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A história da primeira vez dos Guns N'Roses em Portugal: Estádio de Alvalade, 2 de julho de 1992

Num dia em que se fala de uma possível reunião da formação original dos Guns N'Roses - que poderá passar por cá - recorde o primeiro - e polémico - concerto da banda em Portugal.

Primadona! Diz-se nos Estados Unidos que o número de pessoas que garante ter estado em Woodstock excede largamente o número de pessoas que de facto marcaram presença no mítico festival que decorreu entre 15 e 18 de Agosto de 1969 perante quase meio milhão de pessoas. Algo de semelhante deve acontecer com o primeiro concerto que os Guns n' Roses deram em Portugal, no dia 2 de Julho de 1992, que adquiriu tais proporções míticas que se tornou marco de uma geração, levando muita gente a assegurar que esteve em Alvalade apenas para garantir identificação geracional. Como é óbvio, foram vários os factores que contribuíram para a elevação desse concerto ao mítico estatuto que hoje se lhe reconhece: os Guns de Axl Rose vieram a Lisboa no auge da sua fama, trouxeram consigo os Soundgarden e os Faith No More, actuaram num dia em que o público estava particularmente participativo e, por último, mas não menos importante, tudo foi maximizado por um espalhanço monumental que levou a que Axl amuasse e saísse várias vezes de palco. Capa do então semanário BLITZ no dia 7 de Julho? Axl Rose com um lacinho cor-de-rosa e a exclamação "Maricas!".

Claro que a redacção do jornal foi inundada com cartas de fãs revoltados com tamanha ousadia, mas, à distância de mais de 16 anos, convenhamos que tínhamos razão. A tarde de dia 2 de Julho, dia de muito calor, começou cedo e às 18h20 já os Soundgarden saíam de palco: "Muito som e poucos floreados para os Soundgarden, que se despediram com um prato de choque em cima do monitor do palco". Depois veio a revolução conduzida pelos Faith No More de Mike Patton, outra formação em topo de forma na altura. "São cinco músicos inteiros, todos em palco. E acreditamos nos Faith No More", escrevia Maria João Gouveia. "Mike provoca o público, convida-o a atirar coisas para o palco; o público serve, Mike defende vantagem de cá. Cai. Canta de joelhos, de gatas, deitado." As imagens, para quem não esteve lá, podem ver-se no Youtube escrevendo "Faith no More in Lisbon 1992". Um portento. Claro que o comportamento "exemplar" de Mike Patton só serviu para agravar a "primadonice" (como se refere no texto de Maria João Gouveia) de Axl Rose: "Os cabeças de cartaz atacam com "It's So Easy". O público resolve darlhes as boas vindas com a oferta de ranhosas garrafinhas de plástico, que insiste em arremessar aos músicos e começa a guerra dos Roses. Axl escorrega, escarrapacha-se no chão e que se aguente os cavalos que o cantor magoou-se numa perna e só volta 15 minutos mais tarde." Axl voltaria a sair mais duas vezes de palco e o seu regresso seria feito com um apropriado "Patience". Com inúmeras trocas de roupa a adicionar ás saídas por amuo, a presença de Axl Rose foi intermitente, mas ainda assim carismática. Ouvem-se "Live and let Die", "Don't Cry", "November Rain" e um apoteótico "Knocking On Heaven's Door" interpretada com um look de cowboy angelical todo de branco com casaco de franjas e chapéu de cowboy. Axl era uma estrela, daquelas que só se medem à escala planetária e que ninguém gosta de confessar ter perdido quando passou por Lisboa no seu auge. Rui Miguel Abreu Originalmente publicado na BLITZ de dezembro de 2008