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A música de José Fonseca e Costa (1933 - 2015)

O realizador faleceu ontem, aos 82 anos. Recorde algumas das músicas dos seus filmes e conheça a reação de Sérgio Godinho. O funeral é amanhã, terça-feira.

José Fonseca e Costa morreu ontem, aos 82 anos. O realizador português estava internado no Hospital Santa Maria, em Lisboa, sofrendo de uma pré-leucemia, na sequência da qual contraiu uma pneumonia que viria a ser fatal. A carreira de José Fonseca e Costa ficou marcada por filmes como O Recado (1972), Os Demónios de Alcácer Quibir (1977) e Cinco Dias, Cinco Noites (1996). Mas seria Kilas, o Mau da Fita (1981) o seu filme mais famoso. Recorde aqui algumas das canções desses filmes:
"Balada da Rita" e "É Terça-Feira", escritas por Sérgio Godinho, foram cantadas no filme Kilas, o Mau da Fita pela atriz Lia Gama.
À RTP, o seu colaborador e amigo Sérgio Godinho afirmou: "José Fonseca e Costa foi muito importante no meu percurso criativo, porque foi a primeira pessoa a dar-me confiança em relação a coisas que nunca tinha feito. Em 1975 fiz Os Demónios de Alcácer Quibir como ator, e também fiz três músicas para o filme, e no Kilas foi um caso quase insólito, no sentido em que me convidou para fazer o argumento com ele - a trama e as personagens têm a ver com nós os dois - e também a banda-sonora. Foi alguém que me deu uma generosa confiança naquilo que eu podia fazer, sendo muito estimulante no meu percurso criativo", resume o músico. Além de Sérgio Godinho, José Fonseca e Costa teve música de António Pinho Vargas em Cinco Dias, Cinco Noites e de António Emiliano em A Mulher do Próximo e Os Cornos de Cronos.

A capa da banda-sonora do grande sucesso Kilas, o Mau da Fita José Fonseca e Costa nasceu no Huambo, em Angola, a 27 de junho de 1933, e mudou-se para Lisboa em 1945. Entre 1951 e 1955 frequentou o curso de Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que não terminou para se dedicar às atividades cinematográficas.  Em 1960 foi-lhe recusada uma bolsa de estudo, solicitada ao Fundo do Cinema Nacional, para frequência de um curso de cinema no estrangeiro e, novamente por informação da PIDE, em cujas prisões foi encarcerado por atividades de oposição política à ditadura.  Iniciou a sua formação profissional estagiando em Itália, por volta de 1961, onde trabalhou com Michelangelo Antonioni no filme L'Eclisse (O Eclipse).  De regresso a Portugal, em 1964, produziu e dirigiu centenas de filmes publicitários e alguns documentários industriais e turísticos, atividade que interrompeu a partir dos anos 1970, quando dirigiu o seu primeiro filme de ficção (A Metafísica do Chocolate, 1967).  É um dos cineastas do movimento do Novo Cinema em Portugal. Seguem-se O Recado (1972), Os Demónios de Alcácer Quibir (1977) e Kilas o Mau da Fita (1981).  Dedicava a sua atividade ao ensino universitário de disciplinas cinematográficas, à escrita de crónicas jornalísticas e de argumentos dos seus filmes.  Depois de Cinco Dias, Cinco Noites (1996), filme premiado no Festival de Gramado, nos Globos de Ouro em Portugal e selecionado para o Montreal World Film Festival, Fonseca e Costa assinou ainda O Fascínio (2003) e Viúva Rica Solteira Não Fica (2006), seus mais recentes trabalhos. A 9 de outubro de 2014, a Academia Portuguesa de Cinema atribuiu-lhe o prémio de carreira. Leia mais sobre a obra de José Fonseca e Costa no site do Expresso. Segundo disse o produtor Paulo Branco à Lusa, José Fonseca e Costa continuou a trabalhar mesmo depois de ficar doente, nomeadamente na realização de "Axilas", filme inspirado num conto do brasileiro Rubem Fonseca. COM AGÊNCIA LUSA Foto: Marcos Borga/Visão