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Caetano Veloso mantém concerto em Israel: 'Cantei nos Estados Unidos durante o governo Bush e isso não significa que aprovasse a

O músico brasileiro, que em julho atua no EDP Cool Jazz com Gilberto Gil, respondeu a Roger Waters, que o tinha incentivado a cancelar concerto em Israel.

Numa longa carta, Caetano Veloso, que em breve regressa a Portugal com Gilberto Gil, para um concerto especial no EDP Cool Jazz, respondeu a Roger Waters, que lhe havia pedido que cancelasse uma atuação em Israel. Publicada no jornal Globo, a missiva de Caetano Veloso expõe as razões pelas quais a dupla mantém o seu concerto em Israel, a 28 de julho. O veterano baiano lembra que já recebeu um membro do grupo BDS (sigla de Boicote, Desinvestimento e Sanções), do qual Roger Waters é militante, em sua casa, e comparou a situação de Israel e Palestina com o apartheid na África do Sul. "Quando a África do Sul estava sob o regime de apartheid, e eu soube que artistas estavam se recusando a tocar lá, concordei como que automaticamente com tal decisão. A complicada situação no Oriente Médio não me mostra o mesmo tipo de imagem preto-no-branco que o racismo oficial, aberto, da África do Sul me mostrava então", escreve Caetano.

"Meu coração é fortemente contra a posição de direita arrogante do governo israelense. Eu odeio a política de ocupação, as decisões desumanas que Israel tomou naquilo que [Benjamin] Netanyahu [primeiro-ministro de Israel] nos diz ser sua autodefesa. E acho que a maioria dos [israelitas] que se interessam por nossa música tende a reagir de forma similar à política de seu país. Eu cantei nos Estados Unidos durante o governo Bush e isso não significava que eu aprovasse a invasão do Iraque. Eu quero aprender mais sobre o que está acontecendo em Israel agora. Eu gostaria de ver a Palestina e Israel como dois Estados soberanos. Eu te agradeço - e a muitos outros - pela atenção e o esforço dedicados a me esclarecer sobre a política naquela região". "Acho que o fato de eu cantar lá é neutro para a política do país, mas se minhas canções, voz ou mera presença puderem ajudar os [israelitas] que não concordam com a opressão e a injustiça - em uma palavra, a se sentirem mais longe de votar em alguém como ele - eu estarei feliz", remata Caetano Veloso. Por seu turno, Gilberto Gil já afirmara que os argumentos de Roger Waters são "fortes e verdadeiros até certo ponto. Não a ponto de que devemos considerar Israel uma sociedade de apartheid. É um regime democrático. Tenho empatia pelo povo, já estive lá tantas vezes. E nas duas últimas vezes em que fui tocar lá também enfrentei objeções, com o mesmo tipo de movimentação internacional para me dissuadir de ir. Mas nós vamos", cita a Rolling Stone. Pode ler a carta de Caetano Veloso na íntegra no site do Globo. Caetano Veloso e Gilberto Gil atuam no EDP Cool Jazz a 31 de julho. O concerto acontece no Parque dos Poetas, em Oeiras, e os bilhetes estão quase esgotados.