabíamos neste começo de concerto, mas estava lançada a pista para boa parte do que se seguiria: para gáudio e surpresa dos fãs de primeira hora, seria Under The Table and Dreaming - o disco de "Ants Marching", "Satellite" ou "Dancing Dancies" - o trabalho mais representado da noite. Quem tiver ido à Meo Arena em busca de êxitos radiofónicos mais recentes poderá, à exceção de "If Only", ter-se sentido defraudado; quem por seu turno vibrou com os primeiros lançamentos do grupo (Under The Table and Dreaming e o seu sucessor, Crash, de 1996) e, nos últimos anos, perdeu o fio à meada aos discos da DMB (confessamos pertencer a esta "turma") teve uma agradabilíssima surpresa. Mas voltemos, então, ao início da noite: enquanto ao nosso lado, entre o contentamento e a estupefação, um fã nortenho exclama "Se fosse para trabalhar não estava aqui tanta gente!", a banda põe na mesa todos os ingredientes com que, desde a alvorada dos anos 90, cozinhou a sua imagem de marca. Há a voz de Dave Matthews, servindo de forma adequadamente poderosa ou frágil as canções, num contínuo de forma que nos lembrou a recente passagem da velha raposa Sting por esta mesma sala, no Super Bock Super Rock; há aquela mescla de pop/rock, folk e jazz, resultando num som mestiçado que hoje pode parecer relativamente comum mas, em plena década do grunge, era uma lufada de ar fresco; há um palco sem grandes adornos mas ao fundo do qual, a seu tempo, serão projetadas belíssimas imagens. No início são as canções e, sem qualquer demérito para outro tipo de espetáculo mais visual, não deixa de ser comovente ver como o público celebra cada minuto de uma música servida com tão poucos acessórios. Juntamo-nos também à voz do companheiro de redação que cobriu o concerto de Patti Smith no Coliseu de Lisboa: é diferente ver uma banda ou um artista num festival, com o público naturalmente disperso e muitas vezes desatento, ou numa sala para a qual os fãs confluíram com vontade e exclusividade. Já tínhamos saudades. Quando "Warehouse", a primeira canção da noite e da nova digressão europeia destes gigantes da estrada, chega ao fim já uns bons dez minutos se terão passado. Venerada por muitos e desprezada por outros tantos, a queda da Dave Matthews Band pelos longos solos e jams fez-se sentir ao longo do serão, pondo em evidência os talentos dos músicos dos sopros (recorde-se que Jeff Coffin, nos saxofones, veio substituir LeRoi Moore, membro fundador da banda desaparecido há sete anos), mas também do violinista Boyd Tinsley, que travou longos duelos com Dave Matthews, e do aplaudidíssimo Carter Beauford, na bateria. Amigo de longa data de Dave Matthews, com quem amiúde colabora em disco e ao vivo, Tim Reynolds também teve direito a protagonismo, nomeadamente em "Bartender", canção que partilhou com o "compadre" na guitarra acústica, no começo do segundo "ato". Mas já lá vamos. Como num filme longo, cujos encantos se vão revelando lentamente e as histórias se deslindam com vagar, também as projeções foram dando um colorido adequado ao espetáculo. Depois de um inédito intitulado "Black and Blue Bird" (a banda estará a trabalhar no sucessor de Away From The World, de 2012), chegou um dos primeiros pontos altos da noite: "Dancing Nancies", uma das joias de Under The Table and Dreaming, pôs o ex-Atlântico a cantar e voou, nas asas do violino de Boyd Tinsley, pelo menos até à margem sul do Tejo. Tempos houve em que a Dave Matthews Band era um segredo (demasiado) bem guardado em Portugal mas, a julgar pelo êxito dos concertos nesta sala (o primeiro dos quais em 2007) e no Alive, o culto em seu redor é hoje coisa séria e solidificada. A funky "Belly Belly Nice" e o regresso a Before These Crowded Streets, com a celebrada "Crush" , foram outros belos momentos da primeira parte da "partida", que teve ainda o mérito de recordar o encanto da Dave Matthews Band numa escala mais micro: "Lover Lay Down" e "Satellite", ambas do disco campeão da jornada, Under The Table and Dreaming, e ambas adoráveis na sua doce contundência pop. Depois de um intervalo de cerca de meia hora (para o público beber "uma cerveja", sugeriu Dave Matthews em português), o regresso fez-se em pezinhos de lã: primeiro ao piano, depois na guitarra acústica e por fim partilhando o palco com Tim Reynolds, o músico nascido na África do Sul fez valer o seu timbre rouco, mostrando porém que a banda pode ter o seu nome, mas é à alquimia dos companheiros que vai buscar identidade. Nunca abrindo mão daquele sorriso malandro de quem guarda um segredo enquanto partilha canções com um mar de gente, Dave Matthews reuniu-se então com os parceiros, injetando novo sangue no espetáculo: "Seek Up", inesperado e gostoso regresso a "Remember Two Things", abriu porta a uma sequência poderosíssima: "Don't Drink The Water", que em 1998 foi o primeiro single de Before These Crowded Streets, soa-nos melhor hoje do que então, com a urgência da mensagem ecológica a coincidir na perfeição com as imagens projetadas. E "#41", pérola resgatada a Crash e possivelmente a nossa canção predileta do catálogo da banda, brilhou nas alturas, antecedendo a dupla "So Much To Say"/"Too Much", apresentadas quase como medley, e novos e festivos regressos a Under The Table and Dreaming, em "What Would You Say" e "Jimi Thing". Talvez seja apenas o apego típico que sempre dedicamos aos álbuns pelos quais começamos a ouvir certa discografia, mas parece-nos que, em 2015, este debute de 1994 e suas canções aparentemente naïf, mas de densidade lírica considerável, continuam a fazer um brilharete. Já havia quem saísse da Meo Arena, preocupado em tirar o carro de parques que fechavam à meia-noite, quando a Dave Matthews encerrou o segundo set com uma dupla visita benfazeja a Before These Crowded Streets ("Pantala Naga Pampa" e "Rapunzel"). Mas nem ao cabo de 23 canções os fãs estavam dispostos a deixar a banda partir para o seu próximo compromisso, amanhã em Madrid. Pedido com fervor e muitos telemóveis ligados no ar, em modo pirilampo, o encore chegou então. As pernas que alguns já mal sentiam agitaram-se para receber, dançar e festejar "Ants Marching", uma das canções mais emblemáticas da DMB: além de figurar no seu álbum de estreia, é a primeira faixa - então gravada ao vivo - do embrionário Remember Two Things, de 1993. Acabar pelo começo, porque não, a pensar no dia de amanhã e, como diria o Chico Buarque de "Cotidiano", na "vida para levar". "When all the little ants are marching / red and black antennae waving / they all do it the same / they all do it the same way", cantou Dave Matthews, 48 anos de frescura à meia-noite e picos. Para boa parte das formiguinhas na Meo Arena, amanhã é dia de trabalho mas, enquanto esta sensação de festa perdurar, a semana será mais fácil de enfrentar. Texto de: Lia Pereira Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos