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Benjamin Clementine no Vodafone Mexefest: Nasceu uma estrela

O Coliseu de Lisboa exultou com o regresso do "anjo" Benjamin Clementine.

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Das muitas virtudes que reconhecemos a Benjamin Clementine, uma destaca-se das "irmãs": ainda que tenha, como todos os grandes artistas, as suas referências e inspirações, o londrino de 27 anos apresenta um som próprio, uma identidade que não confundiremos com a de ninguém. Por outra: depois de ouvirmos Clementine, não deixaremos de identificá-lo aos primeiros segundos da cada uma das suas músicas, ora pomposas ora despidas, sempre emocionantes e cheias de vida. Na noite passada, o Coliseu dos Recreios reconheceu isto e muito mais, no segundo concerto do inglês em Lisboa (estivera no Super Bock Super Rock em julho e, esta semana, dá cinco espetáculos de norte a sul). Cheiíssimo, naquela que foi a primeira noite do Vodafone Mexefest , o salão nobre da capital exultou com a chegada de Benjamin Clementine. Mal a luz incide sobre aquela figura ao mesmo tempo imponente e frágil, a plateia parece ver no foco uma aura, e reage em conformidade. Em defesa do primeiro disco, o premiado At Least For Now, o britânico faz por merecer a devoção: a sua presença de palco é magnética, ainda que minimalista (veste, à semelhança do baterista que o acompanha em alguns temas, casaco e jaqueta longa, sem camisa e sem sapatos); o seu controlo de voz revela-se notável e a forma como fita o público tanto seduz como intimida.

A qualidade das canções - "London, London", "Condolences" ou "Adios", "Nemesis" são reconhecidas e festejadas como êxitos com décadas de vida - ajuda, naturalmente, ao clima de aclamação que se faz sentir, e que nos leva a crer que este é um daqueles momentos, relativamente raros, em que estamos a ver um artista certo na altura certa. Infelizmente, a excitação é de tal ordem - e o ambiente festivaleiro ajuda - que muitos dos momentos mais intimistas se perdem na conversa do casal do lado ou nos urros que os candidatos a protagonistas insistem em dar.

Nada disto rouba mérito a Benjamin Clementine, um intérprete e performer brilhante, capaz de, sozinho ao piano, oferecer melodia, ritmo, narrativa - enfim, mística. Com o baterista em palco, o rapaz que se fez músico nas ruas de Paris abraça uma dimensão mais rock e liberta-se para uma maior teatralidade, gesticulando e interagindo mais com o público. Mas o essencial do seu show é ele mesmo, ao volante de uma montanha-russa de emoções assinaláveis.

No essencial, a mensagem de Benjamin Clementine será de amor e esperança, mas um amor e esperança que nascem da tormenta. É um tough love transmitido por uma voz capaz de derrotar a própria trovoada (mas não a conversa dos faladores mais insistentes). É um barco que, na segunda metade do concerto, se aventura por águas nunca navegadas (pelo público), apresentando inéditos e prometendo muito futuro. É uma estrela que vimos nascer esta noite.

Texto de: Lia Pereira Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos