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Belle and Sebastian: 'Nos concertos temos pessoas dos 6 aos 60 anos!'

Em entrevista à BLITZ, o baterista Richard Colburn falou sobre o momento atravessado pelos Belle and Sebastian, que este ano lançaram o primeiro álbum em cinco anos. A banda toca hoje no NOS Primavera Sound, no Porto.

Os Belle and Sebastian regressam hoje, 5 de junho, a Portugal para um concerto no Nos Primavera Sound, no Porto. O espetáculo começa pelas 23h, no palco Super Bock Super Rock, e servirá de apresentação do novo Girls in Peacetime Want To Dance, lançado este ano, depois de um silêncio editorial de cinco anos. No Primavera Sound de Barcelona, a BLITZ falou com Richard Colburn, baterista da banda de Glasgow, sobre os concertos recentes, a vida na Escócia e o referendo pela independência daquele país. Na próxima semana regressam a Portugal, para um concerto no Porto. Lembram-se do concerto em Paredes de Coura, há dois anos? Adoro o Porto, adoro Portugal no geral. Vai ser fantástico voltar lá! Lembro-me de há dois anos termos tido de fazer uma grande viagem até ao recinto do festival, e de atravessarmos uma ponte... Mas também me lembro de, há muito tempo, tocarmos num festival português com a Beta Band [foi no Sudoeste, em 2002].

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Como tem sido a reação dos vossos fãs ao novo disco,  Girls in Peacetime Want To Dance? Muito boa, na verdade! Temos tido muita sorte, especialmente porque, em termos estilísticos, fizemos neste disco várias coisas diferentes dos nossos últimos álbuns. Acha que, nos últimos anos, conquistaram novos fãs? Creio que sim! Na nossa digressão deste ano temos visto pessoas muito mais jovens, na plateia, além da nossa base de fãs já estabelecida. Temos a certeza que há pessoas que estão ali pela primeira vez, e pessoas mais jovens do que as que costumavam ir aos nossos concertos. Vamos dos 6 aos 60! (risos)

Ao vivo no Primavera Sound de Barcelona Alguns fãs não reagiram muito bem ao primeiro single do novo álbum, "The Party Line"... Sem dúvida que é um grande salto, em relação ao que costumávamos fazer. Mas temos de correr riscos - como se costuma dizer, não se pode fazer omeletes sem ovos. Percebo que algumas pessoas tenham ficado confusas ao ouvir o single mas, no contecto do disco, penso que [o aceitam]. O que foi mais complicado de retomar, neste regresso após cinco anos de ausência? A convivência diária em estúdio, por exemplo? Não foi muito difícil! No ano antes de voltarmos a estúdio tocámos ao vivo, por isso já nos tínhamos juntado para dar uns concertos, o que ajudou. Mas é engraçado que, mesmo depois de se passar bastante tempo, a nossa química é tão forte que só precisamos de dois minutos e tudo volta a acontecer! Passam tempo juntos, mesmo quando não estão a tocar ou a gravar? Sim, porque temos um escritório e uma sala de ensaios em Glasgow. Estamos sempre em contacto, porque o nosso management está em Londres mas nós estamos em Glasgow; estamos sempre muito ocupados. Três de nós, agora, têm filhos, e isso também muda um pouco as coisas, porque queremos sempre passar mais tempo com a família, sobretudo quando estamos muito tempo fora. Mas ainda saímos juntos, na verdade nada mudou. Ainda vivem todos na Escócia? Vivemos todos em Glasgow! Só eu é que saí da cidade, mas durante pouco tempo, logo voltei. Ralharam-me logo! (risos) 

No concerto da semana passada, no Primavera Sound de Barcelona Quais as principais diferenças no meio da música atualmente? Há mais festivais... Muitos mais. É engraçado: começámos a digressão em janeiro e acabámos agora os concertos no Reino Unido. Depois do Porto vamos diretamente paraa América, onde passaremos três semanas, mas depois, até agosto, tocamos sobretudo em festivais. Realmente agora há uma temporada enorme de festivais, que por alguma razão cada vez começa mais cedo e acaba mais tarde. Três quartos do ano têm festivais. É incrível a quantidade de festivais que apareceram e desapareceram nos últimos dez anos. É bom, porque assim podemos ir a sítios diferentes, conhecer outras bandas, e também é bom para ganhar novos públicos. Muitas pessoas podem querer ir ver os AC/DC e acabam por ver-nos a nós também.  Vai ver algum concerto no Primavera? Os Ride tocam esta noite [no Porto, tocam no sábado, dia 6] e alguns de nós, quando estivemos nos Estados Unidos recentemente, fomos vê-los a São Francisco: foram fantásticos, por isso quero vê-los num grande festival. Também quero ver os New Pornographers [no Porto também a 6]. O Primavera é um festival com um grande cartaz! Quando olha para o cartaz do festival, qual lhe parece ser o estatuto dos Belle and Sebastian? Já são uma legacy band ou ainda não? Espero que ainda não! (risos) É engraçado, porque hoje há muitas bandas que se separam e reúnem, e parece que é na altura em que regressam que recebem alguma atenção momentânea. Mas nós continuámos sempre a fazer o que fazíamos, nunca nos separámos... é uma ascesão lenta, mas uma ascensão! A Patti Smith diz que vestir uma t-shirt de uma banda como Joy Division ou Ramones é uma forma de homenageá-las. Concorda? Concordaria! Em Glasgow há uma tradição de três ou quatro bandas serem muito importantes no desenvolvimento musical dos jovens. Os Doors, os Velvet Underground... Tens ali uma idade em que passas por uma fase de gostar daquelas bandas, e depois segues um certo caminho. Quando usas a t-shirt de uma banda, estás a homenageá-la.
Como viveu o referendo pela independência da Escócia? Bem, não acabou como muitas pessoas desejavam, mas mas a parte positiva é que, agora, mais pessoas pensam em política e mais pessoas votam. Penso que nos próximos 10 ou 15 anos a independência acontecerá. Sei que o nosso partido nacional, o SNP, está mais forte e com mais lugares no parlamento do que nunca, por isso não importa que o sim não tenha ganho - o referendo obrigou as pessoas a interessarem-se por política.  Devem ter sido dias especiais... Uma semana antes do referendo, toda a gente pensava: vamos ganhar, vamos ganhar! O ambiente em Glasgow e por toda a Escócia estava fantástico, também na noite da contagem. Verdadeiramente elétrico! Depois das últimas eleições no Reino Unido, qual o ambiente que se sente nas ruas? Otimismo, apreensão? Penso que as pessoas estão um pouco mais otimistas em relação à economia, mas só um pouco. Se temos um governo conservador de novo no poder, é porque tiveram muitos votos. Na Escócia as pessoas geralmente votam no Partido Trabalhista, que foi dizimado nestas eleições. Penso o SNP vai ganhar mais assentos no parlamento e talvez tornar-se o segundo partido! (risos) Nós não temos uma crise como a Grécia ou Espanha, que sofreram muito nos últimos cinco anos, mas há algum medo, sobretudo a nível financeiro. Mas um governo conservador vai [tendencialmente] apostar na austeridade, vai cortar no apoio às artes, quando é isso que as pessoas mais apreciam, porque serve para se distraírem do quotidiano... Uma última pergunta: porque é que toda a gente parece gostar tanto dos escoceses? É uma boa pergunta! Provavelmente porque estamos bêbedos metade do tempo! (risos) Não sei, talvez porque tenhamos uma disposição merdosa, mas somos bastante acolhedores e tolerantes. Temos orgulho do nosso país e, se o visitares, temos muito orgulho em mostrar-to. Divertimo-nos, acima de tudo, e queremos que todos à nossa volta também se divirtam. O sotaque também há de ajudar... Só se o perceberem! (risos)

Entrevista de Lia Pereira