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Blur no Super Bock Super Rock: britpop colheita 90s leva MEO Arena ao rubro

Os Blur sabem-na toda: são 25 anos de canções, afinal de contas, a serem usados sem pudor num concerto que enche as medidas do público, ainda que não as da sala onde decorre o concerto.

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Palco decorado com cones de gelado gigantes e coloridos, música de carrinha de venda de gelados e uma multidão que não preenche por completo o espaço disponível na Meo Arena a agitar bastões de luz coloridos, "Are you ready?" é a desnecessária pergunta que Damon Albarn, bomber jacket e gestos de rapazinho eterno, começa por colocar antes dos Blur se atirarem a "Go Out" do recente The Magic Whip. Não é uma invasão (britânica...), mas se fosse a pequena nação disfarçada de multidão da Meo Arena já se teria rendido incondicionalmente. E os Blur nem dispararam ainda um dos seus reais misseis pop...

Depois começa a viagem: do presente para o já distante passado de "There's No Other Way", canção que não perdeu nenhum do seu charme borbulhento, mesmo se o técnico de som a tenta sabotar. "Lonesome Street" é o rebuçado que se segue e Damon aproveita para o seu primeiro banho de público, descendo do palco até bem próximo das primeiras filas. Que os fotógrafos ainda ali estejam para documentar o momento é mera coincidência, que não há lugar para calculismos estratégicos nestas coisas da pop.

"Badhead" faz uso da versão festivaleira dos Blur que além do quarteto base comandado por Graham Coxon e secundado por Alex James e Dave Roentree, inclui ainda quatro vozes de apoio e uma secção de metais. "Coffee and Tv", "Out of Time" e "Beetlebum" são as paragens seguintes na viagem por um reportório que se estende generosamente por oito álbuns e que parece compreender todas as abordagens possíveis de fazer com guitarras à nobre arte da canção pop britânica. Ainda assim há fãs impacientes que aproveitam as pausas entre canções para gritarem os seus "requests" a que Damon, com algum humor, responde, "of course, but not now! Unless you want to come up here and make a fool of yourself..." Ou algo assim.

Os Blur por alguma razão iludiram-nos a todos, fazendo-nos acreditar que beberam da fonte da juventude eterna, mas a verdade é que já contam com um quarto de século em cima das pernas. O que significa saber acrescido para compensar alguma eventual falta de frescura e de nervo juvenil. A verdade é que os braços no ar - e as luzinhas que piscam nos pulsos da multidão enchem mesmo o olho - indicam que o povo gosta deste ópio feito de canções.

"Thought I was a Spaceman" é uma interessante versão moderna de "Starman" de Bowie, até no arranjo mais electrónico, a sublinhar uma canção sobre a solidão. Tal como a do camaleão: há um subtexto constante que atravessa a história da pop, certamente.

"Trimm Trabb" é aproveitada para reduzir a banda ao essencial, ficando apenas estes fab four em palco. E Damon volta a ir pregar para junto da sua congregação. Seguem-se "He Thought of Cars", já em versão dilatada de novo, "End of a Century" e "Tender". Damon, entretanto, aproveita para perguntar ao povo se se sente bem e pede-lhes que cante mais alto. Claro que o povo responde entusiasticamente. O que nos pode fazer pensar se as revoluções não seriam mais eficazes se comandadas por rock stars em vez de políticos ou militares. É que, nestes momentos pelo menos, a mistura de amplificação e carisma dá a esta gente um enorme poder.

Com o final a aproximar-se, Damon chama um fã ao palco para cantar "Parklife": talvez as bandas devam investir no negócio de cumprir sonhos de adolescentes, além do das revoluções, claro. Nada como diversificar. Algo nos diz que o João vai ser um sucesso nas redes sociais amanhã. Andy Warhol sempre tinha razão... Segue-se "Ong Ong" e "Song 2", que tem a força para derrubar governos e mudar o mundo. Pelo menos é o que parece, visto aqui de cima.

"To the End" conduz, de facto, até perto do final de um concerto que enche o coração e nem seria preciso Damon segurar a bandeira portuguesa acima da cabeça para isso. São quase duas e meia da manhã e estes senhores ainda têm um par de trunfos na manga: "This is a Low" leva a banda para encore e "Stereotype" trá-la de volta. "Girls and Boys" volta a levantar toda a gente e Damon dedica o tema "aos amigos lá na Grécia". Esta também dava para despoletar revoluções. Pelo menos na pista de dança. "For Tomorrow" e "The Universal" fecham as contas, perante um público absolutamente rendido desde o primeiro momento. São quase três da manhã. E hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas.

Não foi um concerto brilhante. Até porque os Blur também não são uma banda brilhante. Mas foi sem dúvida o momento alto do segundo dia de Super Bock Super Rock, quem sabe até se de todo o cartaz. Amanhã há mais.

Texto: Rui Miguel Abreu

Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos