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A grande ressaca dos anos 90 chamou, os Underworld atenderam

Grupo formado no País de Gales há 35 anos interpretou o clássico dubnobasswithmyheadman, terminando em êxtase com "Born Slippy. NUXX". O fim de festa também teve rock tardio, com os Ought.

É uma interpretação teoricamente cerimoniosa. Lançado em 1994, dubnobasswithmyheadman apresentou os Underworld aos anos 90 e os próprios anos 90 - os da club culture, do espírito rave e do tecno enquanto força em expansão - foram aí apresentados aos Underworld, uma banda até aí inexpressiva no que às contas das músicas dançáveis diz respeito (confira-se no Youtube os Underworld dos anos 80 e pasme-se). No Primavera Sound, as canções do "clássico" foram debitadas uma a uma, pela ordem com que foram oferecidas ao mundo há 21 anos.
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Fora do alinhamento do disco, mas dentro da estilística aqui em apreço, "Born Slippy. NUXX" foi, naturalmente, guardada para o fim - os agradecimentos por tamanha honra devem também seguir, por parte de Karl Hyde e Rick Smith para Danny Boyle, realizador de Trainspotting, filme ao qual a canção estará para sempre ligada - e, a par de "Rez" (canção fora de álbum de 1993) é a excepção à ordem imposta. Poderia faltar? Claro que não. Com um cenário espartano - os títulos das canções a surgirem atrás da parafernália de palco, à medida que o concerto avança -, o grupo britânico teve à sua frente uma plateia algo depauperada pela deserção de fim de noite (Underworld é, neste figurino, um primeiro "after hours" para os mais resistentes), eventual sintoma de que o apetite pela comunhão tecno/house não está muito ligada à linha condutora do Primavera Sound. Claro que em "Born Slippy. NUXX" a relutância é deixada para trás e o verde Parque da Cidade do Porto transforma-se, por largos minutos, numa gigante pastilha. Numa galáxia distante, no palco ATP, os canadianos Ought exibem o seu rock nervoso, enviesado, herdeiro dos cacos do emo (o dos anos 90, não a choradeira de eyeliner esborratado pós-milénio) e do college rock americano. Em anos transactos, aqui vimos nas mesmas circunstâncias Ty Segall e White Fence, lídimos representantes do rock do eixo Orange County/Baía de São Francisco, portentos de excitação com os quais os Ought não conseguem ombrear, mas há aqui vestígios dos Feelies e dos Talking Heads pré-Big Band - isto é, mais escola de artes do que máquina funk - que vale a pena aprofundar. Primavera de explorações, componente que o festival do Porto não descurou.