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Apple Music não está a causar impacto no negócio do streaming

Comentário do CEO de um dos concorrentes, Pandora, segundo o qual o aparecimento do Apple Music não está a mexer com o mercado, foi aprofundado por especialistas ingleses. Conclusão: streaming da Apple ainda não impressionou, pelo menos no Reino Unido.

Questionado por um analista do mercado da música digital sobre o impacto que o lançamento do Apple Music teve no Pandora, serviço de rádio via streaming (disponível nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia), o CEO da empresa, Brian McAndrews, respondeu: "Com um lançamento tão grande como este e todo o burburinho no mercado, seria de esperar que existisse algum efeito de curto prazo, mas não estamos a ver qualquer impacto significativo no ouvinte e não esperamos que venha a ocorrente a longo prazo". As afirmações, sendo compreensíveis vindas de um executivo de um serviço concorrente, poderão não estar longe da razoabilidade, de acordo com uma análise do Music Business Wordwide. Baseando-se em dados do Reino Unido, o site do "media pundit" Tim Ingham (editor durante três anos do Music Week, semanário dedicado à análise da indústria musical), assinala que, não obstante a associação fonográfica britânica ter anunciado uma cifra record de 500 milhões de streams está a ter lugar semanalmente no Reino Unido, dados de julho (os primeiros pós-lançamento do Apple Music) permitem perceber que a evolução do mercado não diverge significativamente da que se regista desde julho do ano passado. Aliás, apesar de a subida face a junho de 2015 (mais 22,3 milhões de streams) ser sinónimo de saúde do mercado, o aumento não foi superior ao registado em seis dos onze meses anteriores. Que efeito, então, conseguido pelo Apple Music? Os números, refere o Music Business Worldwide, não mostram fatores potencialmente relevantes como a eventual transferência de utilizadores do Spotify, Google Play ou Deezer para o Apple Music. Também não é possível perceber o impacto que uma sequência de edições eventualmente menos sumarenta pode ter tido na evolução do mercado, e é levantada a possibilidade de a Apple estar a concentrar-se mais no mercado americano do que no europeu. São, digamos, fatores menos objetivos. Contudo, uma questão pertinente é levantada sobre o apelo do streaming nas massas: se o período de três meses grátis do Apple Music não está a fazer com que o mercado cresça significativamente, sendo também expectável que nos meses de verão se registe uma desaceleração, não virá o preço que varia entre os 6,99 euros e as 9,99 libras/dólares por mês (consoante os mercados) do Apple Music causar exaustão no potencial de crescimento do setor?