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Beach House tentam aquecer Lisboa em noite fria e dizem: "Armazém F nunca mais" [texto + fotos]

Victoria Legrand insiste em esconder-se atrás do cabelo e as músicas que apresenta hoje, junto com Alex Scally, são quase indistinguíveis das que produzia há cinco anos. Nada que aborreça os fãs.

Beach House no Armazem F
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Eagles of Death Metal no Le Bataclan
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Eagles of Death Metal no Le Bataclan

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Beach House no Armazem F

Beach House no Armazem F
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Dustin Wong no Armazem F
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Dustin Wong no Armazem F

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Dustin Wong no Armazem F

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Dustin Wong no Armazem F

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Dustin Wong no Armazem F

Um concerto dos Beach House em 2015 não é muito diferente de um concerto dos Beach House em 2010. O duo de Baltimore, Estados Unidos, continua a apostar num ambiente soturno, tendencialmente intimista mas por vezes demasiado distante - aquilo que poderia ser melancolia acaba, muitas vezes, por se traduzir em tédio. Victoria Legrand (sempre escondida atrás dos longos cabelos) e Alex Scally regressaram em grande este ano, com dois novos álbuns de estúdio: Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars, que até se revelam duas distintas coleções de canções, quando transpostos para palco acabam por levar uma lavagem equalizadora que os deixa ainda mais indistinguíveis daquilo que estava para trás. Os Beach House encontraram uma fórmula e agarraram-se a ela com unhas e dentes. Os fãs parecem não ver problemas aí, mas a verdade é que a prestação morna desta noite no Armazém F, em Lisboa, só prova que se impõe um abanão urgentemente. O início do espetáculo deveria ter sido às 21h00, mas a 10 minutos da hora marcada a fila para entrar na sala ribeirinha dava a volta ao edifício. As medidas de segurança, devido aos atentados de Paris, calculamos, foram reforçadas e ainda havia pessoas a entrar quando Dustin Wong, o homem encarregue da primeira parte, deu por encerrada a sua atuação guiada a loops e auto-samples de guitarra. O alinhamento do concerto dos Beach House espraiou-se pelos diversos registos de estúdio, obviamente com os momentos recuperados a Teen Dream (2010) e Bloom (2012) a merecerem demonstrações especiais de carinho por parte do público. A abrir, "Levitation", tema que dá início a Depression Cherry, marcou o tom para o que se seguiria: canções que fervem em lume brando até explodir. E foi precisamente esse o disco que esteve em maior destaque esta noite, entre a bateria bamboleante de "Wildflower", os teclados sonhadores (quase a fazer vénias aos Coldplay) de "PPP", as guitarras angulares de "Space Song" ou o ambiente sonhador de "Beyond Love". A voz rouca, mas transparente, de Legrand esteve sempre bem no centro da ação e foi ela quem comandou tudo, empregando a sua melancolia a temas memoráveis, como "Walk in the Park", que recua até 2010, ao álbum que deu aos Beach House a visibilidade de que gozam hoje, mas especialmente aos sublimes "Wishes" e "Myth" (a maior ovação da noite) de Bloom. Os pontos altos do concerto foram, no entanto, uma "Saltwater", servida apenas por Scally e Legrand ("foi a primeira canção que escrevemos juntos", explica a cantora), com sabor a Mazzy Star e a intensa e explosiva "10 Mile Stereo", que regressa a Teen Dream, com as luzes de presença finalmente apagadas (como Victoria tinha pedido cinco músicas antes). O encore, que pegou onde "Sparks", aventureiro single de Depression Cherry, tinha deixado, chegou depois dos elogios da praxe ao público lisboeta, com a banda a confessar que os fãs portugueses mereciam uma sala melhor do que o Armazém F - "esta cidade sempre foi muito simpática connosco" - e compôs-se da dança lenta de "Somewhere Tonight", tema que encerra Thank Your Lucky Stars, com direito a bola de espelhos a espalhar pontos de luz por toda a sala, e da sufocante e seca "Irene", recuperada a Bloom. Alinhamento: Levitation Walk in the Park Wildflower PPP All Your Yeahs Silver Soul Space Song Wishes Saltwater Beyond Love 10 Mile Stereo One Thing Myth Sparks Encore Somewhere Tonight Irene Texto de: Mário Rui Vieira Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos