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Agir: 'Costumo agir duas vezes antes de pensar'...

No mesmo dia em que o rapper e cantor foi eleito pelo público como o Melhor Artista Português nos MTV European Music Awards, recorde a entrevista de Agir à BLITZ Fest em julho de 2015.

Agora é a doer O rapper e produtor português, que lançou há poucos meses novo disco, quer conquistar Portugal e o mundo. Em conversa com Paulo André Cecílio, assume desejar fazer vida como produtor, apesar de gostar de cantar. Bernardo Costa, vulgo Agir, é um daqueles casos em que se pode dizer que o talento é hereditário: o filho do cantor Paulo de Carvalho e da atriz Helena Isabel foi já considerado por alguns como um dos nomes a ter em conta no futuro do rap português, tendo criado uma base sólida de fãs a partir do underground (na década passada, "Wella" andou nas bocas de muita gente) e procurando agora irromper por Portugal e pelo mundo, sendo a internacionalização um desejo assumido. "Mais como produtor do que provavelmente como cantor, [apesar de] gostar muito de cantar", ressalva. Para já, vai desbravando caminho através do seu novo disco, Leva-me a Sério, editado em fevereiro deste ano, e onde podemos encontrar uma das canções made in Portugal mais escutadas dos últimos meses: "Tempo É Dinheiro", um apurado cruzamento orelhudo entre o reggae e o hip-hop. Sentiria ele não estar a ser levado a sério? Segundo Agir, o título do álbum parte mais do facto de ser um disco apoiado por uma editora e comercializado, por oposição às mixtapes que havia disponibilizado anteriormente na internet; o objetivo foi o de chegar a mais público, já que, segundo explica, "é impossível levar a sério um projeto que ninguém sabe bem o que é". Para o verão, após ter enchido o Centro Comercial Colombo na apresentação do disco, Agir tem espetáculos marcados em festivais como O Sol da Caparica, Sumol Summer Fest e MEO Sudoeste. Não é, contudo, um "festivaleiro". "Tenho muito o espírito de festival, mas não o de acampar...", admite. Na última edição do Festival da Canção, Agir subiu ao palco com o pai, o consagrado Paulo de Carvalho, para quem até já escreveu canções. O músico havia participado no evento em 2007, com um projeto que cruzava sonoridades hip-hop com fado, tendo alcançado um quarto lugar, longe da posição que lhe garantiria a qualificação final para o festival da Eurovisão. "Acho que o resultado foi bom, mas não [tenciono] repetir a experiência", confessa. Um garante algo estranho e paradoxal, já que choca diretamente com o seu caráter - o rapper e produtor admite que costuma agir muito por impulso, sendo até daí que retira o seu nome artístico. "Costumo agir duas vezes antes de pensar, [em vez de] pensar duas vezes antes de agir...", revela, com bom humor, mas ao mesmo tempo mantendo-se sério nos seus propósitos. Se a mudança é certa, não haverá então como não levar Agir a sério. Paulo André Cecílio Originalmente publicada na BLITZ Fest de julho de 2015