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Chet Faker acelera corações e canta Van Morrison num Coliseu dos Recreios esgotado [texto + fotos]

Artista australiano foi recebido de braços bem abertos na sala nobre lisboeta por uma multidão com a lição bem estudada.

Chet Faker no Coliseu de Lisboa
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Chet Faker no Coliseu de Lisboa

Em Portugal, o fenómeno em torno do australiano Chet Faker pode muito bem ter começado no ano passado, com a sua muito elogiada atuação no NOS Alive'14, mas, quase um ano volvido, desenvolveu-se de forma quase inacreditável. Esgotado há meses, o concerto desta noite no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, obrigou à marcação de uma segunda data (amanhã, à mesma hora) e a avidez com que o público nacional se atirou aos bilhetes teve com certeza influência na contratação do músico para compor a terceira e última noite do NOS Alive'15: atua no palco principal, partilhando-o com Sam Smith e os Disclosure daqui a apenas oito dias. 

Com apenas um álbum na sua discografia, Faker não teve problemas em arrancar gritos de excitação à verdadeira multidão que encheu o Coliseu. Grande parte dos temas que compuseram o alinhamento tiveram direito a um acompanhamento de luxo que provou que os fãs lisboetas estudaram muito bem a lição. A receção foi completamente ensurdecedora e os ânimos não acalmaram enquanto o músico serviu um frenético "Cigarettes and Chocolate" que serviu para os dois músicos que o acompanham - um baterista e um guitarrista - ocuparem os seus lugares, quase sem serem notados.

Faker quebrou o silêncio e a voz encorpada ecoou pela primeira vez na sala nobre lisboeta com "Melt", parceria com Kilo Kish incluída em Built on Glass, o álbum de estreia editado no ano passado. A estética jazzy que o australiano imprime às suas canções ganha uma nova dimensão em palco, com os elementos trip hop a darem um colorido dançável que casa bem com os seus movimentos ligeiros e sedutores. "Release Your Problems" foi muito bem recebida e a balada intensa "Love and Feeling" resgatada ao EP Thinking in Textures, de 2012, e dedicada "a todos os amantes aqui esta noite", teve direito a uma grandiosa ovação.

"Vamos tentar uma coisa nova", avisa Faker antes de se atirar a uma versão encantadora de "Moondance", clássico de 1970 do irlandês Van Morrison que descambou em teclados dilacerantes. Quando chega ao emotivo "To Me", o músico já comanda a audiência, que tem completamente na mão, com a sua voz de ouro. O momento que se seguiu é a origem de tudo isto: "vou levar-vos ao passado", explica, ao preparar-se para atacar a versão de "No Diggity", dos Blackstreet, com que iniciou a sua carreira, há apenas quatro anos. Saltando para o meio do público, Faker pede a uma fã que traduza para português um pedido especial: quer que o Coliseu deixe as câmaras e os telefones de parte para conseguir, sozinho em palco, banhado a luzes vermelhas, melhor servir a sua visão do clássico r&b que pediu emprestado ao coletivo nova-iorquino. O resultado é deslumbrante e a colaboração da plateia, munida de isqueiros e vozes bem afinadas, torna o momento ainda mais especial.

Depois de "Drop the Game", retirado de Lockjaw, EP gravado a meias com o compatriota Flume, segue pelo exotismo sintetizado de "I'm Into You" e puxa pelo seu melhor falsete para acelerar corações ao som de "Blush", tema que o leva a brincar com o corta e cola e o auto-sampling na mesma mesa de mistura que o ajudou a abrir o concerto. A encerrar o corpo principal do alinhamento, esteve o epiléptico e alienígena "1998", um dos temas mais fortes de Built on Glass e um dos mais celebrados esta noite.

Depois de uma curta pausa, o encore é iniciado com a guitarra gingona do elétrico "Cigarettes and Loneliness", que ganha nova dimensão em palco, deixando a multidão em transe coletiva. A dramática balada "Dead Body" leva Faker a pegar na guitarra e, em modo jam session, encaminhar a "beautiful people" lisboeta até "Gold", um dos temas mais conhecidos que, obviamente, tem direito a coro gigante. Depois de "despachar" os músicos que o acompanham, sobe à plataforma mais elevada que se encontra em palco para, sentado ao órgão, enveredar por uma versão intimista, por vezes quase sussurrada, daquela que era, certamente, a canção mais aguardada da noite: "Talk is Cheap" levou os fãs à loucura e encerrou o concerto com chave de ouro. "Obrigado pelo vosso apoio. Vemo-nos para a próxima", despede-se. E a próxima é já amanhã. 

Texto: Mário Rui Vieira

Fotos: Dário Cruz