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Caetano Veloso e Gilberto Gil trocam aquele abraço em Oeiras

Vultos da música do Brasil celebraram amizade junto dos fãs portugueses, num concerto em que a cumplicidade passou para o lado de cá do palco.

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A noite ventosa que se fez sentir no Estádio Municipal de Oeiras não foi impedimento para que Gilberto Gil e Caetano Veloso se desviassem um centímetro que fosse da missão a que se propuseram no último dia do EDP Cool Jazz: celebrar uma amizade antiga e revisitar vida e obra num concerto conjunto para o qual não havia já bilhetes há algum tempo. Nem mesmo a rajada forte que invadiu o palco e entrou microfones dentro em "Sampa" foi capaz de demover a dupla do exercício de vocalização e instrumentação - afinal de contas, estamos a falar de dois músicos que já têm no seu código genético palavras como luta e resistência. Não seria uma mera manifestação da natureza um obstáculo ao bom sucesso do espetáculo. "Back In Bahia" e "Coração Vagabundo" dão o tiro de partida para a noite, colocando imediatamente em evidencia o bom entendimento entre Caetano e Gil, sentados no centro do palco, de violão ao colo, fazendo jus à simplicidade que bem os caracteriza. Segue-se uma viagem ao final dos anos 60, em pleno coração do tropicalismo, com "Tropicália" e "Marginália II", retiradas de Caetano Veloso (1967) e Gilberto Gil (1968), respetivamente, resgatando ao público os primeiros aplausos vibrantes da noite. Mas só em "Terra", belíssima música de Muito - Dentro da Estrela Azulada, uma verdadeira declaração de amor ao nosso planeta, é que surgem os primeiro coros, com o público a cantar o refrão "por mais distante, o errante navegante, quem jamais te esqueceria" a plenos pulmões. A cumplicidade entre os dois protagonistas da noite é tão grande que mal precisam de trocar olhares ou palavras ou até mesmo gestos para se organizarem nas entradas e saídas paras os refrães e versos das canções. Alternam entre si as letras, como em "É Luxo Só" (original de João Gilberto) e "É de Manhã", concedem o devido espaço um ao outro no momento em que o concerto assim o requer (há uma boa porção da atuação dedicada unicamente a Gilberto Gil e vice-versa) e, pelo meio, ainda vão pedindo palmas ao público e acompanhamentos vocais - Caetano chega, inclusive, a levantar-se da cadeira, aquando da interpretação de "Andar Com Fé", para vir à boca de palco ensaiar uns passos de dança. Não é preciso esperar muito para ver o concerto de Caetano e Gil a transformar-se numa catadupa de êxitos secundada pelos coros uníssonos do público português. Depois de uma fase do concerto menos efusiva onde foi possível ouvir temas como "Nine Out Of Ten" e "Tonada de Luna Llena" (original de Simón Diaz), a parelha atira-se a "Eu Vim Da Bahia" e "Super Homem", para júbilo geral, e momentos depois a "Esotérico", "Drão", "Expresso 2222" e "Toda Menina Baiana", todas elas muito celebradas no seio da audiência - ao nosso lado, há quem invista em caipirinhas para juntar o útil ao agradável e não se afastar do contexto da noite. A festa faz-se dentro e fora de palco. O ambiente aconselha-se. À medida que o concerto se aproxima do fim, a química entre palco e plateia vai aumentando, o que leva a que o encore, onde é possível ouvir "Desde Que o Samba é Samba" e "Domingo no Parque", se transforme num verdadeiro exercício de canto e dança: as cadeiras são deixadas completamente ao abandono, as vozes são levadas ao extremo dos limites humanos, o concerto acaba em apoteose com o estádio inteiro a entoar o refrão de "A Luz de Tieta", um momento de tal forma intenso que se prolonga durante a saída do recinto (há quem vá trauteando a melodia enquanto se dirige para o exterior), no caminho até aos carros e - arriscamos o palpite - no regresso a casa. No final da atuação, mesmo antes da saída de palco, há mesmo um abraço sentido entre os dois anfitriões da noite que coloca em evidência esta sensação de missão cumprida. Dois amigos, um século de música, um concerto para mais tarde recordar. Texto: Manuel Rodrigues Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos