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Bruce Springsteen sobre Clarence Clemons: "Em 69 anos ele viveu 10 vidas"

O "Boss" partilhou no seu site a mensagem que leu no funeral do amigo e companheiro de banda. Leia-a aqui.

Bruce Springsteen publicou no seu site uma versão "ligeiramente modificada" da mensagem que leu no funeral do seu amigo e companheiro de banda, o saxofonista Clarence Clemons. Num longo texto (capaz, estamos em crer, de fazer lacrimejar os mais duros de coração), Springsteen explica como, à semelhança da imagem da capa do single "Born To Run", sempre se apoiou muito em Clemons, que faleceu aos 69 anos. Sem ocultar os aspetos menos positivos ou fáceis da personalidade do amigo ("Embora tenha ficado mais brando com a idade, foi sempre selvagem e imprevisível"), Bruce Springsteen congratulou-se com a vida que Clarence levou. "Aos 69 anos, ele já tinha vivido 10 vidas e o correspondente a 690 anos na vida de um homem normal", explica. Dirigindo-se aos quatro filhos de Clarence, Springsteen disse ver neles o reflexo das virtudes do saxofonista: "Vejo a sua luz, a sua escuridão, a sua doçura, a sua dureza, a sua gentileza, a sua raiva, o seu brilho, a sua beleza e a sua bondade (...). Tal como muitos de nós, o vosso pai era capaz da maior magia e também da maior confusão. O amor incondicional do Clarence tinha muitas condições". Recordando os primeiros tempos com Clarence ("Estar ao lado dele era como estar ao lado do tipo mais ruim do planeta. Sentíamo-nos orgulhosos, fortes, excitados e divertidos com o que podia vir a contecer"), Springsteen mencionou ainda o racismo que chegou a sentir. "Penso que eu talvez tenha protegido o 'C' de um mundo em que não era fácil ser-se grande e negro. O racismo esteve sempre presente. A fama e o tamanho do Clarence não o tornavam imune. E penso que talvez o Clarence me tenha protegido de um mundo em que nem sempre era fácil ser um rapazito branco, magricela, esquisito e inseguro. Mas juntos éramos unidos, fortes, virtuosos, imparáveis, engraçados, pirosos como tudo e tão sérios como a morte". "O Clarence não abandona a E Street Band por ter morrido. Só abandona a banda quando nós morrermos", remata Bruce Springsteen na mensagem que pode ser lida na íntegra no seu site. Foto Getty Images