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Aline Frazão em palco com Pedro Geraldes (Linda Martini) e letra de Capicua

O Festival Músicas do Mundo entra hoje no segundo dia no palco do Castelo de Sines, depois de uma semana de surpresas, iniciada em Porto Covo.

No último disco de Capicua, Sereia Louca, Aline Frazão participou no tema "Lupa". Agora é a vez de a rapper lhe oferecer uma letra, para o álbum que a artista angolana lançará no outono. No palco do Castelo de Sines, pelas 19 horas, também estará Pedro Geraldes, o guitarrista dos Linda Martini, responsável pela "eletrificação" das novas composições de Aline Frazão. Dois anos depois de ter dado um concerto inesquecível no auditório do Centro de Artes de Sines (interpretando sobretudo temas de Movimento, tema do seu segundo álbum), Aline Frazão fará hoje um espetáculo à medida do Festival Músicas do Mundo, antecipando o novo caminho: "Vou fazer o primeiro avanço do que é o novo disco, um passo em frente, resultado das novas parcerias, no qual se incluem a letra da Capicua, o poema da Ana Paula Tavares, a música do Pedro Geraldes, e o que resulta desse diálogo e desse encontro". Gravado por sugestão de Carlos Seixas, diretor artístico do FMM, na distante ilha escocesa de Jura, o novo trabalho resulta também da ideia de se distanciar do sul e do lugar de onde as suas canções vêm, e da vontade de procurar uma outra sonoridade. "A ilha acabou por produzir o próprio disco. Todo o simbolismo e o momento, atravessados por muitos acontecimentos políticos, reforçaram as linhas mestras que tinha traçado para o próprio disco". A palavra está mais no centro, o texto mais presente, explica a cantora, assim como a vontade de intervir: "Vivemos um momento em é preciso dizer coisas sobre o que está a acontecer em Angola e na Europa. É preciso chegarmo-nos à frente."

Político, mas poético também, o disco ainda não tem nome definido, e ainda há decisões a tomar sobre as sonoridades a imprimir a alguns temas. Certo, porém, é que Aline não conta apenas com a guitarra elétrica de Pedro Geraldes. Ela própria pegará na guitarra eléctrica. Como explica, a colaboração com o guitarrista dos Linda Martini surge de conversas e da abertura que o Pedro Geraldes tem, tal como ela, para experimentar novas linguagens: "Por intuição convidei-o para fazer comigo a digressão na Alemanha, de abril e maio, e começámos a trabalhar". Agora, e depois dessa digressão, Aline Frazão percebeu que também aos velhos temas acrescentou "eletricidade". A guitarra elétrica dá-lhe um poder que a acústica não lhe dava: "É como se estivesse a acrescentar força às músicas, iluminando alguns elementos que surgem com mais intensidade, e que ajudam a passar a mensagem com outra atitude".

Vamos reconhecer Linda Martini em Aline Frazão?, perguntamos para terminar. Aline responde calmamente: "Não sei."

O festival tem agendado para hoje o quinteto árabe Alif (às 21h15), na Avenida da Praia, e no castelo os malinianos Songhoy Blues (às 22h00), no Castelo, a chilena Ana Tijoux  (às 23h15) e Ibibio Sound Machine (Nigéria/Reino Unido, 00h30). De volta à praia no meio da noite só por ordem de Vaudou Game, um grupo afro-funk (Togro/França). Cristina Margato Foto: Mário Pires